Eu desejo que se tu leres os registros deste blog um dia, não te identifiques com teus hábitos alimentares aos dez meses de idade. Ou seja, mamãe deseja que tu comas MUITO bem. Mas não precisa ser uma bolinha de tão gordo, tá, filho?
Estás crescendo saudavelmente, és lindo, esperto, inteligente e feliz. Mas teu apetite nos prega algumas peças. Para uma mãe de descendência italiana, onde alimento é sinônimo de afeto, imaginas como fico quando tu cerras a boquinha, viras o rostinho para o lado e não come sequer uma colheradinha da papinha que mamãe faz? Arrasada, filhote, arrasada. E, confesso, internamente irritada. Aí que tudo culminou com a morte de teu avô, a nossa temporada longe de casa, a tristeza da mamãe e...tua perda de peso. Teu pediatra pediu exame de urina (fizeste xixi no saquinho) para descartar infecção urinária, e não era nada clínico. A questão é que perder peso foi novidade. Tiveste um período ganhando pouco peso, mas perder...
Fiz consultoria com outras mães de filhos que também não comem bem. Foste ao pediatra. Li dicas na internet. Comprei papinha pronta, orgânica, para ver se aceitavas outro tempero que não o meu. Pedi à Tia Alice, amiga da mamãe, para que compartilhasse a papinha que dá à tua amiguinha para ver se aceitavas melhor outro modo de preparo. Ou seja, fiz de "um tudo".
Não sei exatamente o que mudou para que tu estejas comendo um pouco melhor, mas as coisas estão mais tranquilas. Sei que bebês como tu tem fases. Simplesmente comem em um dia, em outro menos e assim vamos caminhando. Mas quero compartilhar com outras mães, algumas das dicas que eu aprendi. Básicas ao extremo, mas que me deram um norte no auge do meu desespero. Foram o check list mental que eu fiz para saber se estava errando em algum ponto. Note que são as minhas experiências e reflexões a partir do que vivi contigo. Não há fórmula mágica. E agradeço de antemão a todas as mamães que compartilharam receitas e dicas, de todo coração.
Vamos lá:
- Às vezes é importante lançar mão de "estratégias psicológicas"para tirar o peso da responsabilidade sobre os pais que alimentam o bebê. Quero dizer com isso, que a maior parte das mães que faz a comida do bebê e ela mesmas oferecem, sentem-se pressionadas-culpadas-chateadas-responsáveis pela inapetência do filho. "O que tem de errado com a comidinha que eu faço?". Para isso, vale comprar alimentação alternativa "experimental" para ver se o bebê come. Ou pedir mesmo à outra pessoa que faça a papinha segundo a sua experiência. E, se houver melhor adesão, observar o que tem na papinha que agrada o bebê. São os ingredientes? É a textura? É o tempero?
- Observar qual a consistência da alimentação, especialmente de acordo com a idade do bebê. Quanto maiores vão ficando os bebês, mais "pedaçudas"são as papinhas, e é recomendado que assim o sejam, especialmente para estimular a musculatura responsável pela mastigação. No entanto, observei que tu não gostas muito da sensação dos alimentos maiores na tua boquinha. E ainda, que comidinhas mais secas, não te agradam. Fiz, então, um meio termo: comecei a oferecer alimentação com mais caldo, mais molhada, com pedacinhos um pouco menores. Observei que faz muita diferença.
-Oferecer alimentação da casa para o bebê. É claro que a criança já deve estar maiorzinha. Tentei algumas vezes te oferecer polenta, canja de galinha (com o preparo gaúcho, é claro), feijão preto e aceitaste bem. A diferença esteve em retirar da panela para te oferecer antes de temperar normalmente, pois salgamos muito mais para os adultos do que para ti (o que não é lá muito bom para nós comermos tanto sal, maaaas....)
- Tem coisas que eu não sei fazer direito e não me sinto segura para te oferecer. Para isto, achei ótimo poder comprar comidinha orgânica destes alimentos específicos. Neste sentido, optei por papinhas de fabricação caseira da Empório das Papinhas que continham fígado de boi. Não adianta, detesto o cheiro do fígado. Não gosto de manuseá-lo. Mas sei que é importante. Uma alternativa seria pedir à tua bivó para faze-lo, mas ela está longe. De certa forma é um "luxo" à parte, mas uma vez que outra, tudo bem.
- Variar o cardápio das papinhas. Acredito que toda mãe sente-se mais confiante ao misturar determinados alimentos, porque aprendeu, por trazer da experiência dos seus pais quando com eles moravam, enfim. O que eu percebi é que experimentar receitinhas simples ajuda muito. O que eu fiz foi compartilhar com mães e também observar a composição das papinhas prontas que fizeram sucesso contigo. Desta forma, tive a "receitinha"do que usar, aí fiz eu mesma em casa para ti. Deu certo.
- Observar a temperatura que mais se adequa ao paladar do bebê: ou morna, ou mais fria.
- Observar o horário das refeições. Quando oferecemos alimentação muito perto do horário uma da outra, obviamente não damos tempo para que o apetite esteja aguçado. Para isto, optei por suprimir o leitinho das 10 horas da manhã, para dar tempo de estares com fome ao meio dia. Assim, comes uma fruta com cereal às 9:30 e um suco, e ao meio dia estás com mais fome. Lembrando que isso é bem particular, de criança para criança e de fase para fase.
