Mostrando postagens com marcador Sentimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sentimentos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Deixa chorar!

Filho,

Não foram poucas as vezes que eu ouvi "deixa chorar" quando alguma criança estava aos prantos. E muitas destas vezes, a criança em questão eras tu.

Hoje, mais segura quanto à forma como manejo situações de crise contigo, posso dizer tranquilamente:

Não é bem assim. Depende de inúmeros fatores, e a maior parte deles é subjetivo. Ou seja, cada mulher dirá qual o seu limite para tolerar ou o seu poder naquele momento para administrar o choro de seu filho.

E isto só sendo mãe para compreender.

Vou me explicar. Tomemos o exemplo de uma mãe recém parida, depois de vivenciadas todas as angústias, incertezas e influências familiares, hospitalares ou sociais. Diga a ela "deixe chorar"o pequeno filho! É bem possível que, se estiver muito fragilizada pelas circustâncias do parto, ela não tenha sequer condições de se posicionar.

Mas a grande verdade é que a maior parte das mulheres não se sente preparada para tolerar o choro do filho. De alguma forma nós, mulheres, somos agraciadas, na nossa genética, com todo um aparato que não nos permite deixar um bebê chorar à exaustão. Faz parte da química que protege a nossa espécie, permitindo que seus descendentes não sucumbam. Por isso o choro tem um papel de proteção, por isso o choro faz com que a mulher tenha o reflexo de querer saná-lo.

Existem inúmeras fórmulas didáticas, educativas que incentivam o "deixar chorar", seja para dormir, para administrar e ensinar limites, frustrações, preparar a criança para o mundo. Não questiono  a validade e a importância de alguns destes  pressupostos.

O que chamo atenção é para o quanto estamos atento às dificuldades de cada mãe, de cada pai, relativas ao momento de cada um para tolerar o choro da sua cria. Chamo atenção, de forma bem simples, para a compreensão do quanto isto demanda da mulher (e do homem) bastante equilíbrio, que muitas vezes não combina com as noites insones, a falta de suporte familiar, profissional que a mulher muitas vezes enfrenta junto com a maternidade, em períodos bastante sensíveis da sua história.

Acredito que frustrar, ensinar os limites, educar, é necessário e pilar da estruturação da personalidade dos filhos. Mas que não adianta impor à mulher, mais especificamente, que tolere as crises de birra, ou o choro sem motivo, ou mesmo por um motivo importante, se ela não está preparada para tal. É necessário apoio, orientação e muita, muita paciência - para com a mulher e com a criança.

Saio em defesa especialmente por que sei como esta tarefa é difícil e do quanto demanda. Jamais negligenciando o que deve ser feito, mas sim chamando a atenção para o quanto o apoio e conforto fazem a diferença inclusive para o sucesso da educação dos filhos. Pais que divergem quanto às decisões, quanto aos posicionamentos, especialmente quando o filho presencia tais estranhamentos, fragilizam o reconhecimento da "lei e da ordem" na própria educação. É exatamente quando o filho manipula os pais para atingir seus objetivos, especialmente por que sabe quais são as brechas entre o que o pai e a mãe pensam, e  buscam por isso.

Assim, da próxima vez que me disserem "deixa chorar".......

( vinte minutos de silêncio, por favor, pelo que eu iria dizer e me calo, por consideração aos poucos, mas distintos leitores deste blog!)

Mas, ó, filho... Nada de achar que pode fazer escandalinho onde quer que seja! Salvos alguns momentos, dos quais falei acima, vai sentar no chão e chorar mesmo! Dói no coração da tua mãe, mas fazer o quê?

Por fim, agora entendo cada letra da expressão "ser mãe é padecer no paraíso". E isto que a parte mais difícil nem chegou! Ainda bem que faltam muitos anos para tua adolescência. :o)

Quando estás sorrindo é fácil, mas quando chora....











quinta-feira, 4 de agosto de 2011

365 dias de miados e aprendizados!

Filhote,

Um ano!Trezentos e sessenta e cinco dias de vida!Estás praticamente um adulto jovem!

Não sei se o tempo passou rápido. Às vezes sinto que sim, às vezes não. Dizem para eu te aproveitar ao máximo, porque o tempo voa. Me pego pensando se de fato te aproveito. Me cobro porque às vezes fico olhando no celular enquanto te acompanho brincar. Te dou atenção genuína? -  me pergunto. Mas, no final das contas, sei que te curto e que estou contigo de verdade. O cansaço, a exaustão de quem cuida de um bebê  é natural, e acredito que seja normal a gente não estar com o sorriso no rosto falando mamanhês o tempo todo.

O que tenho a registrar antes das fotos e detalhes da tua linda festa, é o que aprendi neste 1 ano.

Que de fato a gente começa muito exigente com limpeza, tanto das pessoas que entram em contato com bebês pequenos como dos ambientes. E que, com o tempo, a gente relaxa, na medida mais adequada, e se dá conta que micróbios não matam e ainda fortalecem.

Que desenvolvemos um dispositivo que nos capacita a decidir, por nós mesmas, o que é melhor para vocês. Antes de vocês nascerem e bem no início de suas vidas, precisamos vigorosamente de opinião, de um caminho, de esclarecimento para então tomarmos as decisões por vocês. Com o tempo, somos capazes de absorver a informação e digeri-la conforme nossos pressupostos pessoais. Isso é mágico. Este é o empodeiramento materno de verdade.

Que tomamos decisões com um peso incomensurável por vocês, filhos, antes que vocês possam tomá-las por si mesmos. Decidimos os rituias de sua possível religião, decidimos nossos representantes ao escolhermos seus padrinhos, marcamos também algumas possibilidades para seus futuros quando optamos por fazer previdência, plano de saúde. Escolhemos suas escolas, seus amigos e até suas roupas.
E aprendi que não temos como acertar em tudo. Mas que esperamos que compreendam nossas escolhas, uma vez que serão, todas, feitas pensando no seu melhor - ou naquilo que acreditamos ser este melhor.

Que lavamos cada roupa tua à mão, esterilizando tanque, com  lava-roupas especial. Hoje, dá-lhe máquina de lavar. Ou seja, que o tempo seleciona o cuidado viável dentro daquilo que é realmente essencial.

Que a gente paga pela boca quando se vê repetir as mesmas frases que nossos pais, e, além disso, compreende cada uma delas, especialmente esta: quando você tiver filhos, vai entender. Sabe por quê? Por que entendi que a maternidade/paternidade é uma experiência única, e que nem por identificação você compreende o que ela é. Você pode sentir empatia, mas compreender, só vivendo na pele.

