Filho,
Como tu já deves ter sentido, embora não compreendas ainda, nossa rotina mudou muito. Mamãe não te leva mais para a escola, quando acordas me vês só para mamar, e pelo menos assim foi nossa primeira semana de adaptação à volta ao trabalho da mamãe. Já tínhamos nos acostumado aos momentos que eu ia atender no consultório, mas agora mamãe tem um novo compromisso, e este, com períodos mais longos fora de casa.
Com o tempo tu vais perceber que algumas oportunidades nós não podemos deixar passar. E eu desejo que tu saibas exatamente o que é sentir paixão por algo que tu faças. Assim, algumas decisões tem um peso grande e um preço alto, mas que vale a pena tentar. De alguma forma, estou procurando ser coerente com aquilo que acredito, treinando desde cedo os exemplos que eu quero te dar. Acima de tudo, quero ser uma referência saudável, consistente para ti.
Penso que eu seria uma pessoa muito amarga e uma mãe cobrativa caso eu abandonasse meus sonhos para viver só para ti. Especialmente por que eu sei que não é raro o sentimento de abandono que muitas mães sentem quando os filhos decidem seguir o rumo de suas vidas bem longe de suas mães. Se não verbalizam, muitas delas sentem-se perdidas quando os filhos abandonam o ninho. E agora, vou cuidar de quem?
Isso não me isenta de uma avalanche de outros sentimentos que me invadem por conta desta ausência maior no teu tempo. Ontem saí de casa com a sensação de que estava perdendo a tua infância, de que estavas crescendo longe dos meus olhos. Aí, quando cheguei à tardinha e fui te encontrar com teu pai no parquinho, e vieste sorrindo em minha direção,estendendo os bracinhos, eu senti que tudo estava bem.
Tenho a sorte do mundo por ter te dado um pai de ouro. Um pai brilhante, incrível, que se desdobra em mil para equilibrar a responsabilidade com tua rotina e bem estar. Mas como sentimento é algo irracional, confesso que senti uma pontinha (pontão, admito) de ciúmes por imaginar que alguém, neste universo, saberia mais de ti do que eu. A sorte é que existe terapia e mamãe vai cuidar disto direitinho.
O fato é que não é fácil virar páginas, aceitar algumas mudanças, fazer escolhas. Tudo nesta vida tem dois lados.
O que eu desejo, de todo meu coração, é ter sabedoria para dosar a energia investida no trabalho para que nunca te falte. Se bem que, só em uma semana de trabalho, consegui sentir como as prioridades mudaram. Nada no mundo me fará ficar ausente dos teus cuidados. Ninguém será mais prioridade que tu.
Com o tempo a rotina encaixa e a gente aprende a equilibrar o tempo e a qualidade destes momentos. Afinal, tudo nesta vida também tem a sua hora de acontecer.
E tu me dás, todos os dias, sinais de que está tudo bem. E que nosso amor um pelo outro é forte como rocha!
Em tudo o que faço nesta vida eu te carrego comigo. Por ti busco ser melhor, por que desejo ser feliz para te fazer também feliz!
Te amo muito, meu pequeno. E que o dia passe logo pra gente brincar juntos e se curtir um montão!
Com todo amor deste mundo,
Mamãe.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Festa 1º aninho do Gato!
Se mamãe deixasse passar mais tempo, viria comentar a tua festa de 2 aninhos! Mas aqui estou e vim deixar registrado como foi fazer esta festinha para ti.
Primeiro, vale dizer que eu e teu pai sonhamos uma festa personalizada, em que pudéssemos imprimir nos detalhes o carinho que sentimos por ti, para que quando crescesses, visse nas fotos todo este amor. Mas queríamos que fosse algo bem caseiro, familiar. Para isto, decidimos que seria no salão de festas do nosso condomínio. Este é bem amplo, iluminado, cheio de possibilidades para a decoração.
Mas aí, qual seria o tema? Foi unânime
Como és nosso príncipe, assim decidimos: seria a festa do Príncipe Gato. Partindo daí, mamãe desenhou a próprio punho o gato que seeeeempre fez ao longo da vida:
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| Mamãe artista |
Um grande achado foi a Raquel Machado (rimou!). Ela captou a ideia do que eu queria e transformou em uma arte linda, linda. Sem falar na paciência que ela teve comigo. O trabalho dela fez brilhar meus olhos e aí pensei: vou fazer a festa dos meus sonhos para ti, filho.
Busquei muitas inspirações na internet. As principais, diretas da fonte, foram: Festa do Vinícius,da Ana Medeiros . Ela fez a festa do Vinico, filhote dela, no Jardim Botânico, no Rio. A festa ficou um arraso, eu me esbaldei olhando cada detalhe.
No entanto, queria dar um tom ainda mais leve pra tua festa. Foi aí que eu enlouqueci com esta referência, americana, da Style me gorgeous . Filho do céu, quando olhei este site, eu pirei (veja bem o quanto mamãe surtou ao longo do planejamento da sua festa).
Tia Alice , enquanto planejava a festinha da tua amiguinha Anik, ia dando sugestões poderosíssimas para tua festa. Ela foi uma grande companheira! E sua ajuda, essencial. Ela deu a dica de que fizéssemos o Inspiration Board da tua festa, juntando o que gostávamos de tudo que víamos para criar o conceito da festa. Foi juntando essa pesquisa toda que mamãe pode dar a ideia do que queria para Raquel, e ela, por sua vez, montou a identidade visual da tua festa. Vê se não ficou fofo!
Aí que surgiu a dúvida: pensando em custo/benefício, quem executa a decoração da festa? Foi então que, aliado ao desejo de que tudo ficasse como mamãe queria, decidi eu mesma montar a decoração. Raquel fez a arte, mamãe imprimiu, recortou, colou (re-imprimiu mil vezes, jogou metade fora - por conta de tamanho errado, etc; re-recortou mais mil vezes e re-recolou outras tantas). É certo que pagamos a mais do valor real da festa por conta de nossa inexperiência. Não tínhamos noção de tonalidades de cor para as impressões, de tamanho das tags para os docinhos, nem como configurar a impressora. No final das contas, valeu a experiência - e o gostinho de fazer tudo.
Outro capítulo foi achar os fornecedores: o que serviríamos para comer (prato principal, docinhos, bolo...), que bebidas ofereceríamos, o que teria para os bebês e crianças brincarem, etc.
Decidimos por contratar uma empresa que faz crepes. Muito boa, por sinal, adoramos e recebeu muito elogios. Fui atrás da dica da própria Raquel, que contratou-os para o aniversário da sua filhinha. Valeu.
O atendimento pré vendas é meio confuso, algumas informações foram desencontradas, mas o resultado final é muito bom. Um ponto negativo é que eles não tem degustação, aí temos somente o recurso da recomendação de outro cliente. Mas nós recomendamos também. Chama Le Crepe . Espia só como ficou a montagem da mesa deles:
Quanto às bebidas alcoólicas, decidimos por oferecer somente cerveja. Fizemos uma busca por distribuidores e o mais em conta era que comprássemos no supermercado. Optamos pela latinha de 290 ml, pois sabemos de bebuns que somos que muito se perde ao servir lata maior: esquenta e vai fora. Assim, uma lata serve um copo e está ótimo. Nada se perdeu. Para 80 convidados, compramos seis fardos de cerveja. Deu na medida! Compramos também suco para os bebês.
Contratamos a Festa do Bebê para fornecer os cantinhos de entretenimento para bebês e crianças maiores. Adorei e recomendo. Cada cantinho vem com uma monitora, e elas são muito atenciosas com as crianças. Olha só como ficou:
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| Olha os balões de gás hélio! |
Como tu AMAS piscina de bolinhas, tua vovó fez questão de contratar. Chamamos a Catatau brinquedos. Tu te esbaldaste de tanto brincar!
Quanto aos doces, contratamos a Cakes and Sweets. Foi indicação da Raquel também. Escolha acertadíssima!! Fizeram os docinhos,
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| Docinhos de patinhas! |
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| Olha estas coroas, que luxo! |
...os pirulitos de chocolate...
... e os cupcakes!
Para a mesa das guloseimas, mamãe comprou os doces, e procurou apetrechos para servi-los. Ficou assim:
Quanto à identidade visual, foram vários os ítens encomendados. Um exemplo é o rótulo para água (a garrafinha compramos no supermercado):
Em relação às lembrancinhas, optei por fazer uma para os adultos e uma para as crianças. A dos adultos foi um pacotinho de bolachinhas em formato de coroa...
...que estavam dentro destas caixinhas:
Já as lembrancinhas para as crianças foi este príncipe gato de feltro, feito pela tua Titia Sônia, que é uma artesã de mão cheia. O que a gente imagina ela faz!Um sonho! Olha só como ficou:
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| Aí foi comprar a caixinha,fazer a tag com agradecimento e colocar celofane! |
Mas não paramos com as encomendas com a tia Sônia. Quase a matamos no cansaço! Mas ela é muito amorosa e tem muita paciência! Aí ela fez um super gato pra sinalizar as lembrancinhas (na verdade é a tua minha recordação da festa!
Teve também um íma de geladeira que teu padrinho fez:
Mamãe encomendou um quadro de retrospectiva para ti, com a fotógrafa da família (fotografa a gente desde o casamento!), a Fernanda. Olha que lindo ficou o quadro!
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| Este lindo quadro está na nossa casa, registrando teu primeiro ano de vida! |
E é claro, esta coroa, por que principe que é Príncipe, tem coroa:
Ainda temos a vela do teu bolo, feita pela tia Sônia (não é uma TUDo, essa tua tia?) e o próprio bolo, feito pela Tia Cláudia. Foste agraciado com tias muito talentosas, filho! Mamãe escolheu o sabor e a decoração do bolo e ela fez. Queria um bolo saboroso e à moda antiga, sem pasta americana.
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| Bolo de brigadeiro! |
Tu estás lembrado do que mamãe já contou aqui sobre o episódio em que tentou fazer as papinhas da tua festa? Pois então, mamãe disfarçou e foi lá comprar papinha de frutas. Decorei com tecido, fitinha e rótulo personalizado. Também prendi as colherinhas com fitinha de tecido.
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| A parte de cima... |
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| ...e a da frente! |
Olha como ficou no arranjo da mesa:
Os chapeuzinhos da festa também ficaram personalizados:
Lembra que te falei nas toalhas? Primeiro compramos 09 metros de tecido. No entanto, tivemos que comprar novamente mais 09 metros. Por que fizemos o cálculo errado e também por que cortamos errado. Isso mesmo, ficou grande demais na mesa e era para ser apenas uma passadeira, para dar um toque. Aí cortamos, até chegar a ficar assim, como na foto. No entanto, nossos dedos ficaram destruídos!A tesoura que tínhamos, a zigue-zague, é MUITO dura! Fizemos um revezamento em casa. Mas deu certo apesar dos calos.
Para o centro das mesas dos convidados, escolhi cachepôs de latinha colorida e violetas no tom da festa. Aí colei a tag e voilá!
É claro que levamos a nossa TV para passar os vídeos que tu e teus amiguinhos adoram, como a Dona Galinha Pintadinha. Em um momento da festa, teu pai passou a retrospectiva que ele fez. Fomos às lágrimas! Tão emocionante, filho...
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| Dona Galinha |
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| A linda homenagem que teu pai te fez! |
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| Simples, mas com muito amor! |
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| Detalhe das bandeirolas da mesa com teu nome |
Filhote, desejo, do fundo do coração, que o dia que olhares estas fotos e estas descrições, que tenhas a dimensão do que tu és para a gente. E o quanto foi especial sonhar, planejar e executar a tua festinha! Por ti, faríamos mil vezes!!!
E que venham muitos e muitos anos! Com todo amor do mundo,
Mamãe.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Deixa chorar!
Filho,
Não foram poucas as vezes que eu ouvi "deixa chorar" quando alguma criança estava aos prantos. E muitas destas vezes, a criança em questão eras tu.
Hoje, mais segura quanto à forma como manejo situações de crise contigo, posso dizer tranquilamente:
Não é bem assim. Depende de inúmeros fatores, e a maior parte deles é subjetivo. Ou seja, cada mulher dirá qual o seu limite para tolerar ou o seu poder naquele momento para administrar o choro de seu filho.
E isto só sendo mãe para compreender.
Vou me explicar. Tomemos o exemplo de uma mãe recém parida, depois de vivenciadas todas as angústias, incertezas e influências familiares, hospitalares ou sociais. Diga a ela "deixe chorar"o pequeno filho! É bem possível que, se estiver muito fragilizada pelas circustâncias do parto, ela não tenha sequer condições de se posicionar.