-Descartar qualquer alteração clínica do estado de saúde do bebê. Segundo teu pediatra, filho, anemia e infecção urinária tem como sintoma a inapetência. Assim como gripes e resfriados ou mesmo nascimento de dentes. Vale consultar o médico para assegurar que não há nenhum comprometimento da saúde física.
- Observar se houve alguma mudança na rotina do bebê no período que circundou a alteração do apetite. Novos eventos e mudanças de rotina influenciam nos hábitos alimentares das crianças. Entrou ou saiu da escolinha? Houve mudança de cuidadores principais (babá, professora, mãe, tia, etc)? Algum evento estressor acometeu a família (morte, nascimento de irmão, viagem dos pais ou cuidadores principais)? e assim por diante. Contigo tivemos a vivência da perda do vovô, como citei anteriormente.
-Procurar dar à papinha o sabor, o tempero característico da sua casa. Aprendi com o teu pediatra que a gente carrega a experiência do paladar da casa da gente, do que comemos do que é preparado em família para sempre. É esse tempero que transmitimos e que, junto com ele, carregamos as referências da nossas origens. Por isso dar papinha industrializada SEMPRE não é lá muito legal (fora o detalhe dos conservantes). Sempre digo que não quero que tu sejas o filho da Nestlé. rs Mas no final de semana, eventualmente, tá liberado.
- Conversar, compartilhar com outras mães, avós, pais que tiveram - ou não - a mesma experiência. Se não resolve, acalma.
- Observei que bebês que mamam no peito tem fases que optam pelo leite da mãe e ponto. Sem recorrer às explicações científicas (pq também não as tenho), é fato. Isso, também, sem levar em consideração o segundo parto que uma mãe vive ao tentar oferecer fórmula infantil (leite em pó) ao rebento. Bebês amamentados no peito, que não são burros nem nada, não curtem muito a alternativa B. Pobres mães com os peitos no chão...
- Sempre que tiver a oportunidade, revezar com alguém a tarefa de oferecer o alimento. Bebês são esponjas e percebem nossa ansiedade, o que influencia na aceitação da refeição. Quantas vezes sentei para te dar papinha tensa, com medo de que não comesses, tentando disfarçar e nada de tu comeres? Aí chegava teu pai, tu abrias a boca e dava tudo certo? (que raaaaaiva!)
- E por último, mas imprescindível em todos os momentos: Paciência. E a crença que um dia vai passar (ou não), mas que é bem possível que seja apenas uma fase.
Como disse, não tem nenhuma grande dica ou solução nestas linhas. Mas foi o caminho que encontrei para me tranquilizar que havia feito de tudo para facilitar que tu comesses melhor. Hoje as coisas estão um pouco melhores, com ressalvas dos dias que me deixas ao léu, com uma colherinha na mão, comendo teus restos já que me ignoras, como mãe que te nutre e te cuida! (choro dramático no plano de fundo)
| Paaaaaaaieeee!Eu quero Mc Donald's!!!!!! |
Com amor,
Mamãe
PS: Isso não faz de mim uma mãe que o filho come mooointo bem. Sendo assim, continuo aceitando sugestões :o)
PS: Isso não faz de mim uma mãe que o filho come mooointo bem. Sendo assim, continuo aceitando sugestões :o)
amiga é fase!!!
ResponderExcluirte passei email com aquela dicas que vc pediu!!
xêros do meu gato lindo
Amiga, toca aqui!
ResponderExcluirDudu comia muito bem quando começou com os sólidos. Depois foi piorando e agora não come. NÃO COME. A colher chega perto da boca, ele balança a cabeça e fala "Não". Mas na escola come maravilhosamente bem. Já mudei o tempero, a papinha, a pessoa, o horário, só falta mudar a mãe e o bebê. HUMPF
Boa sorte com o gato! Bjs e saudades
Essas dicas são interessantes, mas realmente a maior de todas é ter paciência,... Tem dias que eles não comem nada, pra nosso desespero...
ResponderExcluire tem outros dias que eles acabam comendo e nós ficamos nas nuvens, Rafael é um fofo, bjks!!!
Os meus não deram trabalho para comer, principalmente o Bruno. Mas qualquer alteração na rotina dele, e não foi pouca no seu caso, pode ter favorecido. É ter paciência mesmo e ser otimista, criativa. Conta comigo naquilo que eu puder te ajudar. bj
ResponderExcluirTamo junto amiga!!
ResponderExcluirAqui a luta é e-x-a-t-a-m-e-n-t-e a mesma, inclusive com o leite em pó, você bem sabe!
Boa sorte pra nós, vamos trocando figurinhas e torcer, uma hora esses bebês comem!!
Beijos em vc e no Gato, saudades
Não acredito q enfim eu encontrei alguem q passa pelo mesmo problema q eu!!!!! Já tava imaginando q eu era única nessa terra de meu deus! Muitas das tuas dicas eu já faço, mas tem outras diferentes, vou colocar em prática pra ver o resultado!
ResponderExcluirO problema maior é que Gabriel nem quer provar!!!!! To com um post pela metade sobre isso, pq só de falar no assunto me bate um desânimo...
Já te falei que amo a forma como você escreve? É sempre muito poético e dá gosto de ler. Ao contrário da forma como eu escrevo que é mais informal, mas sempre que venho aqui fico maravilhada com suas palavras. Acredito que esteja certíssima, está preocupada com a qualidade do alimento que oferece ao gato e com a forma como oferece, tenho certeza que aos poucos ele irá bater um pratão de macarrão como um bom descendente de italiano! (não é lá muito saudável mas com tomate de verdade e manjericão fica bom demais!!!)
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