Aprendi que o lençol de cima não serve para nada, por mais bordado e lindo que ele seja. E que eu lembro de ter achado isso uma baboseira imensa (assim como a chupeta, balançar para dormir, entre outras).

Entendi de verdade que brinquedo é legal, mas é mais para os pais que para os bebês, já que caixas, tubos, frascos de verdade são muito mais interessantes para vocês. E que, mesmo assim,  compra (pra gente ficar) feliz da vida.

Aprendi o desespero da mãe que o filho não come, do que adoece, de quando não pode estar presente. Ainda, compreendi que existe uma outra chavinha que vira quando somos pais e passamos a nos emocionar com partos, crianças e suas respectivas conquistas e angústias.

Entendi o papel da escola mesmo desde muito cedo. E aprendi que mãe demais intoxica e que de menos prejudica.

Que o medo de perder alguém se torna ainda mais aterrorizante, angustiante, quando temos filhos. Que existem horas que é verdade: queremos empurrá-los para dentro da gente para  protege-los. Ao mesmo tempo, nos tornamos agigantados, imensos quando se trata de defende-los. É como se ativássemos um botão dentro da gente que nos tornasse um Transformer daqueles super ultra imensos e cheios de poderes, saca? (falou a velha mãe aqui... Eu sei que tu nem sonhas do que se trata, mas um dia também explico isso. Pior seria eu dizer que me tornaria um Ben 10).

E que, mais do que todas estas linhas (por que eu sou prolixa mesmo e escrevo pra car...amba), tem coisas que a gente nao consegue traduzir em palavras e só resta sentir. E que sempre cabe mais amor dentro do peito, que transborda, que contagia, que é imenso na sua mais ampla concepção.

E, ó, filho... O mais incrível de tudo é que eu me enquadro na regra universal que diz que, para as mães, os seus filhos são os mais lindos, mais precoces, mais espertos e inteligentes do mundo (mas e tu és mesmo, viu, Filho?)

Que o mundo te acolha sempre com muita alegria e gentileza! E quando não for assim, estarei aqui com meus braços bem abertos para te aconchegar!

Te amo além do infinito, onde os gatos  pulam muros no horizonte do cerrado mais distante!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Socorro, meu Filho não come!

Filho,

Eu desejo que se tu leres os registros deste blog um dia, não te identifiques  com teus hábitos alimentares aos dez meses de idade. Ou seja, mamãe deseja que tu comas MUITO bem. Mas não precisa ser uma bolinha de tão gordo, tá, filho?

Estás crescendo saudavelmente, és lindo, esperto, inteligente e feliz. Mas teu apetite nos prega algumas peças. Para uma mãe de descendência italiana, onde alimento é sinônimo de afeto, imaginas como fico quando tu cerras a boquinha, viras o rostinho para o lado e não come sequer uma colheradinha da papinha que mamãe faz? Arrasada, filhote, arrasada. E, confesso, internamente irritada. Aí que tudo culminou com a morte de teu avô,  a nossa temporada longe de casa, a tristeza da mamãe e...tua perda de peso. Teu pediatra pediu exame de urina (fizeste xixi no saquinho) para descartar infecção urinária, e não era nada clínico. A questão é que perder peso foi novidade. Tiveste um período ganhando pouco peso, mas perder...

Fiz consultoria com outras mães de filhos que também não comem bem. Foste ao pediatra. Li dicas na internet. Comprei papinha pronta, orgânica, para ver se aceitavas outro tempero que não o meu. Pedi à Tia Alice, amiga da mamãe, para que compartilhasse a papinha que dá à tua amiguinha para ver se aceitavas melhor outro modo de preparo. Ou seja, fiz de "um tudo".

Não sei exatamente o que mudou para que tu estejas comendo um pouco melhor, mas as coisas estão mais tranquilas. Sei que bebês como tu tem fases. Simplesmente comem em um dia, em  outro menos e assim vamos caminhando. Mas quero compartilhar com outras mães, algumas das dicas que eu aprendi. Básicas ao extremo, mas que me deram um norte no auge do meu desespero. Foram o  check list mental que eu fiz para saber se estava errando em algum ponto. Note que são as minhas experiências e reflexões a partir do que vivi contigo. Não há fórmula mágica. E agradeço de antemão a todas as mamães que compartilharam receitas e dicas, de todo coração.

Vamos lá:

- Às vezes é importante lançar mão de "estratégias psicológicas"para tirar o peso da responsabilidade sobre os pais que alimentam o bebê. Quero dizer com isso, que a maior parte das mães que faz a comida do bebê e ela mesmas oferecem, sentem-se pressionadas-culpadas-chateadas-responsáveis pela inapetência do filho. "O que tem de errado com a comidinha que eu faço?". Para isso, vale comprar alimentação alternativa "experimental" para ver se o bebê come. Ou pedir mesmo à outra pessoa que faça a papinha segundo a sua experiência. E, se houver melhor adesão, observar o que tem na papinha que agrada o bebê. São os ingredientes? É a textura? É o tempero?

- Observar qual a consistência da alimentação, especialmente de acordo com a idade do bebê. Quanto maiores vão ficando os bebês, mais "pedaçudas"são as papinhas, e é recomendado que assim o sejam, especialmente para estimular a musculatura responsável pela mastigação. No entanto, observei que tu não gostas muito da sensação dos alimentos maiores na tua boquinha. E ainda, que comidinhas mais secas, não te agradam. Fiz, então, um meio termo: comecei a oferecer alimentação com mais caldo, mais molhada, com pedacinhos um pouco menores. Observei que faz muita diferença.

-Oferecer alimentação da casa para o bebê. É claro que a criança já deve estar maiorzinha. Tentei algumas vezes te oferecer polenta, canja de galinha (com o preparo gaúcho, é claro), feijão preto e aceitaste bem. A diferença esteve em retirar da panela para te oferecer antes de temperar normalmente, pois salgamos muito mais para os adultos do que para ti (o que não é lá muito bom para nós comermos tanto sal, maaaas....)

- Tem coisas que eu não sei fazer direito e não me sinto segura para te oferecer. Para isto, achei ótimo poder comprar comidinha orgânica destes alimentos específicos. Neste sentido, optei por papinhas de fabricação caseira da Empório das Papinhas que continham fígado de boi. Não adianta, detesto o cheiro do fígado. Não gosto de manuseá-lo. Mas sei que é importante. Uma alternativa seria pedir à tua bivó para faze-lo, mas ela está longe. De certa forma é um "luxo" à parte, mas uma vez que outra, tudo bem.