Mas a grande verdade é que a maior parte das mulheres não se sente preparada para tolerar o choro do filho. De alguma forma nós, mulheres, somos agraciadas, na nossa genética, com todo um aparato que não nos permite deixar um bebê chorar à exaustão. Faz parte da química que protege a nossa espécie, permitindo que seus descendentes não sucumbam. Por isso o choro tem um papel de proteção, por isso o choro faz com que a mulher tenha o reflexo de querer saná-lo.
Existem inúmeras fórmulas didáticas, educativas que incentivam o "deixar chorar", seja para dormir, para administrar e ensinar limites, frustrações, preparar a criança para o mundo. Não questiono a validade e a importância de alguns destes pressupostos.
O que chamo atenção é para o quanto estamos atento às dificuldades de cada mãe, de cada pai, relativas ao momento de cada um para tolerar o choro da sua cria. Chamo atenção, de forma bem simples, para a compreensão do quanto isto demanda da mulher (e do homem) bastante equilíbrio, que muitas vezes não combina com as noites insones, a falta de suporte familiar, profissional que a mulher muitas vezes enfrenta junto com a maternidade, em períodos bastante sensíveis da sua história.
Acredito que frustrar, ensinar os limites, educar, é necessário e pilar da estruturação da personalidade dos filhos. Mas que não adianta impor à mulher, mais especificamente, que tolere as crises de birra, ou o choro sem motivo, ou mesmo por um motivo importante, se ela não está preparada para tal. É necessário apoio, orientação e muita, muita paciência - para com a mulher e com a criança.
Saio em defesa especialmente por que sei como esta tarefa é difícil e do quanto demanda. Jamais negligenciando o que deve ser feito, mas sim chamando a atenção para o quanto o apoio e conforto fazem a diferença inclusive para o sucesso da educação dos filhos. Pais que divergem quanto às decisões, quanto aos posicionamentos, especialmente quando o filho presencia tais estranhamentos, fragilizam o reconhecimento da "lei e da ordem" na própria educação. É exatamente quando o filho manipula os pais para atingir seus objetivos, especialmente por que sabe quais são as brechas entre o que o pai e a mãe pensam, e buscam por isso.
Assim, da próxima vez que me disserem "deixa chorar".......
( vinte minutos de silêncio, por favor, pelo que eu iria dizer e me calo, por consideração aos poucos, mas distintos leitores deste blog!)
Mas, ó, filho... Nada de achar que pode fazer escandalinho onde quer que seja! Salvos alguns momentos, dos quais falei acima, vai sentar no chão e chorar mesmo! Dói no coração da tua mãe, mas fazer o quê?
Por fim, agora entendo cada letra da expressão "ser mãe é padecer no paraíso". E isto que a parte mais difícil nem chegou! Ainda bem que faltam muitos anos para tua adolescência. :o)
Não foram poucas as vezes que eu ouvi "deixa chorar" quando alguma criança estava aos prantos. E muitas destas vezes, a criança em questão eras tu.
Hoje, mais segura quanto à forma como manejo situações de crise contigo, posso dizer tranquilamente:
Não é bem assim. Depende de inúmeros fatores, e a maior parte deles é subjetivo. Ou seja, cada mulher dirá qual o seu limite para tolerar ou o seu poder naquele momento para administrar o choro de seu filho.
E isto só sendo mãe para compreender.
Vou me explicar. Tomemos o exemplo de uma mãe recém parida, depois de vivenciadas todas as angústias, incertezas e influências familiares, hospitalares ou sociais. Diga a ela "deixe chorar"o pequeno filho! É bem possível que, se estiver muito fragilizada pelas circustâncias do parto, ela não tenha sequer condições de se posicionar.
Mas a grande verdade é que a maior parte das mulheres não se sente preparada para tolerar o choro do filho. De alguma forma nós, mulheres, somos agraciadas, na nossa genética, com todo um aparato que não nos permite deixar um bebê chorar à exaustão. Faz parte da química que protege a nossa espécie, permitindo que seus descendentes não sucumbam. Por isso o choro tem um papel de proteção, por isso o choro faz com que a mulher tenha o reflexo de querer saná-lo.
Existem inúmeras fórmulas didáticas, educativas que incentivam o "deixar chorar", seja para dormir, para administrar e ensinar limites, frustrações, preparar a criança para o mundo. Não questiono a validade e a importância de alguns destes pressupostos.
O que chamo atenção é para o quanto estamos atento às dificuldades de cada mãe, de cada pai, relativas ao momento de cada um para tolerar o choro da sua cria. Chamo atenção, de forma bem simples, para a compreensão do quanto isto demanda da mulher (e do homem) bastante equilíbrio, que muitas vezes não combina com as noites insones, a falta de suporte familiar, profissional que a mulher muitas vezes enfrenta junto com a maternidade, em períodos bastante sensíveis da sua história.
Acredito que frustrar, ensinar os limites, educar, é necessário e pilar da estruturação da personalidade dos filhos. Mas que não adianta impor à mulher, mais especificamente, que tolere as crises de birra, ou o choro sem motivo, ou mesmo por um motivo importante, se ela não está preparada para tal. É necessário apoio, orientação e muita, muita paciência - para com a mulher e com a criança.
Saio em defesa especialmente por que sei como esta tarefa é difícil e do quanto demanda. Jamais negligenciando o que deve ser feito, mas sim chamando a atenção para o quanto o apoio e conforto fazem a diferença inclusive para o sucesso da educação dos filhos. Pais que divergem quanto às decisões, quanto aos posicionamentos, especialmente quando o filho presencia tais estranhamentos, fragilizam o reconhecimento da "lei e da ordem" na própria educação. É exatamente quando o filho manipula os pais para atingir seus objetivos, especialmente por que sabe quais são as brechas entre o que o pai e a mãe pensam, e buscam por isso.
Assim, da próxima vez que me disserem "deixa chorar".......
( vinte minutos de silêncio, por favor, pelo que eu iria dizer e me calo, por consideração aos poucos, mas distintos leitores deste blog!)
Mas, ó, filho... Nada de achar que pode fazer escandalinho onde quer que seja! Salvos alguns momentos, dos quais falei acima, vai sentar no chão e chorar mesmo! Dói no coração da tua mãe, mas fazer o quê?
Por fim, agora entendo cada letra da expressão "ser mãe é padecer no paraíso". E isto que a parte mais difícil nem chegou! Ainda bem que faltam muitos anos para tua adolescência. :o)
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| Quando estás sorrindo é fácil, mas quando chora.... |
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Ligiane
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
365 dias de miados e aprendizados!
Filhote,
Um ano!Trezentos e sessenta e cinco dias de vida!Estás praticamente um adulto jovem!
Não sei se o tempo passou rápido. Às vezes sinto que sim, às vezes não. Dizem para eu te aproveitar ao máximo, porque o tempo voa. Me pego pensando se de fato te aproveito. Me cobro porque às vezes fico olhando no celular enquanto te acompanho brincar. Te dou atenção genuína? - me pergunto. Mas, no final das contas, sei que te curto e que estou contigo de verdade. O cansaço, a exaustão de quem cuida de um bebê é natural, e acredito que seja normal a gente não estar com o sorriso no rosto falando mamanhês o tempo todo.
O que tenho a registrar antes das fotos e detalhes da tua linda festa, é o que aprendi neste 1 ano.
Que de fato a gente começa muito exigente com limpeza, tanto das pessoas que entram em contato com bebês pequenos como dos ambientes. E que, com o tempo, a gente relaxa, na medida mais adequada, e se dá conta que micróbios não matam e ainda fortalecem.
Que desenvolvemos um dispositivo que nos capacita a decidir, por nós mesmas, o que é melhor para vocês. Antes de vocês nascerem e bem no início de suas vidas, precisamos vigorosamente de opinião, de um caminho, de esclarecimento para então tomarmos as decisões por vocês. Com o tempo, somos capazes de absorver a informação e digeri-la conforme nossos pressupostos pessoais. Isso é mágico. Este é o empodeiramento materno de verdade.
Que tomamos decisões com um peso incomensurável por vocês, filhos, antes que vocês possam tomá-las por si mesmos. Decidimos os rituias de sua possível religião, decidimos nossos representantes ao escolhermos seus padrinhos, marcamos também algumas possibilidades para seus futuros quando optamos por fazer previdência, plano de saúde. Escolhemos suas escolas, seus amigos e até suas roupas.
E aprendi que não temos como acertar em tudo. Mas que esperamos que compreendam nossas escolhas, uma vez que serão, todas, feitas pensando no seu melhor - ou naquilo que acreditamos ser este melhor.
Que lavamos cada roupa tua à mão, esterilizando tanque, com lava-roupas especial. Hoje, dá-lhe máquina de lavar. Ou seja, que o tempo seleciona o cuidado viável dentro daquilo que é realmente essencial.
Que a gente paga pela boca quando se vê repetir as mesmas frases que nossos pais, e, além disso, compreende cada uma delas, especialmente esta: quando você tiver filhos, vai entender. Sabe por quê? Por que entendi que a maternidade/paternidade é uma experiência única, e que nem por identificação você compreende o que ela é. Você pode sentir empatia, mas compreender, só vivendo na pele.
Aprendi que o lençol de cima não serve para nada, por mais bordado e lindo que ele seja. E que eu lembro de ter achado isso uma baboseira imensa (assim como a chupeta, balançar para dormir, entre outras).
Entendi de verdade que brinquedo é legal, mas é mais para os pais que para os bebês, já que caixas, tubos, frascos de verdade são muito mais interessantes para vocês. E que, mesmo assim, compra (pra gente ficar) feliz da vida.
Aprendi o desespero da mãe que o filho não come, do que adoece, de quando não pode estar presente. Ainda, compreendi que existe uma outra chavinha que vira quando somos pais e passamos a nos emocionar com partos, crianças e suas respectivas conquistas e angústias.
Entendi o papel da escola mesmo desde muito cedo. E aprendi que mãe demais intoxica e que de menos prejudica.
Que o medo de perder alguém se torna ainda mais aterrorizante, angustiante, quando temos filhos. Que existem horas que é verdade: queremos empurrá-los para dentro da gente para protege-los. Ao mesmo tempo, nos tornamos agigantados, imensos quando se trata de defende-los. É como se ativássemos um botão dentro da gente que nos tornasse um Transformer daqueles super ultra imensos e cheios de poderes, saca? (falou a velha mãe aqui... Eu sei que tu nem sonhas do que se trata, mas um dia também explico isso. Pior seria eu dizer que me tornaria um Ben 10).
E que, mais do que todas estas linhas (por que eu sou prolixa mesmo e escrevo pra car...amba), tem coisas que a gente nao consegue traduzir em palavras e só resta sentir. E que sempre cabe mais amor dentro do peito, que transborda, que contagia, que é imenso na sua mais ampla concepção.
E, ó, filho... O mais incrível de tudo é que eu me enquadro na regra universal que diz que, para as mães, os seus filhos são os mais lindos, mais precoces, mais espertos e inteligentes do mundo (mas e tu és mesmo, viu, Filho?)
Que o mundo te acolha sempre com muita alegria e gentileza! E quando não for assim, estarei aqui com meus braços bem abertos para te aconchegar!
Te amo além do infinito, onde os gatos pulam muros no horizonte do cerrado mais distante!
Um ano!Trezentos e sessenta e cinco dias de vida!Estás praticamente um adulto jovem!
Não sei se o tempo passou rápido. Às vezes sinto que sim, às vezes não. Dizem para eu te aproveitar ao máximo, porque o tempo voa. Me pego pensando se de fato te aproveito. Me cobro porque às vezes fico olhando no celular enquanto te acompanho brincar. Te dou atenção genuína? - me pergunto. Mas, no final das contas, sei que te curto e que estou contigo de verdade. O cansaço, a exaustão de quem cuida de um bebê é natural, e acredito que seja normal a gente não estar com o sorriso no rosto falando mamanhês o tempo todo.
O que tenho a registrar antes das fotos e detalhes da tua linda festa, é o que aprendi neste 1 ano.
Que de fato a gente começa muito exigente com limpeza, tanto das pessoas que entram em contato com bebês pequenos como dos ambientes. E que, com o tempo, a gente relaxa, na medida mais adequada, e se dá conta que micróbios não matam e ainda fortalecem.
Que desenvolvemos um dispositivo que nos capacita a decidir, por nós mesmas, o que é melhor para vocês. Antes de vocês nascerem e bem no início de suas vidas, precisamos vigorosamente de opinião, de um caminho, de esclarecimento para então tomarmos as decisões por vocês. Com o tempo, somos capazes de absorver a informação e digeri-la conforme nossos pressupostos pessoais. Isso é mágico. Este é o empodeiramento materno de verdade.
Que tomamos decisões com um peso incomensurável por vocês, filhos, antes que vocês possam tomá-las por si mesmos. Decidimos os rituias de sua possível religião, decidimos nossos representantes ao escolhermos seus padrinhos, marcamos também algumas possibilidades para seus futuros quando optamos por fazer previdência, plano de saúde. Escolhemos suas escolas, seus amigos e até suas roupas.
