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domingo, 1 de maio de 2011

Adeus, Vovô Gato...

Filho,

Hoje faz uma semana que teu vovô nos deixou. Faz 7 dias que ele não está mais aqui conosco.

Teu vovô tinha um montão de problemas de saúde. E era muito teimoso. Decidiu viver a vida do jeito que ele queria - e ainda dizia: "prefiro viver a vida do jeito que eu quero e viver menos tempo do que viver muito me privando das coisas". E assim o fez. Diabético, teu vô não ouvia ninguém quando o assunto eram suas paixões: Pistache, Bubaloo, Eskibom, sorvete com nozes, Mentex, um bom vinho, uma boa comida. Festeiro como só ele, foi muito boêmio. Adorava reunir os amigos e sempre havia muita bebida e muita comida. Ao mesmo tempo que era muito bem quisto, era tímido, mas quem o conquistasse tinha seu lado generoso ao seu dispor. Amava ver a sua família reunida. Cresci ouvindo que nosso bem maior é a família. Ele inventava pretextos para ter todo mundo reunido: um almoço, um bom churrasco, um jantar...

Tenho lembranças maravilhosas e muito saudáveis da minha infância. Talvez seja aí que a falta dele me dói tanto, pois este pai brincalhão, crianceiro, não te verá crescer. Sempre gostou das crianças já numa fase maior, quando começam a falar e interagir com os adultos, de forma que ele pudesse dar e receber algo em troca. Na fase que o conheceste, ainda bebê, com pouco jeito te pegou no colo e se orgulhou do quanto eras parecido com ele. Olhava para ti e dizia: "engraçadinho, ele!" Era seu jeito de lidar com a tua fragilidade de gente pequena.

Meu pai, teu avô, brincava comigo e com minha sobrinha mais velha (temos 5 anos de diferença e crescemos juntas) articulando jogos, adivinhações e o que mais desse na telha. Amavamos viajar com ele, pois passavamos o trajeto todo em gincana. O maior barato! Ganhavamos dinheiro para ir às festas típicas aqui do RS: Oktoberfest, Festa da Uva, do Feijão, do que fosse. Aí nos divertíamos escolhendo os presentes para levar para casa. Tenho doces lembranças desta época.

Ele era um homem tão forte, tão decidido, tão voluntarioso, que teve épocas que eu tinha medo dele. Sua era voz imponente, quando gritava, me dava calafrio na espinha. Morria de medo quando ele fechava o semblante e levantava a voz... Mas o medo se transformou em respeito. Teu avô sempre foi um homem muito justo, muito correto, empreendedor, e brincavamos que tudo que ele tocava virava ouro - era um visionário. Admiro teu avô por traçar metas e seguir em frente, sem medo do que encontraria pelo caminho. Tão destemido e determinado que chegava a ser inflexível, genioso, turrão. Por dentro um homem carente, muito sensível.

Por isto tudo que eu carrego dentro de mim em relação ao que ele me deixou como exemplo para a vida, meu filho, eu desejo que herdes o que ele tinha de bom. Ainda vou te contar muitas histórias, muitas passagens dele para que tenhas dentro de ti um pouquinho do que ele foi para todos nós. E desejo que o legado de vida que ele deixou germine o teu coração de homem bom, honesto e generoso.

Como tu ainda és muito pequeno, não tens dimensão do que estamos vivendo. Mas eu sei que sentes estas mudanças todas. Não estamos na nossa casa, tu sentes a tristeza no olhar da mamãe e capta toda densidade do humor de todos nós. És uma pequena esponja e sentes tudo. Queria te poupar disto tudo, mas como bem falou teu papai, isso tudo faz parte da história da tua vida.

Sofro muito pelo vazio que teu vovô deixou. Pela poltrona vazia em que ele via TV, pelo silêncio, pelas roupas, pelas coisas dele que ficaram e que carregam muitas memórias. Temo por esquecer seu cheiro, sua voz, seu sorriso...Mas hoje consegui lembrar dele sorrindo, e é um grande passo.