- Variar o cardápio das papinhas. Acredito que toda mãe sente-se mais confiante ao misturar determinados alimentos, porque aprendeu, por trazer da experiência dos seus pais quando com eles moravam, enfim. O que eu percebi é que experimentar receitinhas simples ajuda muito. O que eu fiz foi compartilhar com mães e também observar a composição das papinhas prontas que fizeram sucesso contigo. Desta forma, tive a "receitinha"do que usar, aí fiz eu mesma em casa para ti. Deu certo.

- Observar a temperatura que mais se adequa ao paladar do bebê: ou morna, ou mais fria.

- Observar o horário das refeições. Quando oferecemos alimentação muito perto do horário uma da outra, obviamente não damos tempo para que o apetite esteja aguçado. Para isto, optei por suprimir o leitinho das 10 horas da manhã, para dar tempo de estares com fome ao meio dia. Assim, comes uma fruta com cereal às 9:30 e um suco, e ao meio dia estás com mais fome. Lembrando que isso é bem particular, de criança para criança e de fase para fase.

-Descartar qualquer alteração clínica do estado de saúde do bebê. Segundo teu pediatra, filho, anemia e infecção urinária tem como sintoma a inapetência. Assim como gripes e resfriados ou mesmo nascimento de dentes. Vale consultar o médico para assegurar que não há nenhum comprometimento da saúde física.

- Observar se houve alguma mudança na rotina do bebê no período que circundou a alteração do apetite. Novos eventos e mudanças de rotina influenciam nos hábitos alimentares das crianças. Entrou ou saiu da escolinha? Houve mudança de cuidadores principais (babá, professora, mãe, tia, etc)? Algum evento estressor acometeu a família (morte, nascimento de irmão, viagem dos pais ou cuidadores principais)? e assim por diante. Contigo tivemos a vivência da perda do vovô, como citei anteriormente.

-Procurar dar à papinha o sabor, o tempero característico da sua casa. Aprendi com o teu pediatra que a gente carrega a experiência do paladar da casa da gente, do que comemos do que é preparado em família para sempre. É esse tempero que transmitimos e que, junto com ele, carregamos as referências da nossas origens. Por isso dar papinha industrializada SEMPRE não é lá muito legal (fora o detalhe dos conservantes). Sempre digo que não quero que tu sejas o filho da Nestlé. rs Mas no final de semana, eventualmente, tá liberado.

- Conversar, compartilhar com outras mães, avós, pais que tiveram - ou não - a mesma experiência. Se não resolve, acalma.

- Observei que bebês que mamam no peito tem fases que optam pelo leite da mãe e ponto. Sem recorrer às explicações científicas (pq também não as tenho), é fato. Isso, também, sem levar em consideração o segundo parto que uma mãe vive ao tentar oferecer fórmula infantil (leite em pó) ao rebento. Bebês amamentados no peito, que não são burros nem nada, não curtem muito a alternativa B. Pobres mães com os peitos no chão...

- Sempre que tiver a oportunidade, revezar com alguém a tarefa de oferecer o alimento. Bebês são esponjas e percebem nossa ansiedade, o que influencia na aceitação da refeição. Quantas vezes sentei para te dar papinha tensa, com medo de que não comesses, tentando disfarçar e nada de tu comeres? Aí chegava teu pai, tu abrias a boca e dava tudo certo? (que raaaaaiva!)

- E por último, mas imprescindível em todos os momentos: Paciência. E a crença que um dia vai passar (ou não), mas que é bem possível que seja apenas uma fase.

Como disse, não tem nenhuma grande dica ou solução nestas linhas. Mas foi o caminho que encontrei para me tranquilizar que havia feito de tudo para facilitar que tu comesses melhor. Hoje as coisas estão um pouco melhores, com ressalvas dos dias que me deixas ao léu, com uma colherinha na mão, comendo teus restos já que me ignoras, como mãe que te nutre e te cuida! (choro dramático no plano de fundo)

Paaaaaaaieeee!Eu quero Mc Donald's!!!!!!

Com amor,

Mamãe

PS: Isso não faz de mim uma mãe que o filho come mooointo bem. Sendo assim, continuo aceitando sugestões :o)


segunda-feira, 14 de março de 2011

Do dilema de voltar ao trabalho

Filho,

Um dia tu vais entender que mulheres são seres muito complexos. Não sei se isso é bom, ou péssimo mas terás uma escola na tua própria casa, já que tua mãe é um exímio exemplar de insanidade e inconstância deste gênero tão complicado.

Desta vez me refiro ao quanto somos ambivalentes nos nossos sentimentos e pensamentos. Do quanto queremos tudo, depois não queremos nada e do quanto conseguimos não entender nada do que estamos sentindo e disto tirarmos uma experiência única de aprendizado (eu não disse que era dificiO?)

Vamos facilitar agora, já que pude dar uma amostra grátis do quanto é complicado sentir tudo isso aqui dentro do peito. Estou falando do que ando sentindo a respeito deste momento que vivo em casa. Contigo, feliz, te vendo crescer, mas em casa, longe do trabalho.

Mais uma vez repito que isso tudo não tem nada a ver contigo, com meus sentimentos por ti. Talvez seja mais um desabafo neste canal que se abriu, inicialmente para falar para ti em que hoje interajo com muitas mães, que me ajudam muito com suas experiências e seus olhos atentos.

Feito o lembrete, digo que agora que o mestrado acabou (nem acredito nisso....), comecei a me questionar se consigo ficar muito tempo longe do trabalho.

Primeiro pela questão do dinheiro. Uma renda em casa é diferente de duas, por mais que o salário de profissional de saúde seja uma vergonha. É diferente porque é uma conta de telefone a mais, seguro de carro a mais, anuidade do conselho de classe a mais....
E, além disso, não consigo me sentir confortável na pele de uma mulher que procura nos olhos do marido o termômetro para saber se essa ou aquela necessidade feminina de consumo pode ou irá pesar no orçamento da casa. Senti isso comprando um sabonete da Natura este final de semana. Veja bem onde estou chegando... Isso não é legal.

E não tem nada a ver com olhares de reprovação do teu pai, porque ele não é assim. Tem a ver comigo.
Eu gosto de trabalhar. Eu gosto de comprar o que quero, na hora que quero. Mas é muito mais que isso: quero de volta a sensação de que contribuo com o orçamento do lar. Mesmo que seja para acrescentar uma comprinha no supermercado. Mas me sinto confortável nesta postura. Somos uma família e optamos por lidar com dinheiro conjuntamente. Isso não mudaria. Mas agora, escrevendo pra que pagar terapia me dou conta que tem a ver com o sentimento de contribuir, de ajudar.