E aprendi que não temos como acertar em tudo. Mas que esperamos que compreendam nossas escolhas, uma vez que serão, todas, feitas pensando no seu melhor - ou naquilo que acreditamos ser este melhor.
Que lavamos cada roupa tua à mão, esterilizando tanque, com lava-roupas especial. Hoje, dá-lhe máquina de lavar. Ou seja, que o tempo seleciona o cuidado viável dentro daquilo que é realmente essencial.
Que a gente paga pela boca quando se vê repetir as mesmas frases que nossos pais, e, além disso, compreende cada uma delas, especialmente esta: quando você tiver filhos, vai entender. Sabe por quê? Por que entendi que a maternidade/paternidade é uma experiência única, e que nem por identificação você compreende o que ela é. Você pode sentir empatia, mas compreender, só vivendo na pele.
Aprendi que o lençol de cima não serve para nada, por mais bordado e lindo que ele seja. E que eu lembro de ter achado isso uma baboseira imensa (assim como a chupeta, balançar para dormir, entre outras).
Entendi de verdade que brinquedo é legal, mas é mais para os pais que para os bebês, já que caixas, tubos, frascos de verdade são muito mais interessantes para vocês. E que, mesmo assim, compra (pra gente ficar) feliz da vida.
Aprendi o desespero da mãe que o filho não come, do que adoece, de quando não pode estar presente. Ainda, compreendi que existe uma outra chavinha que vira quando somos pais e passamos a nos emocionar com partos, crianças e suas respectivas conquistas e angústias.
Entendi o papel da escola mesmo desde muito cedo. E aprendi que mãe demais intoxica e que de menos prejudica.
Que o medo de perder alguém se torna ainda mais aterrorizante, angustiante, quando temos filhos. Que existem horas que é verdade: queremos empurrá-los para dentro da gente para protege-los. Ao mesmo tempo, nos tornamos agigantados, imensos quando se trata de defende-los. É como se ativássemos um botão dentro da gente que nos tornasse um Transformer daqueles super ultra imensos e cheios de poderes, saca? (falou a velha mãe aqui... Eu sei que tu nem sonhas do que se trata, mas um dia também explico isso. Pior seria eu dizer que me tornaria um Ben 10).
E que, mais do que todas estas linhas (por que eu sou prolixa mesmo e escrevo pra car...amba), tem coisas que a gente nao consegue traduzir em palavras e só resta sentir. E que sempre cabe mais amor dentro do peito, que transborda, que contagia, que é imenso na sua mais ampla concepção.
E, ó, filho... O mais incrível de tudo é que eu me enquadro na regra universal que diz que, para as mães, os seus filhos são os mais lindos, mais precoces, mais espertos e inteligentes do mundo (mas e tu és mesmo, viu, Filho?)
Que o mundo te acolha sempre com muita alegria e gentileza! E quando não for assim, estarei aqui com meus braços bem abertos para te aconchegar!
Te amo além do infinito, onde os gatos pulam muros no horizonte do cerrado mais distante!
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Ligiane
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terça-feira, 19 de julho de 2011
Mamãe incendiária
Filho,
Daqui a dois dias (DOOOOOIS DIAS, SÓ ISSO!!!!) tu vais completar teu primeiro aninho de vida. Teu primeiro ciclo. Um natal, uma páscoa, um aniversário! Tantas coisas já vivemos juntos e eu te digo, com toda certeza do mundo: cada dia fica mais gostoso.
Mas nada de lágrimas de mãe sentimental que chora a cada momento que lembra que seu pequeno filho já é quase um homem de 1 ano. Mamãe veio registrar o FIASCO que foi organizar a tua primeira festinha.
Mãe auto-suficiente que sou (amarga ilusão), disse para os quatro ventos: eu vou fazer cada brigadeiro da festa do meu filho! Aí fui vendo o universo de coisas que existe para dar conta em uma simples festinha. Na hora, com tudo pronto, ninguém imagina as cenas dramáticas dos bastidores. E é isso que vim registrar.
Vim expor minhas mazelas culinárias. Filho, ontem, enquanto comias duas bergamotas (termo gaúcho para mexirica) eu aprontei todas na cozinha. Tudo por causa da ideia sensacional de fazer, eu mesma, as papinhas para teus amiguinhos bebês. Mamãe comprou 3 caixas de morangos e um cacho de bananas e foi lépida e faceira bater tudo no liquidificador.
Primeiro ponto pro fracasso: mamãe quebrou o liquidificador. Não me pergunte como. Mas quebrei. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, tive a magnânima ideia de usa-lo mesmo assim. Lá se foi metade dos morangos liquefeitos para o teto, minha gente. Tão óbvio, mas...deixa pra lá.
Aí mamãe resolveu usar o tal método para conservar as papinhas. Como as de compota, sabe? Não sabe? Confesso, também ainda não sei. Deu tudo errado. À medida que eu ia fervendo (eram 30 minutos com os potes fechados), os potes iam explodindo, abrindo as tampas, um por um. Eu, que tenho sangue português, ia abrindo e tirando o excesso - e colocando de volta no fogo. O que acontecia? Os potes iam abrindo, todos, novamente, e assim sucessivamente.
Um explodiu na minha mão enquanto eu - inteligentíssimamente - colocava embaixo da água fria. Sim, minha gente, outra ideia espetacular!
Outro explodiu na minha cara.
Outro, na minha mão, sem a água da torneira.
Já o pano de prato, este pegou fogo. Imagine apagar o fogo, catar potinho saltitante, abrir janela e dar mais bergamota para que ficasses quietinho?
Não foi fácil, filho. O pior dos piores foi descobrir que tudo deu errado porque o potinho da Nestlé não comporta tal façanha. Aí mamãe tentou de novo (eita mãe guerreira) com potinho de geléia. Não explodiu, filho, mas o gosto ficou....ficou.... De pneu de caminhão. Pode esse sabor? Será que seus amiguinhos vão gostar?
Encerrei minha carreira de gourmet ontem.
Mas, filho, prometo que mamãe vai ali no supermercado e compra pronto. Mas vai estar lá, na mesa decorada, toda personalizada e ninguéééém vai perceber!
O que importa é que mamãe está fazendo tudo com muito amor e dedicação. Mas, ó, o brigadeiro eu garanto (para a próxima festa, tá?)
Um beijo para ti, aniversariante da semana. Do ano. O mais lindo do planeta!
Daqui a dois dias (DOOOOOIS DIAS, SÓ ISSO!!!!) tu vais completar teu primeiro aninho de vida. Teu primeiro ciclo. Um natal, uma páscoa, um aniversário! Tantas coisas já vivemos juntos e eu te digo, com toda certeza do mundo: cada dia fica mais gostoso.
Mas nada de lágrimas de mãe sentimental que chora a cada momento que lembra que seu pequeno filho já é quase um homem de 1 ano. Mamãe veio registrar o FIASCO que foi organizar a tua primeira festinha.
Mãe auto-suficiente que sou (amarga ilusão), disse para os quatro ventos: eu vou fazer cada brigadeiro da festa do meu filho! Aí fui vendo o universo de coisas que existe para dar conta em uma simples festinha. Na hora, com tudo pronto, ninguém imagina as cenas dramáticas dos bastidores. E é isso que vim registrar.
Vim expor minhas mazelas culinárias. Filho, ontem, enquanto comias duas bergamotas (termo gaúcho para mexirica) eu aprontei todas na cozinha. Tudo por causa da ideia sensacional de fazer, eu mesma, as papinhas para teus amiguinhos bebês. Mamãe comprou 3 caixas de morangos e um cacho de bananas e foi lépida e faceira bater tudo no liquidificador.
Primeiro ponto pro fracasso: mamãe quebrou o liquidificador. Não me pergunte como. Mas quebrei. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, tive a magnânima ideia de usa-lo mesmo assim. Lá se foi metade dos morangos liquefeitos para o teto, minha gente. Tão óbvio, mas...deixa pra lá.
Aí mamãe resolveu usar o tal método para conservar as papinhas. Como as de compota, sabe? Não sabe? Confesso, também ainda não sei. Deu tudo errado. À medida que eu ia fervendo (eram 30 minutos com os potes fechados), os potes iam explodindo, abrindo as tampas, um por um. Eu, que tenho sangue português, ia abrindo e tirando o excesso - e colocando de volta no fogo. O que acontecia? Os potes iam abrindo, todos, novamente, e assim sucessivamente.
Um explodiu na minha mão enquanto eu - inteligentíssimamente - colocava embaixo da água fria. Sim, minha gente, outra ideia espetacular!
Outro explodiu na minha cara.
Outro, na minha mão, sem a água da torneira.
Já o pano de prato, este pegou fogo. Imagine apagar o fogo, catar potinho saltitante, abrir janela e dar mais bergamota para que ficasses quietinho?
Não foi fácil, filho. O pior dos piores foi descobrir que tudo deu errado porque o potinho da Nestlé não comporta tal façanha. Aí mamãe tentou de novo (eita mãe guerreira) com potinho de geléia. Não explodiu, filho, mas o gosto ficou....ficou.... De pneu de caminhão. Pode esse sabor? Será que seus amiguinhos vão gostar?
Encerrei minha carreira de gourmet ontem.
Mas, filho, prometo que mamãe vai ali no supermercado e compra pronto. Mas vai estar lá, na mesa decorada, toda personalizada e ninguéééém vai perceber!
O que importa é que mamãe está fazendo tudo com muito amor e dedicação. Mas, ó, o brigadeiro eu garanto (para a próxima festa, tá?)
Um beijo para ti, aniversariante da semana. Do ano. O mais lindo do planeta!
| Isso,filho,come bergamota enquanto mamãe faz estripulia! |
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
Socorro, meu Filho não come!
Filho,
Eu desejo que se tu leres os registros deste blog um dia, não te identifiques com teus hábitos alimentares aos dez meses de idade. Ou seja, mamãe deseja que tu comas MUITO bem. Mas não precisa ser uma bolinha de tão gordo, tá, filho?
Estás crescendo saudavelmente, és lindo, esperto, inteligente e feliz. Mas teu apetite nos prega algumas peças. Para uma mãe de descendência italiana, onde alimento é sinônimo de afeto, imaginas como fico quando tu cerras a boquinha, viras o rostinho para o lado e não come sequer uma colheradinha da papinha que mamãe faz? Arrasada, filhote, arrasada. E, confesso, internamente irritada. Aí que tudo culminou com a morte de teu avô, a nossa temporada longe de casa, a tristeza da mamãe e...tua perda de peso. Teu pediatra pediu exame de urina (fizeste xixi no saquinho) para descartar infecção urinária, e não era nada clínico. A questão é que perder peso foi novidade. Tiveste um período ganhando pouco peso, mas perder...
Fiz consultoria com outras mães de filhos que também não comem bem. Foste ao pediatra. Li dicas na internet. Comprei papinha pronta, orgânica, para ver se aceitavas outro tempero que não o meu. Pedi à Tia Alice, amiga da mamãe, para que compartilhasse a papinha que dá à tua amiguinha para ver se aceitavas melhor outro modo de preparo. Ou seja, fiz de "um tudo".
Não sei exatamente o que mudou para que tu estejas comendo um pouco melhor, mas as coisas estão mais tranquilas. Sei que bebês como tu tem fases. Simplesmente comem em um dia, em outro menos e assim vamos caminhando. Mas quero compartilhar com outras mães, algumas das dicas que eu aprendi. Básicas ao extremo, mas que me deram um norte no auge do meu desespero. Foram o check list mental que eu fiz para saber se estava errando em algum ponto. Note que são as minhas experiências e reflexões a partir do que vivi contigo. Não há fórmula mágica. E agradeço de antemão a todas as mamães que compartilharam receitas e dicas, de todo coração.
Vamos lá:
- Às vezes é importante lançar mão de "estratégias psicológicas"para tirar o peso da responsabilidade sobre os pais que alimentam o bebê. Quero dizer com isso, que a maior parte das mães que faz a comida do bebê e ela mesmas oferecem, sentem-se pressionadas-culpadas-chateadas-responsáveis pela inapetência do filho. "O que tem de errado com a comidinha que eu faço?". Para isso, vale comprar alimentação alternativa "experimental" para ver se o bebê come. Ou pedir mesmo à outra pessoa que faça a papinha segundo a sua experiência. E, se houver melhor adesão, observar o que tem na papinha que agrada o bebê. São os ingredientes? É a textura? É o tempero?
