Comecemos pelo fato de que Papai Gato estava tão medroso de que saíssemos de carro sozinhos que protelou
Primeiro que pareceu que São Pedro estava de onda com a nossa cara. Íamos colocar o pé na rua e choveu. Tivemos que esperar a chuva passar e lá fomos nós: pega sacola com fralda, etc, etc, coisas da mamãe (chaves, dinheiro, celular, tudo na bolsa do bebê, para economizar bugiganga a mais), cobertorzinho se fizesse frio...E aí mamãe já tava cansada, porque reunir ítens indispensáveis deu um trabalhão (lembre-se do detalhe "mãe de primeira viagem").
Ao colocar o pé na porta, vale lembrar que a mamãe já estava com o c* (coração, filho) na mão. Entramos no carro. Ajusta o Gato (esse é tu, filho!) no bebê conforto. Gato resmunga. Taca chupeta na boca do Gato. Cai chupeta da boca do gato. Tenta de novo. Mamãe desiste. Vamos embora.
Ao sair da garagem Gato mia. Caiu a chupeta e chora. Mamãe para o carro, abre porta, vai para trás, arruma chupeta. Gato quieto. Mamãe com o coração no pé. Seguimos viagem.
Imaginem que essa cena se repetiu muitas vezes. Sem falar nos altos papos que eu ia estabelecendo com ele. Quem estivesse na rua e me visse, ia achar (ter certeza) que sou louca. Tudo isso para ir ao supermercado!!!!
Pausa para reflexão:
A grande questão é: não é possível se isolar do mundo e deixar de retomar a vida normal em algum momento. Ao mesmo tempo, sair com bebê de casa, para uma mãe novata, imagino eu, é muito difícil, porque requer uma logística muito bem estruturada. E mais do que isso, tem horas que não adianta, é importante ter alguém com a gente para dar um auxílio quando bebê chora. Imagina no meio do trânsito de São Paulo, a loucura caótica que é, e o bebê espernear no banco de trás? Como faz? Sem falar que as mamadas do dia são de duas em duas horas. Ou seja, passeio em menor tempo ou dar um jeito de mamar na rua...
Despausa.
Aí, é claro, no supermercado, veio uma senhora dizer que o Gato estava esmagado no sling. Outra perguntou se ele não estava sufocando. Fiz cara de monstro e seguimos. Não entendo como as pessoas se acham autorizadas a opinarem sobre a sua vida sem que você peça, enfiiiim....
Compramos absolutamente tudo que não precisava. Comprei, inclusive, uma tábua de passar roupas nova. Fiz as compras no automático, tal era a tensão de imaginar que, como choveu, iríamos voltar para casa no escuro. Como eu ia enxergar o Gato pelo retrovisor? Voltei com a luz do meio do carro acesa (abafa).
Voltamos sãos e salvos. Rendeu uma bela dor nas costas, tal era a tensão, mas pelo menos "desenclausuramos"! A questão seguinte é saber como acho coragem pra enfrentar este trânsito com ele de novo, sozinha. Maaaaas como sou gaúcha, "faca na bota", não desisto não! Afinal, Dorflex existe para que? :o)
Te amo muito, muito, muito, muito.....A cada dia mais.
Com amor, Mamãe.