Semana passada abri mão de um emprego tentador, do ponto de vista da atividade que iria desempenhar. Deu aquela coceirinha, sabe? Deu vontade de voltar.

Mas ponderei. Me propus a ficar contigo até teu primeiro ano ou quando pudesses entrar na escolinha do condomínio (aceitam quando a criança já anda). E quando tivéssemos o mínimo de estrutura (somos só eu e teu pai), eu procuraria as vias para esse retorno.

O que acontece é que eu não me sinto preparada emocionalmente para te deixar e retomar essa vida em paralelo. Acredito que nenhuma mulher se sente preparada por inteiro. Mas, para mim, (a outra metade de mim) não é hora ainda. Sei que fará falta para ti e para mim.

Que sentimento estranho! Que ambiguidade, sabe?

 Quem julga que ficar em casa é moleza, não sabe o que é isso. Admiro horrores as mulheres que tem a sua profissão de mãe em tempo integral, que cuidam da casa, da saúde da família, da alimentação. Seja por escolha ou por necessidade. Não é bolinho, não! É muito, muito, muito cansativo e requer muito jogo de cintura. É tarefa para mulheres de ouro, viu?

Tenho a possibilidade de voltar a atender, em poucos horários, mas ir retornando....Acho que é a saída. O meio do caminho entre duas decisões que envolvem muitas mudanças. Então ir dando atenção a este sentimento e ir trabalhando-o até o momento de voltar por inteiro. Já é quase julho! Já, já chega a hora. E eu sei que oportunidades surgirão não me pergunte daonde, mas eu sei que surgirão.



O que mais faz sentido é o que sinto quando estou contigo. Toda vez que me pego olhando para ti, hipnotizada, me emociono profundamente. Que milagre da vida que tu és, meu filho! Quantas escolhas saudáveis eu fiz para te ter! E eu tenho certeza que tu me transformaste em algo melhor inclusive para os trabalhos que eu desempenharei no futuro próximo.

Reconhecer o que sentimos é o primeiro passo para acomodar as dores e os amores dentro da gente.
Agora já está tudo bem.
Obrigada por emprestar o teu espaço para estes sentimentos de mãe.
Te amo ainda mais!
Dá pra sentir o quanto te amo?


Com amor,

Mamãe

sexta-feira, 4 de março de 2011

Entre os tombos e a superproteção

E aí, filhote, que tu caíste teu primeiro tombo. Não sei se vou esquecer a imagem e o som que eu ouvi quando tu capotaste no chão do meu quarto! Foi o "TUM" que mais doeu na minha alma.

Caíste da minha cama. Choraste, mas acredito que foi de susto. Eu gelei, só pensava na hora em te consolar e ver se tinhas te machucado. Na sequência liguei para teu pediatra, que, bem humorado, depois que me acalmei, disse que iria me condecorar com uma medalha.

A postura dele foi acolhedora, muito mais por ser tranquila e ao mesmo tempo segura. Mãe, por definição,  tem a mania da "auto culpabilização", e não precisa de alguém que aponte o dedo e reforce o sentimento de  incompetência. Ter dito que era normal e que eu deveria apenas observar, fez toda diferença.  Ainda escrevo sobre isso. (nota mental)

A questão é que este tombo me fez pensar sobre algumas coisas, acredito que importantes. Primeiro, pensei nas inúmeras situações que virão pela frente. Quantos hematomas, arranhões, pontos, fraturas, entre outras, irão acontecer, por ventura. Outros eventos da vida que te trarão muito sofrimento, como quando se levares um fora da namorada, se fores demitido, se não passares em uma prova, se fores para o quartel e não quiseres (Notem o "se". Mãe protege, não tem jeito).
Situações das quais não terei absoluto controle. Lembrei que crescer tem implicações: às vezes dói. Penso que dói mais nos pais que em vocês, na maior parte das vezes. Mas dói. E preciso me adaptar à ideia de que posso minimizar os riscos, mas não anulá-los. Até porque não te faria bem.

Sinto certo desconforto em ouvir sobre as "crianças bolha", que vivem superprotegidos pelos pais e que diante da necessidade da vida de dar conta das adversidades, quando não os tem por perto, não sabem o que fazer. A intenção destes pais é tão genuína, tão especial, que não contesto. Mas penso nos efeitos que isso tem a longo prazo, com marcas impressas a sangue frio na personalidade destes  adultos em que estas crianças se transformarão. Adultos inseguros, baixa capacidade de resiliência, ou seja, sem jogo de cintura para enfrentar as agruras da vida.

Aí me deparei contigo querendo engatinhar, se arrastando, mas com muita dificuldade. Me toquei na hora que eu não estava facilitando este processo! No intuito de te deixar seguro, empatei tua vida! Estavas lá, em cima do tapetinho (de PVC, MDF, qual, gente? rsrsrsrsrs), de meia, com calça comprida, casaquinho, patinando, patinando, patinando...Seguro que era uma beleza, mas PATINANDO!

Caiu a ficha. Teu primeiro tombo deu sequência a um processo de destruição em massa, provocado por mamãe: arregaçada a calça e a blusa, sem meia, tu foste jogado ao mundo (o chão), para explorar o teu mais novo desafio. Logo estavas batendo a cabecinha (de leve, gente), chorando, voltando a sentar, voltando a se arrastar e assim por diante. Bem que te rendeu uma boquinha inchadinha porque teus dois dentinhos (não registrei que já és um ser dentado, meu Deus?!!!!!) bateram no lábio!

Resumo da ópera, acredito que o papel dos pais é muito mais do que complexo: facilitar na medida mais próxima do ideal a exploração dos riscos e proteger também na medida que mais se aproxima do necessário.  Não ouso dizer que atingiremos esta meta, até porque tudo é tão dinâmico, muda tudo o tempo todo, que quando estivermos preparados para um desafio, mudará a fase e virão outros. Mas precisamos de um norte, sabe?

E é por aí, filho. Seguimos aqui, incentivando o teu desenvolvimento com tuas descobertas, com o coração numa mão e na outra os abajures para que não caiam na tua cabeça.


Olha o perigo aí, gente!

Crescer dói, mas é um barato necessário!

Com amor,

Mamãe.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Filho, eis aqui tua mãe.

Filho,

Mamãe tem estado bastante absorvida pela fase final do mestrado. O tempo que sobra em relação aos teus cuidados tem sido dedicado inteiramente à esta pesquisa, por isso que não tenho mais vindo aqui. Mas está acabando, tudo vai voltar ao normal em seguida.