- Observar qual a consistência da alimentação, especialmente de acordo com a idade do bebê. Quanto maiores vão ficando os bebês, mais "pedaçudas"são as papinhas, e é recomendado que assim o sejam, especialmente para estimular a musculatura responsável pela mastigação. No entanto, observei que tu não gostas muito da sensação dos alimentos maiores na tua boquinha. E ainda, que comidinhas mais secas, não te agradam. Fiz, então, um meio termo: comecei a oferecer alimentação com mais caldo, mais molhada, com pedacinhos um pouco menores. Observei que faz muita diferença.
-Oferecer alimentação da casa para o bebê. É claro que a criança já deve estar maiorzinha. Tentei algumas vezes te oferecer polenta, canja de galinha (com o preparo gaúcho, é claro), feijão preto e aceitaste bem. A diferença esteve em retirar da panela para te oferecer antes de temperar normalmente, pois salgamos muito mais para os adultos do que para ti (o que não é lá muito bom para nós comermos tanto sal, maaaas....)
- Tem coisas que eu não sei fazer direito e não me sinto segura para te oferecer. Para isto, achei ótimo poder comprar comidinha orgânica destes alimentos específicos. Neste sentido, optei por papinhas de fabricação caseira da Empório das Papinhas que continham fígado de boi. Não adianta, detesto o cheiro do fígado. Não gosto de manuseá-lo. Mas sei que é importante. Uma alternativa seria pedir à tua bivó para faze-lo, mas ela está longe. De certa forma é um "luxo" à parte, mas uma vez que outra, tudo bem.
- Variar o cardápio das papinhas. Acredito que toda mãe sente-se mais confiante ao misturar determinados alimentos, porque aprendeu, por trazer da experiência dos seus pais quando com eles moravam, enfim. O que eu percebi é que experimentar receitinhas simples ajuda muito. O que eu fiz foi compartilhar com mães e também observar a composição das papinhas prontas que fizeram sucesso contigo. Desta forma, tive a "receitinha"do que usar, aí fiz eu mesma em casa para ti. Deu certo.
- Observar a temperatura que mais se adequa ao paladar do bebê: ou morna, ou mais fria.
- Observar o horário das refeições. Quando oferecemos alimentação muito perto do horário uma da outra, obviamente não damos tempo para que o apetite esteja aguçado. Para isto, optei por suprimir o leitinho das 10 horas da manhã, para dar tempo de estares com fome ao meio dia. Assim, comes uma fruta com cereal às 9:30 e um suco, e ao meio dia estás com mais fome. Lembrando que isso é bem particular, de criança para criança e de fase para fase.
-Descartar qualquer alteração clínica do estado de saúde do bebê. Segundo teu pediatra, filho, anemia e infecção urinária tem como sintoma a inapetência. Assim como gripes e resfriados ou mesmo nascimento de dentes. Vale consultar o médico para assegurar que não há nenhum comprometimento da saúde física.
- Observar se houve alguma mudança na rotina do bebê no período que circundou a alteração do apetite. Novos eventos e mudanças de rotina influenciam nos hábitos alimentares das crianças. Entrou ou saiu da escolinha? Houve mudança de cuidadores principais (babá, professora, mãe, tia, etc)? Algum evento estressor acometeu a família (morte, nascimento de irmão, viagem dos pais ou cuidadores principais)? e assim por diante. Contigo tivemos a vivência da perda do vovô, como citei anteriormente.
-Procurar dar à papinha o sabor, o tempero característico da sua casa. Aprendi com o teu pediatra que a gente carrega a experiência do paladar da casa da gente, do que comemos do que é preparado em família para sempre. É esse tempero que transmitimos e que, junto com ele, carregamos as referências da nossas origens. Por isso dar papinha industrializada SEMPRE não é lá muito legal (fora o detalhe dos conservantes). Sempre digo que não quero que tu sejas o filho da Nestlé. rs Mas no final de semana, eventualmente, tá liberado.
- Conversar, compartilhar com outras mães, avós, pais que tiveram - ou não - a mesma experiência. Se não resolve, acalma.
- Observei que bebês que mamam no peito tem fases que optam pelo leite da mãe e ponto. Sem recorrer às explicações científicas (pq também não as tenho), é fato. Isso, também, sem levar em consideração o segundo parto que uma mãe vive ao tentar oferecer fórmula infantil (leite em pó) ao rebento. Bebês amamentados no peito, que não são burros nem nada, não curtem muito a alternativa B. Pobres mães com os peitos no chão...
- Sempre que tiver a oportunidade, revezar com alguém a tarefa de oferecer o alimento. Bebês são esponjas e percebem nossa ansiedade, o que influencia na aceitação da refeição. Quantas vezes sentei para te dar papinha tensa, com medo de que não comesses, tentando disfarçar e nada de tu comeres? Aí chegava teu pai, tu abrias a boca e dava tudo certo? (que raaaaaiva!)
- E por último, mas imprescindível em todos os momentos: Paciência. E a crença que um dia vai passar (ou não), mas que é bem possível que seja apenas uma fase.
Como disse, não tem nenhuma grande dica ou solução nestas linhas. Mas foi o caminho que encontrei para me tranquilizar que havia feito de tudo para facilitar que tu comesses melhor. Hoje as coisas estão um pouco melhores, com ressalvas dos dias que me deixas ao léu, com uma colherinha na mão, comendo teus restos já que me ignoras, como mãe que te nutre e te cuida! (choro dramático no plano de fundo)
Eu desejo que se tu leres os registros deste blog um dia, não te identifiques com teus hábitos alimentares aos dez meses de idade. Ou seja, mamãe deseja que tu comas MUITO bem. Mas não precisa ser uma bolinha de tão gordo, tá, filho?
Estás crescendo saudavelmente, és lindo, esperto, inteligente e feliz. Mas teu apetite nos prega algumas peças. Para uma mãe de descendência italiana, onde alimento é sinônimo de afeto, imaginas como fico quando tu cerras a boquinha, viras o rostinho para o lado e não come sequer uma colheradinha da papinha que mamãe faz? Arrasada, filhote, arrasada. E, confesso, internamente irritada. Aí que tudo culminou com a morte de teu avô, a nossa temporada longe de casa, a tristeza da mamãe e...tua perda de peso. Teu pediatra pediu exame de urina (fizeste xixi no saquinho) para descartar infecção urinária, e não era nada clínico. A questão é que perder peso foi novidade. Tiveste um período ganhando pouco peso, mas perder...
Fiz consultoria com outras mães de filhos que também não comem bem. Foste ao pediatra. Li dicas na internet. Comprei papinha pronta, orgânica, para ver se aceitavas outro tempero que não o meu. Pedi à Tia Alice, amiga da mamãe, para que compartilhasse a papinha que dá à tua amiguinha para ver se aceitavas melhor outro modo de preparo. Ou seja, fiz de "um tudo".
Não sei exatamente o que mudou para que tu estejas comendo um pouco melhor, mas as coisas estão mais tranquilas. Sei que bebês como tu tem fases. Simplesmente comem em um dia, em outro menos e assim vamos caminhando. Mas quero compartilhar com outras mães, algumas das dicas que eu aprendi. Básicas ao extremo, mas que me deram um norte no auge do meu desespero. Foram o check list mental que eu fiz para saber se estava errando em algum ponto. Note que são as minhas experiências e reflexões a partir do que vivi contigo. Não há fórmula mágica. E agradeço de antemão a todas as mamães que compartilharam receitas e dicas, de todo coração.
Vamos lá:
- Às vezes é importante lançar mão de "estratégias psicológicas"para tirar o peso da responsabilidade sobre os pais que alimentam o bebê. Quero dizer com isso, que a maior parte das mães que faz a comida do bebê e ela mesmas oferecem, sentem-se pressionadas-culpadas-chateadas-responsáveis pela inapetência do filho. "O que tem de errado com a comidinha que eu faço?". Para isso, vale comprar alimentação alternativa "experimental" para ver se o bebê come. Ou pedir mesmo à outra pessoa que faça a papinha segundo a sua experiência. E, se houver melhor adesão, observar o que tem na papinha que agrada o bebê. São os ingredientes? É a textura? É o tempero?
- Observar qual a consistência da alimentação, especialmente de acordo com a idade do bebê. Quanto maiores vão ficando os bebês, mais "pedaçudas"são as papinhas, e é recomendado que assim o sejam, especialmente para estimular a musculatura responsável pela mastigação. No entanto, observei que tu não gostas muito da sensação dos alimentos maiores na tua boquinha. E ainda, que comidinhas mais secas, não te agradam. Fiz, então, um meio termo: comecei a oferecer alimentação com mais caldo, mais molhada, com pedacinhos um pouco menores. Observei que faz muita diferença.
-Oferecer alimentação da casa para o bebê. É claro que a criança já deve estar maiorzinha. Tentei algumas vezes te oferecer polenta, canja de galinha (com o preparo gaúcho, é claro), feijão preto e aceitaste bem. A diferença esteve em retirar da panela para te oferecer antes de temperar normalmente, pois salgamos muito mais para os adultos do que para ti (o que não é lá muito bom para nós comermos tanto sal, maaaas....)
- Tem coisas que eu não sei fazer direito e não me sinto segura para te oferecer. Para isto, achei ótimo poder comprar comidinha orgânica destes alimentos específicos. Neste sentido, optei por papinhas de fabricação caseira da Empório das Papinhas que continham fígado de boi. Não adianta, detesto o cheiro do fígado. Não gosto de manuseá-lo. Mas sei que é importante. Uma alternativa seria pedir à tua bivó para faze-lo, mas ela está longe. De certa forma é um "luxo" à parte, mas uma vez que outra, tudo bem.
- Variar o cardápio das papinhas. Acredito que toda mãe sente-se mais confiante ao misturar determinados alimentos, porque aprendeu, por trazer da experiência dos seus pais quando com eles moravam, enfim. O que eu percebi é que experimentar receitinhas simples ajuda muito. O que eu fiz foi compartilhar com mães e também observar a composição das papinhas prontas que fizeram sucesso contigo. Desta forma, tive a "receitinha"do que usar, aí fiz eu mesma em casa para ti. Deu certo.
- Observar a temperatura que mais se adequa ao paladar do bebê: ou morna, ou mais fria.
- Observar o horário das refeições. Quando oferecemos alimentação muito perto do horário uma da outra, obviamente não damos tempo para que o apetite esteja aguçado. Para isto, optei por suprimir o leitinho das 10 horas da manhã, para dar tempo de estares com fome ao meio dia. Assim, comes uma fruta com cereal às 9:30 e um suco, e ao meio dia estás com mais fome. Lembrando que isso é bem particular, de criança para criança e de fase para fase.
-Descartar qualquer alteração clínica do estado de saúde do bebê. Segundo teu pediatra, filho, anemia e infecção urinária tem como sintoma a inapetência. Assim como gripes e resfriados ou mesmo nascimento de dentes. Vale consultar o médico para assegurar que não há nenhum comprometimento da saúde física.
- Observar se houve alguma mudança na rotina do bebê no período que circundou a alteração do apetite. Novos eventos e mudanças de rotina influenciam nos hábitos alimentares das crianças. Entrou ou saiu da escolinha? Houve mudança de cuidadores principais (babá, professora, mãe, tia, etc)? Algum evento estressor acometeu a família (morte, nascimento de irmão, viagem dos pais ou cuidadores principais)? e assim por diante. Contigo tivemos a vivência da perda do vovô, como citei anteriormente.
-Procurar dar à papinha o sabor, o tempero característico da sua casa. Aprendi com o teu pediatra que a gente carrega a experiência do paladar da casa da gente, do que comemos do que é preparado em família para sempre. É esse tempero que transmitimos e que, junto com ele, carregamos as referências da nossas origens. Por isso dar papinha industrializada SEMPRE não é lá muito legal (fora o detalhe dos conservantes). Sempre digo que não quero que tu sejas o filho da Nestlé. rs Mas no final de semana, eventualmente, tá liberado.
- Conversar, compartilhar com outras mães, avós, pais que tiveram - ou não - a mesma experiência. Se não resolve, acalma.
- Observei que bebês que mamam no peito tem fases que optam pelo leite da mãe e ponto. Sem recorrer às explicações científicas (pq também não as tenho), é fato. Isso, também, sem levar em consideração o segundo parto que uma mãe vive ao tentar oferecer fórmula infantil (leite em pó) ao rebento. Bebês amamentados no peito, que não são burros nem nada, não curtem muito a alternativa B. Pobres mães com os peitos no chão...
- Sempre que tiver a oportunidade, revezar com alguém a tarefa de oferecer o alimento. Bebês são esponjas e percebem nossa ansiedade, o que influencia na aceitação da refeição. Quantas vezes sentei para te dar papinha tensa, com medo de que não comesses, tentando disfarçar e nada de tu comeres? Aí chegava teu pai, tu abrias a boca e dava tudo certo? (que raaaaaiva!)