Agradeço a Deus por tu o conheceres, mesmo que a convivência de vocês tenha sido breve. Para mim foi uma oportunidade especial poder te apresentar, meu filho, ao meu pai.

E ele vai, com toda certeza, nos acompanhar lá do céu. A minha estrela mais brilhante e iluminada tem um nome, e responde por Paulo Cesar.

Fica com Deus, Vovô Gato. A gente sempre vai te amar e te carregar com a gente, aonde quer que a vida nos leve e aconteça o que acontecer.

Com muito amor, saudade e pesar,

Mamãe.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Visitando a Família da Mamãe

Filho,

Neste feriadão, 12 de outubro, fomos ao Rio Grande do Sul visitar a família da mamãe. No teu nascimento, filho, vovó, titia e bivó vieram te conhecer. No entanto a família extensa não pode vir, e nem o vovô conheceste! Demos um jeitinho de ir antes que terminasse o ano, apesar do anseio de mamãe em viajar contigo de avião. Mas foi lendo estas dicas sobre viagem com pequenos e motivada pela saudade enorme da família que resolvemos ir logo.

Sobre a viagem em si:

Foste um lord, tanto no aeroporto como no avião. E também na viagem de carro até a cidade que vovô mora, que fica a 1h e meia de Porto Alegre. Mesmo com o atraso do vôo, ficaste bem tranquilo, dormindo no colo da mamãe. No avião, atentamos para a dica da tua Titia Sônia para oferecer a chupeta na decolagem, para diminuir o desconforto da pressão devido à altitude (ponto para a chupeta). Poderia oferecer o peito, mas achei mais pratico dar o bico, especialmente porque estava ansiosa com a viagem. Tu dormiste quase todo o trajeto!

Ficamos quatro dias com a família da mamãe!

Coisas especiais que marcaram a tua primeira ida à Terra da Mamãe:

Ver a alegria da tua vovó te dando banho, e tua bivó acompanhando,


Te apresentar para a família toda e perceber a emoção nos olhos das tuas tias, primas e avós,


Reunir 4 gerações da família,


Reunir todo mundo,


Comer um legítimo café colonial (engordar MAIS uns quilinhos, sabe?)


Poder ver se realizar a tradicional bênção em casa, feita pela Tia Paula,


Receber carinho de quem mamãe viu nascer,


E de quem criou e cuidou da mamãe,


Realizar o sonho de levar o filho para seus pais,


Poder agradecer mais uma vez por tudo,



Poder brincar,


E ter a certeza maior do mundo que concebeu o elo entre os maiores amores do mundo!


Hoje o coração está cheio de alegria pelos momentos vividos, mas também um pouco sensível pela tristeza da distância que separa tanta gente que nos ama, filho. Voltar para a rotina de nossas vidas, nesta São Paulo tão fria, tão solitária, dá um aperto no coração. 

Senti como é bom poder compartilhar as tuas conquistas, o teu jeito, a nossa rotina. Pude experimentar o que é ter uma rede de apoio que auxilia nas atividades mais básicas do dia-a-dia: ter quem te cuide enquanto tomo um banho, tomo um café, saio por alguns minutos - e se sentir segura em todo momento, pois estás bem assistido! Como faz falta a família por perto! Como é bom ter uma avó que, enquanto te cuida, te ama! Difícil voltar para a realidade da insuficiência de apoio. Mas estamos juntos - e isso é o que importa.

Na ansiedade para o Natal, que reunirá todo mundo novamente, vamos rememorando tão bons momentos, tão cheios de amor! Família briga, se desentende, mas sempre ampara! Ter voltado para casa contigo no colo, filho, teve um novo sentido, todo especial: poder sentir o que é ser filha e mãe!


Um detalhe especial: voltaste "falando" muito! Diálogos inteiros de buááá, áááá, aguuuu!! Uma alegria sem fim.

E minha gratidão eterna por tudo isto.

Com amor, Mamãe.