No entanto, não poderia deixar passar nem mais um dia, nesta urgência interna que grita dentro de mim.
Precisava vir registrar quem realmente é tua mãe. Talvez você se decepcione, mas é a mãe que tu tens.

Tu foste desejado desde os meus 14 anos. Te concebi aos 29, te tive aos 30.Tive quase 48 h de trabalho de parto e te pari por parto normal. Te amamento até hoje, aos teus 6 meses e meio de vida e pretendo ir adiante. Faço tuas papinhas. Até hoje, em teus seis meses, te crio sozinha, sem ajuda de ninguém além de teu pai. Parei de trabalhar pra cuidar de ti.

Bonito, feio? Super mãe, mãe de merda? Desculpe, filho, esta palavra é feia, mas já te disse que mães são seres humanos normais, comuns, que falam palavrão às vezes? Pois então, é a mais pura realidade.

Justamente sobre esta normalidade materna, sem super poderes, que vim escrever hoje. Temo que dentro da tua admiração natural de filho que ama os pais, possas esquecer um dia que somos de carne e osso. E que falhamos muito e erraremos ainda mais até que tu possas ter condições de avaliar isso com critérios de gente grande.

Mas está aqui, registrado. Tua mãe não é de ferro.

Eu te pari de parto normal porque eu quis, porque teu pai apoiou, porque a médica incentivou e porque a natureza permitiu. Não foi pra contar pra ninguém que eu sou forte, até porque, vou te te falar, acredito na força de outro jeito, na força simbólica das mães que não tem nada para dar de comer e tiram da sua boca para dar aos filhos, e não é o nosso caso, graças a Deus.

Eu te amamento porque eu quis, porque teu pai apoiou, porque a médica incentivou e porque a natureza permitiu.E por ser excelente para ti, lógico, mas foi um desafio que eu tomei para mim e venci. Desafio porque doeu muito no início, porque cansa, traz a sensação de privação de liberdade diante da necessidade de não se ausentar por mais de 2 horas de casa.
Atualmente ainda mamas de madrugada e eu canso demais, me arrasto até o teu quarto, quando não durmo sentada. Tem sido bem difícil seguir neste ritmo. Mas tenho juntado forças e estamos indo bem.

Faço as tuas papinhas. Tem dias que eu gosto de fazê-las, mas não me sinto segura para fazê-las sempre, porque nunca havia feito antes. Não sei combinar os legumes e fico receosa de misturar alguma coisa que te faça mal. Se eu pudesse, delegaria esta função à tua bivó, sem dó nem piedade, mas ela mora muito longe. Diga-se de passagem que aqui em casa a nossa alimentação não é nem de longe perfeita, temos nos cuidado em relação a isto por tua causa, pra te dar um exemplo mais adequado, mas não perfeito. Um dia tu vais tomar refrigerante, vai comer salgadinho. É a realidade do mundo que vamos te apresentar. Não vais viver um sonho cor-de-rosa, filho. Me desculpe.
Já te disse que a primeira papinha que te dei foi demais, pois até vomitaste? Mas tua mãe não sabia teu limite, e estavas tão feliz comendo tudinho! Perdoa?

Eu parei de trabalhar pra te cuidar. Uma escolha minha. Uma possibilidade nossa, minha e de teu pai. Se não pudéssemos, tu estarias hoje em um berçário, porque não temos nenhuma de tuas avós aqui para ajudar na tua criação. Porque se tivéssemos, mamãe quando voltasse a trabalhar te deixaria com a vovó. Sem culpa. Mas quando tiveres um ano vais entrar na escolinha, independente de eu estar trabalhando ou não. Porque acredito que é importante para ti socializar com outras crianças, aprender a dividir as coisas e também porque acredito que eu preciso ter mais momentos pra mim, seja trabalhando, descansando, o que for.

Eu te crio sozinha. Não temos babá. Em parte porque não podemos, em parte porque não encontramos uma pessoa que seja digna de confiança. Mas grande parte porque eu quis. Mas a grande parte que me fez querer mudou de ideia na medida que cresceste um pouco mais e exiges toda atenção do mundo e quase não dormes durante o dia. Mamãe queria um tempo pra descansar, tomar um sol e voltar feliz, inteira para brincar contigo.

Sabe o que acontece, filho? A culpa não é sua nem das pessoas de tua geração. É muito anterior a vocês. É de uma época em que a maternidade era tida como algo mágico, colorido, sublime e divino. E, em parte é, pois gerar uma vida é algo transcendental. Mas esqueceram de lembrar que mãe é gente, e que esta expectativa em torno de seu papel, de Ser perfeito, não colabora em nada. E sabe o que mais me entristece? Este duelo é travado especialmente entre mães. Tu consegues acreditar nisto? Ao invés de se unirem, estas mulheres maravilhosas se degladiam. Verdade, filho, nós, mães (nem todas, sejamos justos) apontamos o dedo um na cara da outra dizendo que a nossa experiência é a melhor. A mais correta, mais bonita. Depois do advento da internet, então, estas super mulheres escrevem à queima roupa, julgando umas às outras, ao invés de terem uma postura solidária. E eu sofro por ver isto acontecer...

Mas tem uma coisa que eu quero te lembrar, e desejo que fique acima de qualquer suspeita: fazemos o nosso melhor para ti. Sempre. E vamos te educar para que aprendas a não julgar as pessoas, pois cada uma faz o seu melhor, mesmo que nos pareça muito pouco ou o pior que podem dar.

E mesmo que sejamos assim, tão falhos, te amamos MUITO. Um amor inquestionável, imenso, forte, puro, amplo, terno. Por mais que sejamos fracos, às vezes, ou na maior parte das vezes, somos de verdade. Somos os pais que podemos ser para ti, sempre buscando melhorar, mas ainda sim, humanos.

Desejo que estas revelações não abalem teu amor por mim.

Com todo amor de mãe imperfeita,

Mamãe.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

É hora de agradecer

Meu Filho,

Se tu não te importares, gostaria de escrever aqui meus agradecimentos de final de ano. Na verdade eu aprendi a agradecer todos os dias pelas coisas e pelas pessoas que tenho em minha vida, mas fazer um balanço de final de ano faz parte do processo de encerrar um ciclo.

Queria agradecer pela minha saúde. Sem ela não chegaríamos juntos aqui. Agradeço ainda mais pela tua saúde. Pela de meus familiares e amigos também. Acompanhando pessoas doentes modifiquei a ordem de valores da vida, percebendo que é nosso bem maior.