- E por último, mas imprescindível em todos os momentos: Paciência. E a crença que um dia vai passar (ou não), mas que é bem possível que seja apenas uma fase.
Como disse, não tem nenhuma grande dica ou solução nestas linhas. Mas foi o caminho que encontrei para me tranquilizar que havia feito de tudo para facilitar que tu comesses melhor. Hoje as coisas estão um pouco melhores, com ressalvas dos dias que me deixas ao léu, com uma colherinha na mão, comendo teus restos já que me ignoras, como mãe que te nutre e te cuida! (choro dramático no plano de fundo)
| Paaaaaaaieeee!Eu quero Mc Donald's!!!!!! |
Com amor,
Mamãe
PS: Isso não faz de mim uma mãe que o filho come mooointo bem. Sendo assim, continuo aceitando sugestões :o)
PS: Isso não faz de mim uma mãe que o filho come mooointo bem. Sendo assim, continuo aceitando sugestões :o)
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Ligiane
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quinta-feira, 12 de maio de 2011
Aderimos ao #mamaçovirtual
Filho,
Dentre aquelas inúmeras coisas que um dia eu vou te explicar, cabe também algo inacreditável.
Amamentar em público já foi motivo de represálias, acredita? Há quem ache o gesto obsceno. O ato de amamentar acompanha a história da humanidade, mas segue também influências culturais. Pergunte a um índio o que ele acha da amamentação. É muito capaz de ele nem compreender a tua pergunta, porque faz parte conjunto de valores da sua cultura.
Mas o mérito aqui não é este.
Vim registrar o que a amamentação representou para o nosso vínculo. Vim falar sobre o que isso significa para mim e o que eu interpreto como significado que tem para ti.
Tens quase dez meses. Sempre desejei te amamentar, desde a gravidez. Tive medo de não ter leite, de que tu não pegasses o peito. Deu tudo certo, felizmente.
No início doeu MUITO. Eu precisava ficar calada, concentrada a cada mamada tua, logo que nasceste, porque doía demais. E assim eu conseguia suportar a dor. Fora isso, desenvolvi uma dor absurda na coluna cervical pois achava que devia ficar te olhando nos olhos a cada mamada, já que sabia que era bom para o vinculo e tal (exagerada tua mãe,não?) E tu vivias pendurado no peito, então imagine só!
Fora que até hoje tu não dormes a noite inteira e acordas para mamar. Uma noite de sono? O que é isso?
Sair à noite? Sem ti? Até hoje nossas saídas contemplam as horas que tu acordas para mamar.
Mas eu vou te dizer com toda segurança do mundo: para mim foi muitíssimo importante e especial ter a oportunidade de te nutrir pelo peito. Eu, que sou mãe meio concreta, tive na amamentação tudo que eu precisava para me sentir ligada à ti. A troca de olhares, o carinho, o cheiro, o toque - tudo que eu poderia fazer com a mamadeira, mas que para mim, foi importante que fosse assim.
E eu vejo os reflexos na nossa relação. O apego que tens comigo, a segurança... E para mim também! Tem coisas nestes nossos momentos que eu queria guardar, registrar para sempre, como o barulhinho que tu fazes ao pegar o peito, a tua carinha, o movimento da bochecha que eu acho lindo. Somos muito apegados e eu creio que se deve também a estes momentos.
Fora toda a praticidade, pois saímos, passeamos e não temos a preocupação se vai faltar alimento. De alguma forma posso te consolar apenas estando contigo. És saudável, forte, nunca ficaste doente, exceto resfriado. Tenho certeza que em grande parte devemos isso ao leite materno.
Embora eu saiba que em algum momento essa nossa rotina vai acabar, e tu irás desmamar, sei que cumpri uma missão muito nobre e especial. E sei que será muito mais difícil para mim do que para ti. É algo que eu preciso trabalhar dentro de mim para que não seja mais dolorido do que já vai ser, naturalmente. Mas tem o outro lado: precisamos retomar a vida e precisarás crescer. É cansativo acordar de madrugada para te amamentar. Não posso mentir e dizer que acordo feliz e que é um momento mágico. Não o é.
Mas tirando as madrugadas, posso garantir que é um prazer poder te amamentar. Enquanto for possível te nutrir, assim o farei. Mas já estou me preparando para que, quando o dia do desmame chegar, não seja tão sofrido assim. Nosso vínculo já é forte o suficiente para abarcar novos códigos na nossa comunicação que não apenas o momento da mamada.
Aqui deixo uma foto registrada deste momento especial que marcou minha vida enquanto mulher e mãe:
Por isso e por muito mais que não acredito que amamentar tenha qualquer quê de obcenidade ou de constrangimento. É um ato de cuidado com a criança e, mais do que compreensão, merece respeito. De desserviços nossa sociedade já está farta.
Com todo amor do peito,
Mamãe.
Dentre aquelas inúmeras coisas que um dia eu vou te explicar, cabe também algo inacreditável.
Amamentar em público já foi motivo de represálias, acredita? Há quem ache o gesto obsceno. O ato de amamentar acompanha a história da humanidade, mas segue também influências culturais. Pergunte a um índio o que ele acha da amamentação. É muito capaz de ele nem compreender a tua pergunta, porque faz parte conjunto de valores da sua cultura.
Mas o mérito aqui não é este.
Vim registrar o que a amamentação representou para o nosso vínculo. Vim falar sobre o que isso significa para mim e o que eu interpreto como significado que tem para ti.
Tens quase dez meses. Sempre desejei te amamentar, desde a gravidez. Tive medo de não ter leite, de que tu não pegasses o peito. Deu tudo certo, felizmente.
No início doeu MUITO. Eu precisava ficar calada, concentrada a cada mamada tua, logo que nasceste, porque doía demais. E assim eu conseguia suportar a dor. Fora isso, desenvolvi uma dor absurda na coluna cervical pois achava que devia ficar te olhando nos olhos a cada mamada, já que sabia que era bom para o vinculo e tal (exagerada tua mãe,não?) E tu vivias pendurado no peito, então imagine só!
Fora que até hoje tu não dormes a noite inteira e acordas para mamar. Uma noite de sono? O que é isso?
Sair à noite? Sem ti? Até hoje nossas saídas contemplam as horas que tu acordas para mamar.
Mas eu vou te dizer com toda segurança do mundo: para mim foi muitíssimo importante e especial ter a oportunidade de te nutrir pelo peito. Eu, que sou mãe meio concreta, tive na amamentação tudo que eu precisava para me sentir ligada à ti. A troca de olhares, o carinho, o cheiro, o toque - tudo que eu poderia fazer com a mamadeira, mas que para mim, foi importante que fosse assim.
E eu vejo os reflexos na nossa relação. O apego que tens comigo, a segurança... E para mim também! Tem coisas nestes nossos momentos que eu queria guardar, registrar para sempre, como o barulhinho que tu fazes ao pegar o peito, a tua carinha, o movimento da bochecha que eu acho lindo. Somos muito apegados e eu creio que se deve também a estes momentos.
Fora toda a praticidade, pois saímos, passeamos e não temos a preocupação se vai faltar alimento. De alguma forma posso te consolar apenas estando contigo. És saudável, forte, nunca ficaste doente, exceto resfriado. Tenho certeza que em grande parte devemos isso ao leite materno.
Embora eu saiba que em algum momento essa nossa rotina vai acabar, e tu irás desmamar, sei que cumpri uma missão muito nobre e especial. E sei que será muito mais difícil para mim do que para ti. É algo que eu preciso trabalhar dentro de mim para que não seja mais dolorido do que já vai ser, naturalmente. Mas tem o outro lado: precisamos retomar a vida e precisarás crescer. É cansativo acordar de madrugada para te amamentar. Não posso mentir e dizer que acordo feliz e que é um momento mágico. Não o é.
Mas tirando as madrugadas, posso garantir que é um prazer poder te amamentar. Enquanto for possível te nutrir, assim o farei. Mas já estou me preparando para que, quando o dia do desmame chegar, não seja tão sofrido assim. Nosso vínculo já é forte o suficiente para abarcar novos códigos na nossa comunicação que não apenas o momento da mamada.
Aqui deixo uma foto registrada deste momento especial que marcou minha vida enquanto mulher e mãe:
Por isso e por muito mais que não acredito que amamentar tenha qualquer quê de obcenidade ou de constrangimento. É um ato de cuidado com a criança e, mais do que compreensão, merece respeito. De desserviços nossa sociedade já está farta.
Com todo amor do peito,
Mamãe.
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domingo, 1 de maio de 2011
Adeus, Vovô Gato...
Filho,
Hoje faz uma semana que teu vovô nos deixou. Faz 7 dias que ele não está mais aqui conosco.
Teu vovô tinha um montão de problemas de saúde. E era muito teimoso. Decidiu viver a vida do jeito que ele queria - e ainda dizia: "prefiro viver a vida do jeito que eu quero e viver menos tempo do que viver muito me privando das coisas". E assim o fez. Diabético, teu vô não ouvia ninguém quando o assunto eram suas paixões: Pistache, Bubaloo, Eskibom, sorvete com nozes, Mentex, um bom vinho, uma boa comida. Festeiro como só ele, foi muito boêmio. Adorava reunir os amigos e sempre havia muita bebida e muita comida. Ao mesmo tempo que era muito bem quisto, era tímido, mas quem o conquistasse tinha seu lado generoso ao seu dispor. Amava ver a sua família reunida. Cresci ouvindo que nosso bem maior é a família. Ele inventava pretextos para ter todo mundo reunido: um almoço, um bom churrasco, um jantar...
Tenho lembranças maravilhosas e muito saudáveis da minha infância. Talvez seja aí que a falta dele me dói tanto, pois este pai brincalhão, crianceiro, não te verá crescer. Sempre gostou das crianças já numa fase maior, quando começam a falar e interagir com os adultos, de forma que ele pudesse dar e receber algo em troca. Na fase que o conheceste, ainda bebê, com pouco jeito te pegou no colo e se orgulhou do quanto eras parecido com ele. Olhava para ti e dizia: "engraçadinho, ele!" Era seu jeito de lidar com a tua fragilidade de gente pequena.
Meu pai, teu avô, brincava comigo e com minha sobrinha mais velha (temos 5 anos de diferença e crescemos juntas) articulando jogos, adivinhações e o que mais desse na telha. Amavamos viajar com ele, pois passavamos o trajeto todo em gincana. O maior barato! Ganhavamos dinheiro para ir às festas típicas aqui do RS: Oktoberfest, Festa da Uva, do Feijão, do que fosse. Aí nos divertíamos escolhendo os presentes para levar para casa. Tenho doces lembranças desta época.
Ele era um homem tão forte, tão decidido, tão voluntarioso, que teve épocas que eu tinha medo dele. Sua era voz imponente, quando gritava, me dava calafrio na espinha. Morria de medo quando ele fechava o semblante e levantava a voz... Mas o medo se transformou em respeito. Teu avô sempre foi um homem muito justo, muito correto, empreendedor, e brincavamos que tudo que ele tocava virava ouro - era um visionário. Admiro teu avô por traçar metas e seguir em frente, sem medo do que encontraria pelo caminho. Tão destemido e determinado que chegava a ser inflexível, genioso, turrão. Por dentro um homem carente, muito sensível.
Por isto tudo que eu carrego dentro de mim em relação ao que ele me deixou como exemplo para a vida, meu filho, eu desejo que herdes o que ele tinha de bom. Ainda vou te contar muitas histórias, muitas passagens dele para que tenhas dentro de ti um pouquinho do que ele foi para todos nós. E desejo que o legado de vida que ele deixou germine o teu coração de homem bom, honesto e generoso.
Como tu ainda és muito pequeno, não tens dimensão do que estamos vivendo. Mas eu sei que sentes estas mudanças todas. Não estamos na nossa casa, tu sentes a tristeza no olhar da mamãe e capta toda densidade do humor de todos nós. És uma pequena esponja e sentes tudo. Queria te poupar disto tudo, mas como bem falou teu papai, isso tudo faz parte da história da tua vida.
Sofro muito pelo vazio que teu vovô deixou. Pela poltrona vazia em que ele via TV, pelo silêncio, pelas roupas, pelas coisas dele que ficaram e que carregam muitas memórias. Temo por esquecer seu cheiro, sua voz, seu sorriso...Mas hoje consegui lembrar dele sorrindo, e é um grande passo.
Agradeço a Deus por tu o conheceres, mesmo que a convivência de vocês tenha sido breve. Para mim foi uma oportunidade especial poder te apresentar, meu filho, ao meu pai.
E ele vai, com toda certeza, nos acompanhar lá do céu. A minha estrela mais brilhante e iluminada tem um nome, e responde por Paulo Cesar.
Fica com Deus, Vovô Gato. A gente sempre vai te amar e te carregar com a gente, aonde quer que a vida nos leve e aconteça o que acontecer.
Com muito amor, saudade e pesar,
Mamãe.
Hoje faz uma semana que teu vovô nos deixou. Faz 7 dias que ele não está mais aqui conosco.
Teu vovô tinha um montão de problemas de saúde. E era muito teimoso. Decidiu viver a vida do jeito que ele queria - e ainda dizia: "prefiro viver a vida do jeito que eu quero e viver menos tempo do que viver muito me privando das coisas". E assim o fez. Diabético, teu vô não ouvia ninguém quando o assunto eram suas paixões: Pistache, Bubaloo, Eskibom, sorvete com nozes, Mentex, um bom vinho, uma boa comida. Festeiro como só ele, foi muito boêmio. Adorava reunir os amigos e sempre havia muita bebida e muita comida. Ao mesmo tempo que era muito bem quisto, era tímido, mas quem o conquistasse tinha seu lado generoso ao seu dispor. Amava ver a sua família reunida. Cresci ouvindo que nosso bem maior é a família. Ele inventava pretextos para ter todo mundo reunido: um almoço, um bom churrasco, um jantar...
Tenho lembranças maravilhosas e muito saudáveis da minha infância. Talvez seja aí que a falta dele me dói tanto, pois este pai brincalhão, crianceiro, não te verá crescer. Sempre gostou das crianças já numa fase maior, quando começam a falar e interagir com os adultos, de forma que ele pudesse dar e receber algo em troca. Na fase que o conheceste, ainda bebê, com pouco jeito te pegou no colo e se orgulhou do quanto eras parecido com ele. Olhava para ti e dizia: "engraçadinho, ele!" Era seu jeito de lidar com a tua fragilidade de gente pequena.
Meu pai, teu avô, brincava comigo e com minha sobrinha mais velha (temos 5 anos de diferença e crescemos juntas) articulando jogos, adivinhações e o que mais desse na telha. Amavamos viajar com ele, pois passavamos o trajeto todo em gincana. O maior barato! Ganhavamos dinheiro para ir às festas típicas aqui do RS: Oktoberfest, Festa da Uva, do Feijão, do que fosse. Aí nos divertíamos escolhendo os presentes para levar para casa. Tenho doces lembranças desta época.
Ele era um homem tão forte, tão decidido, tão voluntarioso, que teve épocas que eu tinha medo dele. Sua era voz imponente, quando gritava, me dava calafrio na espinha. Morria de medo quando ele fechava o semblante e levantava a voz... Mas o medo se transformou em respeito. Teu avô sempre foi um homem muito justo, muito correto, empreendedor, e brincavamos que tudo que ele tocava virava ouro - era um visionário. Admiro teu avô por traçar metas e seguir em frente, sem medo do que encontraria pelo caminho. Tão destemido e determinado que chegava a ser inflexível, genioso, turrão. Por dentro um homem carente, muito sensível.
Por isto tudo que eu carrego dentro de mim em relação ao que ele me deixou como exemplo para a vida, meu filho, eu desejo que herdes o que ele tinha de bom. Ainda vou te contar muitas histórias, muitas passagens dele para que tenhas dentro de ti um pouquinho do que ele foi para todos nós. E desejo que o legado de vida que ele deixou germine o teu coração de homem bom, honesto e generoso.
Como tu ainda és muito pequeno, não tens dimensão do que estamos vivendo. Mas eu sei que sentes estas mudanças todas. Não estamos na nossa casa, tu sentes a tristeza no olhar da mamãe e capta toda densidade do humor de todos nós. És uma pequena esponja e sentes tudo. Queria te poupar disto tudo, mas como bem falou teu papai, isso tudo faz parte da história da tua vida.
Sofro muito pelo vazio que teu vovô deixou. Pela poltrona vazia em que ele via TV, pelo silêncio, pelas roupas, pelas coisas dele que ficaram e que carregam muitas memórias. Temo por esquecer seu cheiro, sua voz, seu sorriso...Mas hoje consegui lembrar dele sorrindo, e é um grande passo.
Agradeço a Deus por tu o conheceres, mesmo que a convivência de vocês tenha sido breve. Para mim foi uma oportunidade especial poder te apresentar, meu filho, ao meu pai.
E ele vai, com toda certeza, nos acompanhar lá do céu. A minha estrela mais brilhante e iluminada tem um nome, e responde por Paulo Cesar.
Fica com Deus, Vovô Gato. A gente sempre vai te amar e te carregar com a gente, aonde quer que a vida nos leve e aconteça o que acontecer.
Com muito amor, saudade e pesar,
Mamãe.
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terça-feira, 19 de abril de 2011
Coisas que aprendemos com o Bono Vox
Filho,
Há quase nove meses que estás aqui conosco, dando sentido à nossa vida, fazendo parte de nossos sonhos e planos. Mas foram nos mesmos nove meses voltados à ti que esquecemos do quanto é importante a vida a dois e mesmo em separado.
E tem sido um exercício conciliar a vida de mãe com a de mulher. E de esposa!
O show do U2 foi nosso primeiro "evento" sem ti. Montamos um esquema para te deixar em casa, na companhia da tua Tia Soninha. Ela topou o desafio de encarar uma noite contigo sozinha, sem saber como reagirias ao acordar e não encontra-nos. Mas deu tudo certo!
O esquema que montamos incluiu ordenha de leitinho de mamãe durante o dia (um sufoco, viu?Mamãe já não é mais a mesma vaca de antigamente), e toda rotina de dormir que já tens. Ou seja, te deixamos no berço e saimos. Acordaste para mamar, como de costume, e Tia Soninha te deu leite na mamadeira. Nem acredito que ela conseguiu, já que nunca mamaste assim! Daí para frente, Santa Galinha Pintadinha e bolachinha Maria te seguraram tranquilo, acordado, até chegarmos.
Mas vamos tirar as boas lições do dia:
É necessário para qualquer pai e mãe sair da rotina da exclusividade do filho. Precisamos reciclar os assuntos e a energia que naturalmente se esvai quando cuidamos de um bebê.
Lugar de mãe de bebê é no banco da frente! 9 meses andando atrás, contigo. Estava na hora de voltar ao meu lugar! (viu, @semfirulas, aprendi direitinho)
Voltar para casa é a melhor coisa do mundo! E a saudade que fica, recarrega as baterias para o dia que virá! Saudade é saudável!
Mas é, de fato, um exercício. Porque a tendência é vivermos para vocês, filhos, até o dia que decidirão sair de casa para ir para a balada sem hesitar deixar os pobres pais sozinhos vendo Telecine! (drama mode on)
Filho,
A bem da verdade é que o tempo está passando muito rápido! Já estás engatinhando, tiveste o olho roxo pela primeira vez, estás muito rápido, alcançando todos os objetos! Cada dia mais querido e esperto. Já estou vendo que, em questão de dias, já está beijando a primeira namoradinha (OH, CEUS!)
Um beijo do tamanho do mundo,
Mamãe.
Ps: Bono, aquele tiozinho gatésimo, foi um incentivo e tanto para nossa primeira saída sem ti! Valeu cada segundo! (que papai não leia...)
Há quase nove meses que estás aqui conosco, dando sentido à nossa vida, fazendo parte de nossos sonhos e planos. Mas foram nos mesmos nove meses voltados à ti que esquecemos do quanto é importante a vida a dois e mesmo em separado.
E tem sido um exercício conciliar a vida de mãe com a de mulher. E de esposa!
O show do U2 foi nosso primeiro "evento" sem ti. Montamos um esquema para te deixar em casa, na companhia da tua Tia Soninha. Ela topou o desafio de encarar uma noite contigo sozinha, sem saber como reagirias ao acordar e não encontra-nos. Mas deu tudo certo!
O esquema que montamos incluiu ordenha de leitinho de mamãe durante o dia (um sufoco, viu?Mamãe já não é mais a mesma vaca de antigamente), e toda rotina de dormir que já tens. Ou seja, te deixamos no berço e saimos. Acordaste para mamar, como de costume, e Tia Soninha te deu leite na mamadeira. Nem acredito que ela conseguiu, já que nunca mamaste assim! Daí para frente, Santa Galinha Pintadinha e bolachinha Maria te seguraram tranquilo, acordado, até chegarmos.
Mas vamos tirar as boas lições do dia:
É necessário para qualquer pai e mãe sair da rotina da exclusividade do filho. Precisamos reciclar os assuntos e a energia que naturalmente se esvai quando cuidamos de um bebê.
Lugar de mãe de bebê é no banco da frente! 9 meses andando atrás, contigo. Estava na hora de voltar ao meu lugar! (viu, @semfirulas, aprendi direitinho)
Voltar para casa é a melhor coisa do mundo! E a saudade que fica, recarrega as baterias para o dia que virá! Saudade é saudável!
Mas é, de fato, um exercício. Porque a tendência é vivermos para vocês, filhos, até o dia que decidirão sair de casa para ir para a balada sem hesitar deixar os pobres pais sozinhos vendo Telecine! (drama mode on)
Filho,
A bem da verdade é que o tempo está passando muito rápido! Já estás engatinhando, tiveste o olho roxo pela primeira vez, estás muito rápido, alcançando todos os objetos! Cada dia mais querido e esperto. Já estou vendo que, em questão de dias, já está beijando a primeira namoradinha (OH, CEUS!)
Um beijo do tamanho do mundo,
Mamãe.
Ps: Bono, aquele tiozinho gatésimo, foi um incentivo e tanto para nossa primeira saída sem ti! Valeu cada segundo! (que papai não leia...)
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| Ainda em tempo: feliz primeira Páscoa da sua vida, Filho! |
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Do dilema de voltar ao trabalho
Filho,
Um dia tu vais entender que mulheres são seres muito complexos. Não sei se isso é bom, ou péssimo mas terás uma escola na tua própria casa, já que tua mãe é um exímio exemplar de insanidade e inconstância deste gênero tão complicado.
Desta vez me refiro ao quanto somos ambivalentes nos nossos sentimentos e pensamentos. Do quanto queremos tudo, depois não queremos nada e do quanto conseguimos não entender nada do que estamos sentindo e disto tirarmos uma experiência única de aprendizado (eu não disse que era dificiO?)
Vamos facilitar agora, já que pude dar uma amostra grátis do quanto é complicado sentir tudo isso aqui dentro do peito. Estou falando do que ando sentindo a respeito deste momento que vivo em casa. Contigo, feliz, te vendo crescer, mas em casa, longe do trabalho.
Mais uma vez repito que isso tudo não tem nada a ver contigo, com meus sentimentos por ti. Talvez seja mais um desabafo neste canal que se abriu, inicialmente para falar para ti em que hoje interajo com muitas mães, que me ajudam muito com suas experiências e seus olhos atentos.
Feito o lembrete, digo que agora que o mestrado acabou (nem acredito nisso....), comecei a me questionar se consigo ficar muito tempo longe do trabalho.
Primeiro pela questão do dinheiro. Uma renda em casa é diferente de duas, por mais que o salário de profissional de saúde seja uma vergonha. É diferente porque é uma conta de telefone a mais, seguro de carro a mais, anuidade do conselho de classe a mais....
E, além disso, não consigo me sentir confortável na pele de uma mulher que procura nos olhos do marido o termômetro para saber se essa ou aquela necessidade feminina de consumo pode ou irá pesar no orçamento da casa. Senti isso comprando um sabonete da Natura este final de semana. Veja bem onde estou chegando... Isso não é legal.
E não tem nada a ver com olhares de reprovação do teu pai, porque ele não é assim. Tem a ver comigo.
Eu gosto de trabalhar. Eu gosto de comprar o que quero, na hora que quero. Mas é muito mais que isso: quero de volta a sensação de que contribuo com o orçamento do lar. Mesmo que seja para acrescentar uma comprinha no supermercado. Mas me sinto confortável nesta postura. Somos uma família e optamos por lidar com dinheiro conjuntamente. Isso não mudaria. Mas agora, escrevendo pra que pagar terapia me dou conta que tem a ver com o sentimento de contribuir, de ajudar.
Semana passada abri mão de um emprego tentador, do ponto de vista da atividade que iria desempenhar. Deu aquela coceirinha, sabe? Deu vontade de voltar.
Mas ponderei. Me propus a ficar contigo até teu primeiro ano ou quando pudesses entrar na escolinha do condomínio (aceitam quando a criança já anda). E quando tivéssemos o mínimo de estrutura (somos só eu e teu pai), eu procuraria as vias para esse retorno.
O que acontece é que eu não me sinto preparada emocionalmente para te deixar e retomar essa vida em paralelo. Acredito que nenhuma mulher se sente preparada por inteiro. Mas, para mim, (a outra metade de mim) não é hora ainda. Sei que fará falta para ti e para mim.
Que sentimento estranho! Que ambiguidade, sabe?