Agradeço pelos amigos que eu tenho. Pelos poucos amigos que eu tenho que são valiosos, sinceros e que são perenes. Estes valem mais que barras de ouro.
Agradeço também pelos amigos que eu conquistei: os virtuais, os reais e os que eram virtuais e que são reais agora (especialmente as twitmães!).
E com uma gratidão muito grande eu agradeço os que foram embora da minha vida. Simplesmente pelo fato de que até as pessoas ocupam espaço e nos fazem mal quando não cabem na vida da gente conforme vamos mudando. Obrigada pela limpeza que naturalmente a vida fez nas minhas relações.

Obrigada pelo marido maravilhoso que eu tenho, que cuida de mim em todas as situações, que é meu amigo, meu companheiro e fiel ouvinte. Agradeço por este mesmo homem ser o pai mais especial, participativo, generoso, responsável  e carinhoso que eu poderia escolher para ti. Só tenho a me orgulhar pela relação que construímos, apesar de alguns arranhões que o dia-a-dia causa.

Agradeço pela família que eu tenho e que aprendi a amar apesar de suas dificuldades e características. Eu os amo ainda mais, depois de um longo percurso entre conhecê-los e aceita-los como são. Especialmente agradeço por serem os melhores avós, melhores tios, bisavó e primos que tu poderias ter também. Que benção foram os encontros e reencontros que aconteceram neste ano!
Obrigada por mais um ano de vida de minha amada avó aqui conosco, no auge de seus 85 anos. Obrigada pela mãe zelosa que eu tenho e que é uma leoa, corajosa, guerreira. Agradeço por sua saúde. Obrigada por meu pai decidir viver, apesar da doença e muito além das limitações.

Agradeço pela escolha que fizemos em relação à tua madrinha. Ela é presente, carinhosa, uma amiga muito especial para tua mãe. Sei que te confiamos à pessoa certa.

Merece atenção a gratidão que tenho às pessoas que facilitaram as nossas vidas ao longo deste ano. Alguns deles fizeram, muitas vezes, o papel de amigos e familiares. Agradeço pela presença e carinho da adestradora da Balú que a cuida como filha, à menina da portaria que hoje está cuidando dos nossos gatos na nossa ausência, à veterinária dos nossos filhos animais,  à faxineira que cuida de nossa casa. À menina que cuida das minhas costas semanalmente para eu seguir te segurando e embalando.

Obrigada pelo primeiro Natal que tivemos contigo, que me permitiu ter gosto pela data, já que antes era sem cor por não termos criança na nossa companhia.

Agradeço pelas etapas que venci do mestrado, mesmo com toda dificuldade me termina-lo. Obrigada às pessoas que me auxiliaram, especialmente minha orientadora, algumas amigas, à Balú, aos participantes da pesquisa e ao meu marido mais uma vez. Tudo transcorreu abençoadamente mesmo com a proximidade de tua chegada na época da execução da parte prática.

Agradeço pela companhia de nossos animais de estimação. Pela presença constante, pelo carinho e até pelo cuidado que tem com a gente. Acredito que amor a gente não agradece, retribui, mas mesmo assim agradeço pela existência e pelos ensinamentos que a convivência com eles nos permite. Obrigada por a Tula, minha pequena princesinha, me acompanhar por todos os cantinhos da casa e me fazer sentir cuidada.

Agradeço pela convivência e cuidado com a médica que te trouxe ao mundo. Aquela mulher é uma pessoa especial, exemplo de cuidadora de corpos e almas. Tenho admiração e amor por ela.

Agradeço a oportunidade de ter podido cuidar de algumas pessoas até a sua morte, por ter aprendido tanto com elas e saber que a saudade que sinto é sinal de que o que vivemos foi real e importante. Obrigada pelos momentos de reencontro com os seus entes queridos que ficaram e o contato esporádico que garantem certezas que a vida segue seu rumo. Obrigada por todo carinho que recebi e pelas certezas que colhi de que estava fazendo a coisa certa.

Obrigada por ter a oportunidade de interromper temporariamente o curso destes trabalhos e me dedicar ao cuidado com a pessoa mais importante da minha vida. Este privilégio eu agradeço todos os dias.

Obrigada pelos momentos diários de contato, de aprendizado, de amor ao teu lado. Sou uma mulher de sorte dobrada por acompanhar cada aquisição do teu desenvolvimento.

Por mais que eu tenha milhares de outros motivos para agradecer, eu quero dar toda atenção que resta desta noite para o meu maior agradecimento, para o qual eu devo cada dia da minha existência. Se eu vivi até o dia 21 de julho de 2010, o dia que nasceste, foi para dedicar o resto dos meus dias para agradecer pela oportunidade de ser tua mãe.

Por isto, obrigada pelo parto que eu tive. Pela benção que foi te colocar neste mundo. Pela tua saúde, pela tua beleza, pela tua existência.

Obrigada pela tua vida.

Obrigada por seres meu filho.

Obrigada, de todo meu coração, por saber, por meio de ti, o que é este milagre de ser mãe.

Obrigada por cada movimento desta vida ativa que se manifesta por meio da tua existência. Obrigada por seres a lente pela qual eu vejo o mundo desde que nasceste, pelo colorido, pelo sabor da vida, pelas nunaces que eu não conhecia e que hoje eu posso presenciar. Obrigada pela família que constituimos.

Gratidão, meu Deus, pelo nosso encontro. Ou reencontro, quem é que sabe? :o)

Todo amor do mundo, toda gratidão do universo por este ano de 2010, muito acima de todas as dificuldades!


Mamãe.
Gratidão, Mãe das Águas!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desabafo de uma mãe exausta

Filho,

Carrego no peito um sentimento muito ambivalente. Queria que o tempo congelasse para te  ter pequenininho para sempre. Às vezes sofro quietinha, escorrem as lágrimas porque sei que estes nossos momentos são muito passageiros. Sei que muito em breve tu vais querer explorar o mundo com tuas próprias perninhas, que não vais querer mais colo pois cada descoberta vai ocupar muito do teu tempo e da tua vontade. Me emociono e sofro por imaginar que este é um momento tão único, tão precioso e tão efêmero! Cada vez que alguém me diz "curte muito porque passa muito rápido", é como se eu recebesse uma responsabilidade que pesa 500 kg.

Será que estou sendo capaz de curtir realmente meu pequeno filho? Será que estou retendo na memória os bons momentos do teu desenvolvimento?

Ando muito cansada. Eu sei que a ambivalência vem quase toda disso. Quando acordas de madrugada querendo brincar, queria acelerar o tempo. Te fazer crescer mais e te tornar mais independente, pra eu dormir e ter uma única noite de sono para acordar mais leve, mais bem disposta.

Meu coração se aperta em culpa por desejar isto! Tanto te quis!Tanto idealizei estes momentos ao teu lado!

Queria às vezes desaparecer. Queria ter o mínimo de tempo tomando um banho demorado, sair sem hora pra voltar... Queria não ter que cumprir com a responsabilidade de terminar um mestrado em dois meses...

Eu sei que é exaustão. Para mim esta fase que estou vivendo é como dirigir 24, 48, 72 horas sem parar. Atenção focada, cérebro em alerta o tempo todo, não desliga, não descansa. A rotina com um bebê pequeno exige atenção full time. Quando acordado, atenção para que não se machuque, para reconhecer suas necessidades. Quando dormindo quem sabe o que é ter uma babá eletrônica no ouvido a noite toda entende: cérebro em vigília o tempo todo. Ao menor suspiro, eu acordo. E tu te viras de barriguinha para cima e geme, é necessário levantar, ir ao teu quartinho e te colocar em uma posição confortável.

Quando vejo tuas fotos, me pergunto como pudeste crescer tanto e meus olhos não acompanharem. E tens só 4 meses e meio! Sofro ao imaginar que em algum momento não caberás mais no meus braços.

Às vezes me pego sem paciência. Me sinto a pior mãe do mundo. Queria ser melhor para ti.

Todas as decisões que tomei, especialmente em ficar contigo até fazeres um ano - por isso pedi demissão -, foi pensando em te dar o melhor. Mas eu me pergunto se estou conseguindo...

Às vezes me sinto sozinha demais. Às vezes queria que  alguém se dispusesse a ficar contigo algumas horinhas para fazer as coisas que precisam ser feitas. Mas como, se estamos, de fato, muito sozinhos? Ao mesmo tempo que isto nos fortalece, nos enfraquece, pois reflete em esgotamento físico e mental.

Me preocupo se estás me manipulando, se ao chorares consegues o que queres porque não consigo mais te ouvir chorar, pois estou cansada... Ouço as pessoas dizerem para te deixar chorar, mas não consigo, estou no meu limite! Penso de que forma posso te ajudar a entender que é preciso esperar sem que isso resulte em uma guerra de nervos pois tu abres o berreiro, ficas vermelho como se tivessem te batido. És muito bravo! O que eu devo, realmente fazer?

Teu pai tem trabalhado muito e eu compreendo. Mas, ao mesmo tempo, isso tem redobrado a responsabilidade que tenho contigo, pois não tenho com quem dividir.

Às vezes escrever ajuda. Estou mais calma e, por incrível que pareça, minha maior vontade neste momento é ir no teu quartinho, te pegar no colo e te dizer o quanto te amo!

Perdoa esta tua mãe, filho... Eu te juro que me esforço para ser o melhor para ti, mas a cobrança que nós, mães, nos colocamos é tão grande que é fácil adoecer assim, pois tendemos a não reconhecer nossos limites.

Me sinto mais leve. As lágrimas que vieram em massa já se foram. Que Deus permita que amanhã eu acorde a mãe que tu mereces que eu seja.

Com todo amor do mundo,

Mamãe


OBS:

Por isso escrevo. E há quem acredite que isso é exposição da intimidade, de uma forma não salutar. Melhor seria, ao ver destas pessoas, que mães como eu enlouquecessem de vez o invés de recorrer a uma ferramenta como esta: dividir seus sentimentos com tão íntimos desconhecidos, que vivem a mesma ou semelhante realidade. Bom é que nem todo mundo pensa igual, e que os verdadeiros interessados se apoiam mutuamente.

E é por isso que agradeço a oportunidade de não ser julgada por aqueles que me lêem, pois já o faço arduamente sem que ninguém sequer se apresse em fazê-lo por mim.


C'est la vie.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A construção do nosso vínculo

   
Filho,

Hoje tu fazes três meses de vida. Coincidiu com o dia da blogagem coletiva, e o tema é Vínculo. Coincidência? :o)

Antes de escrever, eu olhei o videozinho que teu pai fez do teu parto. Posso garantir que o vi com outros olhos. Me emocionei de forma diferente. 

É a primeira vez que eu olho o vídeo e te vejo nas imagens. Quando digo que te vejo, me refiro ao que você realmente é, ao que conheço de você nestes três meses de vida. Antes eu olhava as fotos e enxergava o meu desejo de ter um filho, o que eu esperava que ele fosse, o esboço de uma relação, que estava mais pautada nas idéias que eu tinha a teu respeito do que necessariamente quem você era.

Difícil explicar... Mas o que enxergo hoje ao fazer esta mini retrospectiva é fruto da nossa convivência, das nossas descobertas juntos, do conhecimento que eu e tu estamos adquirindo a cada dia, um a respeito do outro.

Hoje eu vejo as fotos e vejo o meu filho Rafael. Que eu reconheço o seu choro de fome, de cansaço. Que eu sei como provocar um riso, das coisas que lhe chamam a atenção e do que não gosta. Sei a forma como gostas de dormir e como resmungas se não estás daquele jeitinho. Aprendi contigo que nem sempre as coisas tem explicação, e aquele choro sem motivo às vezes não tem motivo mesmo! E que não vou ajudar em nada se insistir no meu velho modo de ser, tentando fazer caber nas minhas explicações racionais pra tudo nesta vida...

Quando eu penso no que ouvia das outras mães que "quando o meu filho nasceu senti o maior amor do mundo", lembro da sensação de culpa, de estranhamento por não entender o que diziam. "Não amo meu pequeno filho assim, será que sou uma mãe desnaturada? Será que por eu não amá-lo mais que a tudo nesta vida eu não sou digna da maternidade?" 

Hoje eu compreendo que eu não sentia tudo isso porque eu precisava te conhecer. Nós precisávamos deste tempo para nos reconhecermos um no outro. Nós precisávamos do nosso tempo para estabelecermos nosso vínculo de amor, de cumplicidade - e de estranhamento também. Uma coisa é fato: a gente não ama aquilo que não conhece.

Hoje eu te amo pelo que construímos. Te amo pelo vínculo que temos. Te amo pela sintonia que desenvolvemos em saber o que cada um está sentindo. Te juro que das vezes que chorei contigo no meu colo, a tua carinha de "interrogação" me fazia acreditar que, mesmo não compreendendo o que acontecia, tu compartilhavas daquele meu momento.