Quem julga que ficar em casa é moleza, não sabe o que é isso. Admiro horrores as mulheres que tem a sua profissão de mãe em tempo integral, que cuidam da casa, da saúde da família, da alimentação. Seja por escolha ou por necessidade. Não é bolinho, não! É muito, muito, muito cansativo e requer muito jogo de cintura. É tarefa para mulheres de ouro, viu?
Tenho a possibilidade de voltar a atender, em poucos horários, mas ir retornando....Acho que é a saída. O meio do caminho entre duas decisões que envolvem muitas mudanças. Então ir dando atenção a este sentimento e ir trabalhando-o até o momento de voltar por inteiro. Já é quase julho! Já, já chega a hora. E eu sei que oportunidades surgirãonão me pergunte daonde, mas eu sei que surgirão.
O que mais faz sentido é o que sinto quando estou contigo. Toda vez que me pego olhando para ti, hipnotizada, me emociono profundamente. Que milagre da vida que tu és, meu filho! Quantas escolhas saudáveis eu fiz para te ter! E eu tenho certeza que tu me transformaste em algo melhor inclusive para os trabalhos que eu desempenharei no futuro próximo.
Reconhecer o que sentimos é o primeiro passo para acomodar as dores e os amores dentro da gente.
Agora já está tudo bem.
Obrigada por emprestar o teu espaço para estes sentimentos de mãe.
Te amo ainda mais!
Com amor,
Mamãe
Um dia tu vais entender que mulheres são seres muito complexos. Não sei se isso é bom, ou péssimo mas terás uma escola na tua própria casa, já que tua mãe é um exímio exemplar de insanidade e inconstância deste gênero tão complicado.
Desta vez me refiro ao quanto somos ambivalentes nos nossos sentimentos e pensamentos. Do quanto queremos tudo, depois não queremos nada e do quanto conseguimos não entender nada do que estamos sentindo e disto tirarmos uma experiência única de aprendizado (eu não disse que era dificiO?)
Vamos facilitar agora, já que pude dar uma amostra grátis do quanto é complicado sentir tudo isso aqui dentro do peito. Estou falando do que ando sentindo a respeito deste momento que vivo em casa. Contigo, feliz, te vendo crescer, mas em casa, longe do trabalho.
Mais uma vez repito que isso tudo não tem nada a ver contigo, com meus sentimentos por ti. Talvez seja mais um desabafo neste canal que se abriu, inicialmente para falar para ti em que hoje interajo com muitas mães, que me ajudam muito com suas experiências e seus olhos atentos.
Feito o lembrete, digo que agora que o mestrado acabou (nem acredito nisso....), comecei a me questionar se consigo ficar muito tempo longe do trabalho.
Primeiro pela questão do dinheiro. Uma renda em casa é diferente de duas, por mais que o salário de profissional de saúde seja uma vergonha. É diferente porque é uma conta de telefone a mais, seguro de carro a mais, anuidade do conselho de classe a mais....
E, além disso, não consigo me sentir confortável na pele de uma mulher que procura nos olhos do marido o termômetro para saber se essa ou aquela necessidade feminina de consumo pode ou irá pesar no orçamento da casa. Senti isso comprando um sabonete da Natura este final de semana. Veja bem onde estou chegando... Isso não é legal.
E não tem nada a ver com olhares de reprovação do teu pai, porque ele não é assim. Tem a ver comigo.
Eu gosto de trabalhar. Eu gosto de comprar o que quero, na hora que quero. Mas é muito mais que isso: quero de volta a sensação de que contribuo com o orçamento do lar. Mesmo que seja para acrescentar uma comprinha no supermercado. Mas me sinto confortável nesta postura. Somos uma família e optamos por lidar com dinheiro conjuntamente. Isso não mudaria. Mas agora, escrevendo pra que pagar terapia me dou conta que tem a ver com o sentimento de contribuir, de ajudar.
Semana passada abri mão de um emprego tentador, do ponto de vista da atividade que iria desempenhar. Deu aquela coceirinha, sabe? Deu vontade de voltar.
Mas ponderei. Me propus a ficar contigo até teu primeiro ano ou quando pudesses entrar na escolinha do condomínio (aceitam quando a criança já anda). E quando tivéssemos o mínimo de estrutura (somos só eu e teu pai), eu procuraria as vias para esse retorno.
O que acontece é que eu não me sinto preparada emocionalmente para te deixar e retomar essa vida em paralelo. Acredito que nenhuma mulher se sente preparada por inteiro. Mas, para mim, (a outra metade de mim) não é hora ainda. Sei que fará falta para ti e para mim.
Que sentimento estranho! Que ambiguidade, sabe?
Quem julga que ficar em casa é moleza, não sabe o que é isso. Admiro horrores as mulheres que tem a sua profissão de mãe em tempo integral, que cuidam da casa, da saúde da família, da alimentação. Seja por escolha ou por necessidade. Não é bolinho, não! É muito, muito, muito cansativo e requer muito jogo de cintura. É tarefa para mulheres de ouro, viu?
Tenho a possibilidade de voltar a atender, em poucos horários, mas ir retornando....Acho que é a saída. O meio do caminho entre duas decisões que envolvem muitas mudanças. Então ir dando atenção a este sentimento e ir trabalhando-o até o momento de voltar por inteiro. Já é quase julho! Já, já chega a hora. E eu sei que oportunidades surgirão
O que mais faz sentido é o que sinto quando estou contigo. Toda vez que me pego olhando para ti, hipnotizada, me emociono profundamente. Que milagre da vida que tu és, meu filho! Quantas escolhas saudáveis eu fiz para te ter! E eu tenho certeza que tu me transformaste em algo melhor inclusive para os trabalhos que eu desempenharei no futuro próximo.
Reconhecer o que sentimos é o primeiro passo para acomodar as dores e os amores dentro da gente.
Agora já está tudo bem.
Obrigada por emprestar o teu espaço para estes sentimentos de mãe.
Te amo ainda mais!
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Com amor,
Mamãe
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sexta-feira, 4 de março de 2011
Entre os tombos e a superproteção
E aí, filhote, que tu caíste teu primeiro tombo. Não sei se vou esquecer a imagem e o som que eu ouvi quando tu capotaste no chão do meu quarto! Foi o "TUM" que mais doeu na minha alma.
Caíste da minha cama. Choraste, mas acredito que foi de susto. Eu gelei, só pensava na hora em te consolar e ver se tinhas te machucado. Na sequência liguei para teu pediatra, que, bem humorado, depois que me acalmei, disse que iria me condecorar com uma medalha.
A postura dele foi acolhedora, muito mais por ser tranquila e ao mesmo tempo segura. Mãe, por definição, tem a mania da "auto culpabilização", e não precisa de alguém que aponte o dedo e reforce o sentimento de incompetência. Ter dito que era normal e que eu deveria apenas observar, fez toda diferença. Ainda escrevo sobre isso. (nota mental)
A questão é que este tombo me fez pensar sobre algumas coisas, acredito que importantes. Primeiro, pensei nas inúmeras situações que virão pela frente. Quantos hematomas, arranhões, pontos, fraturas, entre outras, irão acontecer, por ventura. Outros eventos da vida que te trarão muito sofrimento, como quando se levares um fora da namorada, se fores demitido, se não passares em uma prova, se fores para o quartel e não quiseres (Notem o "se". Mãe protege, não tem jeito).
Situações das quais não terei absoluto controle. Lembrei que crescer tem implicações: às vezes dói. Penso que dói mais nos pais que em vocês, na maior parte das vezes. Mas dói. E preciso me adaptar à ideia de que posso minimizar os riscos, mas não anulá-los. Até porque não te faria bem.
Sinto certo desconforto em ouvir sobre as "crianças bolha", que vivem superprotegidos pelos pais e que diante da necessidade da vida de dar conta das adversidades, quando não os tem por perto, não sabem o que fazer. A intenção destes pais é tão genuína, tão especial, que não contesto. Mas penso nos efeitos que isso tem a longo prazo, com marcas impressas a sangue frio na personalidade destes adultos em que estas crianças se transformarão. Adultos inseguros, baixa capacidade de resiliência, ou seja, sem jogo de cintura para enfrentar as agruras da vida.
Aí me deparei contigo querendo engatinhar, se arrastando, mas com muita dificuldade. Me toquei na hora que eu não estava facilitando este processo! No intuito de te deixar seguro, empatei tua vida! Estavas lá, em cima do tapetinho (de PVC, MDF, qual, gente? rsrsrsrsrs), de meia, com calça comprida, casaquinho, patinando, patinando, patinando...Seguro que era uma beleza, mas PATINANDO!
Caiu a ficha. Teu primeiro tombo deu sequência a um processo de destruição em massa, provocado por mamãe: arregaçada a calça e a blusa, sem meia, tu foste jogado ao mundo (o chão), para explorar o teu mais novo desafio. Logo estavas batendo a cabecinha (de leve, gente), chorando, voltando a sentar, voltando a se arrastar e assim por diante. Bem que te rendeu uma boquinha inchadinha porque teus dois dentinhos (não registrei que já és um ser dentado, meu Deus?!!!!!) bateram no lábio!
Resumo da ópera, acredito que o papel dos pais é muito mais do que complexo: facilitar na medida mais próxima do ideal a exploração dos riscos e proteger também na medida que mais se aproxima do necessário. Não ouso dizer que atingiremos esta meta, até porque tudo é tão dinâmico, muda tudo o tempo todo, que quando estivermos preparados para um desafio, mudará a fase e virão outros. Mas precisamos de um norte, sabe?
E é por aí, filho. Seguimos aqui, incentivando o teu desenvolvimento com tuas descobertas, com o coração numa mão e na outra os abajures para que não caiam na tua cabeça.
Caíste da minha cama. Choraste, mas acredito que foi de susto. Eu gelei, só pensava na hora em te consolar e ver se tinhas te machucado. Na sequência liguei para teu pediatra, que, bem humorado, depois que me acalmei, disse que iria me condecorar com uma medalha.
A postura dele foi acolhedora, muito mais por ser tranquila e ao mesmo tempo segura. Mãe, por definição, tem a mania da "auto culpabilização", e não precisa de alguém que aponte o dedo e reforce o sentimento de incompetência. Ter dito que era normal e que eu deveria apenas observar, fez toda diferença. Ainda escrevo sobre isso. (nota mental)
A questão é que este tombo me fez pensar sobre algumas coisas, acredito que importantes. Primeiro, pensei nas inúmeras situações que virão pela frente. Quantos hematomas, arranhões, pontos, fraturas, entre outras, irão acontecer, por ventura. Outros eventos da vida que te trarão muito sofrimento, como quando se levares um fora da namorada, se fores demitido, se não passares em uma prova, se fores para o quartel e não quiseres (Notem o "se". Mãe protege, não tem jeito).
Situações das quais não terei absoluto controle. Lembrei que crescer tem implicações: às vezes dói. Penso que dói mais nos pais que em vocês, na maior parte das vezes. Mas dói. E preciso me adaptar à ideia de que posso minimizar os riscos, mas não anulá-los. Até porque não te faria bem.
Sinto certo desconforto em ouvir sobre as "crianças bolha", que vivem superprotegidos pelos pais e que diante da necessidade da vida de dar conta das adversidades, quando não os tem por perto, não sabem o que fazer. A intenção destes pais é tão genuína, tão especial, que não contesto. Mas penso nos efeitos que isso tem a longo prazo, com marcas impressas a sangue frio na personalidade destes adultos em que estas crianças se transformarão. Adultos inseguros, baixa capacidade de resiliência, ou seja, sem jogo de cintura para enfrentar as agruras da vida.
Aí me deparei contigo querendo engatinhar, se arrastando, mas com muita dificuldade. Me toquei na hora que eu não estava facilitando este processo! No intuito de te deixar seguro, empatei tua vida! Estavas lá, em cima do tapetinho (de PVC, MDF, qual, gente? rsrsrsrsrs), de meia, com calça comprida, casaquinho, patinando, patinando, patinando...Seguro que era uma beleza, mas PATINANDO!
Caiu a ficha. Teu primeiro tombo deu sequência a um processo de destruição em massa, provocado por mamãe: arregaçada a calça e a blusa, sem meia, tu foste jogado ao mundo (o chão), para explorar o teu mais novo desafio. Logo estavas batendo a cabecinha (de leve, gente), chorando, voltando a sentar, voltando a se arrastar e assim por diante. Bem que te rendeu uma boquinha inchadinha porque teus dois dentinhos (não registrei que já és um ser dentado, meu Deus?!!!!!) bateram no lábio!
Resumo da ópera, acredito que o papel dos pais é muito mais do que complexo: facilitar na medida mais próxima do ideal a exploração dos riscos e proteger também na medida que mais se aproxima do necessário. Não ouso dizer que atingiremos esta meta, até porque tudo é tão dinâmico, muda tudo o tempo todo, que quando estivermos preparados para um desafio, mudará a fase e virão outros. Mas precisamos de um norte, sabe?
E é por aí, filho. Seguimos aqui, incentivando o teu desenvolvimento com tuas descobertas, com o coração numa mão e na outra os abajures para que não caiam na tua cabeça.
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| Olha o perigo aí, gente! |
Crescer dói, mas é um barato necessário!
Com amor,
Mamãe.
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sábado, 5 de fevereiro de 2011
Filho, eis aqui tua mãe.
Filho,
Mamãe tem estado bastante absorvida pela fase final do mestrado. O tempo que sobra em relação aos teus cuidados tem sido dedicado inteiramente à esta pesquisa, por isso que não tenho mais vindo aqui. Mas está acabando, tudo vai voltar ao normal em seguida.
No entanto, não poderia deixar passar nem mais um dia, nesta urgência interna que grita dentro de mim.
Precisava vir registrar quem realmente é tua mãe. Talvez você se decepcione, mas é a mãe que tu tens.
Tu foste desejado desde os meus 14 anos. Te concebi aos 29, te tive aos 30.Tive quase 48 h de trabalho de parto e te pari por parto normal. Te amamento até hoje, aos teus 6 meses e meio de vida e pretendo ir adiante. Faço tuas papinhas. Até hoje, em teus seis meses, te crio sozinha, sem ajuda de ninguém além de teu pai. Parei de trabalhar pra cuidar de ti.
Bonito, feio? Super mãe, mãe de merda? Desculpe, filho, esta palavra é feia, mas já te disse que mães são seres humanos normais, comuns, que falam palavrão às vezes? Pois então, é a mais pura realidade.
Justamente sobre esta normalidade materna, sem super poderes, que vim escrever hoje. Temo que dentro da tua admiração natural de filho que ama os pais, possas esquecer um dia que somos de carne e osso. E que falhamos muito e erraremos ainda mais até que tu possas ter condições de avaliar isso com critérios de gente grande.
Mas está aqui, registrado. Tua mãe não é de ferro.
Eu te pari de parto normal porque eu quis, porque teu pai apoiou, porque a médica incentivou e porque a natureza permitiu. Não foi pra contar pra ninguém que eu sou forte, até porque, vou te te falar, acredito na força de outro jeito, na força simbólica das mães que não tem nada para dar de comer e tiram da sua boca para dar aos filhos, e não é o nosso caso, graças a Deus.
Eu te amamento porque eu quis, porque teu pai apoiou, porque a médica incentivou e porque a natureza permitiu.E por ser excelente para ti, lógico, mas foi um desafio que eu tomei para mim e venci. Desafio porque doeu muito no início, porque cansa, traz a sensação de privação de liberdade diante da necessidade de não se ausentar por mais de 2 horas de casa.
Atualmente ainda mamas de madrugada e eu canso demais, me arrasto até o teu quarto, quando não durmo sentada. Tem sido bem difícil seguir neste ritmo. Mas tenho juntado forças e estamos indo bem.
Faço as tuas papinhas. Tem dias que eu gosto de fazê-las, mas não me sinto segura para fazê-las sempre, porque nunca havia feito antes. Não sei combinar os legumes e fico receosa de misturar alguma coisa que te faça mal. Se eu pudesse, delegaria esta função à tua bivó, sem dó nem piedade, mas ela mora muito longe. Diga-se de passagem que aqui em casa a nossa alimentação não é nem de longe perfeita, temos nos cuidado em relação a isto por tua causa, pra te dar um exemplo mais adequado, mas não perfeito. Um dia tu vais tomar refrigerante, vai comer salgadinho. É a realidade do mundo que vamos te apresentar. Não vais viver um sonho cor-de-rosa, filho. Me desculpe.
Já te disse que a primeira papinha que te dei foi demais, pois até vomitaste? Mas tua mãe não sabia teu limite, e estavas tão feliz comendo tudinho! Perdoa?
Eu parei de trabalhar pra te cuidar. Uma escolha minha. Uma possibilidade nossa, minha e de teu pai. Se não pudéssemos, tu estarias hoje em um berçário, porque não temos nenhuma de tuas avós aqui para ajudar na tua criação. Porque se tivéssemos, mamãe quando voltasse a trabalhar te deixaria com a vovó. Sem culpa. Mas quando tiveres um ano vais entrar na escolinha, independente de eu estar trabalhando ou não. Porque acredito que é importante para ti socializar com outras crianças, aprender a dividir as coisas e também porque acredito que eu preciso ter mais momentos pra mim, seja trabalhando, descansando, o que for.
Eu te crio sozinha. Não temos babá. Em parte porque não podemos, em parte porque não encontramos uma pessoa que seja digna de confiança. Mas grande parte porque eu quis. Mas a grande parte que me fez querer mudou de ideia na medida que cresceste um pouco mais e exiges toda atenção do mundo e quase não dormes durante o dia. Mamãe queria um tempo pra descansar, tomar um sol e voltar feliz, inteira para brincar contigo.
Sabe o que acontece, filho? A culpa não é sua nem das pessoas de tua geração. É muito anterior a vocês. É de uma época em que a maternidade era tida como algo mágico, colorido, sublime e divino. E, em parte é, pois gerar uma vida é algo transcendental. Mas esqueceram de lembrar que mãe é gente, e que esta expectativa em torno de seu papel, de Ser perfeito, não colabora em nada. E sabe o que mais me entristece? Este duelo é travado especialmente entre mães. Tu consegues acreditar nisto? Ao invés de se unirem, estas mulheres maravilhosas se degladiam. Verdade, filho, nós, mães (nem todas, sejamos justos) apontamos o dedo um na cara da outra dizendo que a nossa experiência é a melhor. A mais correta, mais bonita. Depois do advento da internet, então, estas super mulheres escrevem à queima roupa, julgando umas às outras, ao invés de terem uma postura solidária. E eu sofro por ver isto acontecer...
Mas tem uma coisa que eu quero te lembrar, e desejo que fique acima de qualquer suspeita: fazemos o nosso melhor para ti. Sempre. E vamos te educar para que aprendas a não julgar as pessoas, pois cada uma faz o seu melhor, mesmo que nos pareça muito pouco ou o pior que podem dar.
E mesmo que sejamos assim, tão falhos, te amamos MUITO. Um amor inquestionável, imenso, forte, puro, amplo, terno. Por mais que sejamos fracos, às vezes, ou na maior parte das vezes, somos de verdade. Somos os pais que podemos ser para ti, sempre buscando melhorar, mas ainda sim, humanos.
Desejo que estas revelações não abalem teu amor por mim.
Com todo amor de mãe imperfeita,
Mamãe.
Mamãe tem estado bastante absorvida pela fase final do mestrado. O tempo que sobra em relação aos teus cuidados tem sido dedicado inteiramente à esta pesquisa, por isso que não tenho mais vindo aqui. Mas está acabando, tudo vai voltar ao normal em seguida.
No entanto, não poderia deixar passar nem mais um dia, nesta urgência interna que grita dentro de mim.
Precisava vir registrar quem realmente é tua mãe. Talvez você se decepcione, mas é a mãe que tu tens.
Tu foste desejado desde os meus 14 anos. Te concebi aos 29, te tive aos 30.Tive quase 48 h de trabalho de parto e te pari por parto normal. Te amamento até hoje, aos teus 6 meses e meio de vida e pretendo ir adiante. Faço tuas papinhas. Até hoje, em teus seis meses, te crio sozinha, sem ajuda de ninguém além de teu pai. Parei de trabalhar pra cuidar de ti.
Bonito, feio? Super mãe, mãe de merda? Desculpe, filho, esta palavra é feia, mas já te disse que mães são seres humanos normais, comuns, que falam palavrão às vezes? Pois então, é a mais pura realidade.
Justamente sobre esta normalidade materna, sem super poderes, que vim escrever hoje. Temo que dentro da tua admiração natural de filho que ama os pais, possas esquecer um dia que somos de carne e osso. E que falhamos muito e erraremos ainda mais até que tu possas ter condições de avaliar isso com critérios de gente grande.
Mas está aqui, registrado. Tua mãe não é de ferro.
Eu te pari de parto normal porque eu quis, porque teu pai apoiou, porque a médica incentivou e porque a natureza permitiu. Não foi pra contar pra ninguém que eu sou forte, até porque, vou te te falar, acredito na força de outro jeito, na força simbólica das mães que não tem nada para dar de comer e tiram da sua boca para dar aos filhos, e não é o nosso caso, graças a Deus.
Eu te amamento porque eu quis, porque teu pai apoiou, porque a médica incentivou e porque a natureza permitiu.E por ser excelente para ti, lógico, mas foi um desafio que eu tomei para mim e venci. Desafio porque doeu muito no início, porque cansa, traz a sensação de privação de liberdade diante da necessidade de não se ausentar por mais de 2 horas de casa.
Atualmente ainda mamas de madrugada e eu canso demais, me arrasto até o teu quarto, quando não durmo sentada. Tem sido bem difícil seguir neste ritmo. Mas tenho juntado forças e estamos indo bem.
Faço as tuas papinhas. Tem dias que eu gosto de fazê-las, mas não me sinto segura para fazê-las sempre, porque nunca havia feito antes. Não sei combinar os legumes e fico receosa de misturar alguma coisa que te faça mal. Se eu pudesse, delegaria esta função à tua bivó, sem dó nem piedade, mas ela mora muito longe. Diga-se de passagem que aqui em casa a nossa alimentação não é nem de longe perfeita, temos nos cuidado em relação a isto por tua causa, pra te dar um exemplo mais adequado, mas não perfeito. Um dia tu vais tomar refrigerante, vai comer salgadinho. É a realidade do mundo que vamos te apresentar. Não vais viver um sonho cor-de-rosa, filho. Me desculpe.
Já te disse que a primeira papinha que te dei foi demais, pois até vomitaste? Mas tua mãe não sabia teu limite, e estavas tão feliz comendo tudinho! Perdoa?
Eu parei de trabalhar pra te cuidar. Uma escolha minha. Uma possibilidade nossa, minha e de teu pai. Se não pudéssemos, tu estarias hoje em um berçário, porque não temos nenhuma de tuas avós aqui para ajudar na tua criação. Porque se tivéssemos, mamãe quando voltasse a trabalhar te deixaria com a vovó. Sem culpa. Mas quando tiveres um ano vais entrar na escolinha, independente de eu estar trabalhando ou não. Porque acredito que é importante para ti socializar com outras crianças, aprender a dividir as coisas e também porque acredito que eu preciso ter mais momentos pra mim, seja trabalhando, descansando, o que for.
Eu te crio sozinha. Não temos babá. Em parte porque não podemos, em parte porque não encontramos uma pessoa que seja digna de confiança. Mas grande parte porque eu quis. Mas a grande parte que me fez querer mudou de ideia na medida que cresceste um pouco mais e exiges toda atenção do mundo e quase não dormes durante o dia. Mamãe queria um tempo pra descansar, tomar um sol e voltar feliz, inteira para brincar contigo.
Sabe o que acontece, filho? A culpa não é sua nem das pessoas de tua geração. É muito anterior a vocês. É de uma época em que a maternidade era tida como algo mágico, colorido, sublime e divino. E, em parte é, pois gerar uma vida é algo transcendental. Mas esqueceram de lembrar que mãe é gente, e que esta expectativa em torno de seu papel, de Ser perfeito, não colabora em nada. E sabe o que mais me entristece? Este duelo é travado especialmente entre mães. Tu consegues acreditar nisto? Ao invés de se unirem, estas mulheres maravilhosas se degladiam. Verdade, filho, nós, mães (nem todas, sejamos justos) apontamos o dedo um na cara da outra dizendo que a nossa experiência é a melhor. A mais correta, mais bonita. Depois do advento da internet, então, estas super mulheres escrevem à queima roupa, julgando umas às outras, ao invés de terem uma postura solidária. E eu sofro por ver isto acontecer...
Mas tem uma coisa que eu quero te lembrar, e desejo que fique acima de qualquer suspeita: fazemos o nosso melhor para ti. Sempre. E vamos te educar para que aprendas a não julgar as pessoas, pois cada uma faz o seu melhor, mesmo que nos pareça muito pouco ou o pior que podem dar.
E mesmo que sejamos assim, tão falhos, te amamos MUITO. Um amor inquestionável, imenso, forte, puro, amplo, terno. Por mais que sejamos fracos, às vezes, ou na maior parte das vezes, somos de verdade. Somos os pais que podemos ser para ti, sempre buscando melhorar, mas ainda sim, humanos.
Desejo que estas revelações não abalem teu amor por mim.
Com todo amor de mãe imperfeita,
Mamãe.
Postado por
Ligiane
às
05:21
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