Eu fico imaginando o que eu direi daqui a um aninho, daqui a três, dez, vinte anos, quando o vínculo terá sido alimentado por muitos outros fatores, por outras descobertas, aprendizados... O que eu sei é que cada dia me surpreendo com a capacidade de amar  sempre mais, dia após dia. 

Não imagino minha vida sem ti, meu pequeno, imenso filho. A grandeza do sentimento que tenho por ti me dá força, me dá motivos para ser melhor, pra querer mais nesta vida, para ir muito mais além. Contigo e por ti, Rafa, tudo faz sentido.

Obrigada por me transformar em um ser humano melhor. Obrigada, mais uma vez, por permitir que eu aprenda, da forma mais doce e generosa, as coisas que este plano maior tem para mim, para nós.

E não canso de repetir...Obrigada por ter me escolhido como tua mãe. Faz três meses que a minha conexão com Deus também existe fora do meu peito.






Com todo amor do mundo,

Mamãe.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dos sentimentos contraditórios da maternidade

Filho,

Resisiti  para escrever aqui estes sentimentos malucos que passam pela minha cabeça e meu coração, mas entendo que para cuidar de ti, preciso da "razão e emoção" em ordem e escrever é uma forma de organizar as idéias. Permita-me compartilhar com o mundo virtual, então, já que o mundo real resolveu tirar férias de mim :o)

Primeiro, vale a ressalva que não tem nada a ver com o amor que sinto por ti. Pelo contrário, a cada dia te amo mais e me emociono ao ver os teus olhos fixados nos meus enquanto te amamento. Tuas mãozinhas começam a dar os primeiros sinais que os reflexos vão embora e aparecem os gestos intencionais: tu mexes os dedinhos por detrás de meu braço , agarra minha blusa e me olha...Tão singelo, tão puro!

Enquanto te abraço, vou ao espelho  ver a nossa imagem refletida e vejo uma cena que não me permite ainda acreditar: tu estás aqui comigo, tu, meu filho tão desejado, tão planejado! A isto eu dou o nome de felicidade simples, sublime, maior.

Junto com estes sentimentos especiais, no entanto, carrego a dicotomia de quem sempre sentiu tudo por inteiro. Também me sinto só. Nos momentos em que dormes e me pego em contato com o que sinto, percebo o quanto a maternidade traz um quê de solidão. Na maior parte das vezes sinto a solitude, e isto me agrega. Mas a solidão também me visita.

Me pergunto se gostaria que as coisas fossem diferentes. Mas não. Quero, gosto, desejei e desejo este momento contigo como nunca. Não queria estar trabalhando agora, talvez nem com tantas companhias assim, até porque com elas vem os palpites, as críticas e estou dispensando tais contribuições desnecessárias. A questão é que para alguém que usa a palavra como ganha pão, fica com dificuldades quando esta cala para dar espaço para os gestos e o cuidado com um único ser. Quem fala comigo?

Tu, filho. Teus sussuros, tuas vocalizações me preenchem de alegria. É o momento mais especial do meu dia! Mas como eu disse, não tem nada  a ver contigo este desabafo.

Sinto falta de troca, de novidades da vida alheia, de compartilhar tuas aquisições!

Como é uma miscelânea de sentimentos contraditórios, me vejo também exaurida pelo dia corrido, e quando tenho oportunidade de conversar com teu pai quando chega em casa, estou cansada, quero dormir. Família longe, amigos não sei bem onde estão... Somos eu, tu, os gatos da casa, a Balú e o papai quando chega em casa. Somos só nós.

Tudo é passageiro, não queria que as coisas apressassem seu momento de ser. Agradeço por tudo, só que  às vezes dói um pouquinho. Todo mundo tem seus dias, não é mesmo?

Pois então. Por hoje é só. Só, nos dois sentidos :o)

Vou ali te dar um abraço, que esse sentimento acalma.


Com amor, Mamãe.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um mês intensivo de Rafael

Filho,

Fizeste um mês de vida! Hoje tens, exatamente, um mês e dez dias aqui conosco. Neste tempo que, apesar de relativamente curto, pareceu uma eternidade pela intensidade do que vivemos contigo, já pudemos colecionar uma série de experiências!

Olha só:

Já te fizemos passar frio de madrugada, que, por sua vez, nos fez...

...te fazer passar calor de tão agasalhado, já que descobrimos que estavas com frio na noite anterior;

Já tivemos a horripilante experiência de não saber o que fazer contigo (opa, sentar e chorar foi uma saída) já que choravas sem parar e nada, N A D A te consolava (não era, acredite, nem fome, nem frio, nem calor, nem , nem, nem...)

Já te amamentei dormindo e quando acordei tu estavas dormindo, todo torto no meu colo (perdoa, filho). Fora as cabeçadas na parede que dei (dormindo, viu?) por não aguentar de tanto sono;

Cresceste 5 centímetros nos teus primeiros 30 dias e ganhaste um quilo!

Já não cabes em algumas roupinhas;

Viajaste pela primeira vez! E não terias orgulho nenhum da logística da viagem que te pai e eu organizamos. Acredite, demoramos cindo horas para sair de casa e chegar no destino (a viagem em si dura 1h 30min). O carro, que não é pequeno, lotou absurdamente! Pobre Balú, tua irmã canina, no porta malas, soterrada!!

Já te viras sozinho enquanto dorme (o que nos preocupa e encanta ao mesmo tempo!);

Pegas na nossa roupa e puxas o cabelo da mamãe ( é para chorar ou ficar feliz?);

Falaste teu primeiro "AGU" (tá certo que foi às 5 da madrugada. Mas mamãe se deterreu, viu?);

Teu primeiro sorriso espontâneo! (Mamãe se morde quando passa o dia em volta de ti e, quando papai chega, é para ele que destinas essa cara gordinha com um sorriso sem dentes! - mas fica feliz igual);

Aprendi contigo que, quando tu pegas no sono, NÃO se deve mexer em ti! (ou seja, nada de arrumar travesseirinho, te virar pro outro lado, que, do contrário, rende à mamãe mais horas de embalo e cantigas);

Teus irmãos felinos e tua irmã canina te observam muito e te acompanham pela casa. Balú, nossa cachorrinha, acompanha teu carrinho pela casa!

Filhote,

Acredito que esta primeira etapa, que foi bem difícil para nós, teus pais, trouxe também muitas alegrias, como pudeste ver. Mas, mais que isto, o amor cresceu a cada dia que passou. Quanto mais interages conosco, mais te amamos. Quanto mais aprendemos contigo, te descobrimos, mais nos sentimos confiantes!

E que venham os próximos meses! Nosso gato de Botas!

Com amor, Mamãe.