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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Conhecendo novos amigos!

Filho,

Mamãe já comentou aqui o quanto as relações de amizade da mamãe se modificaram com o teu nascimento. Acredito que foi um processo natural. Muitas das amigas da mamãe não tem filhos e algumas sequer gostam de crianças. Outras não tenho a mínima ideia do que aconteceu, enfim. Dói um pouquinho aceitar que de repente é até melhor assim: que as pessoas que gostam realmente da gente e que se sintam abertas para esta mudança, que fiquem. E quem não... que aceitemos o fluxo ativo das mudanças. Mas isso é ótimo, sabe?

Nesta fase em que mamãe está em casa exclusivamente cuidando de ti, com todo prazer e amor do mundo, passou a interagir bastante na internet. Lembra que já te falei do twitter?rs Pois é. Mamãe fez amizades virtuais muito bacanas, e teve o prazer de conhecer pessoalmente a primeira mamãe amiga!

Foi neste final de semana, filho. Eu, tu e teu papai fomos visitar a tia Laudiane, mãe da Julinha. Fomos recebidos com muito carinho! A Lau é uma guria muito querida, atenciosa, uma mãe carinhosa e dedicada, com um astral muito bom!
Nós almoçamos com ela e sua família. Teve comidinha saborosa demais, feita por ela com todo carinho.

Mas mamãe precisa confessar. Não foi para conhecer a Tia Lau. Foi por este motivo:


Sim, Filho, foi para comer o tããão esperado arroz doce que a Tia Lau faz. Mamãe teve sorte que tu não nasceste com cara de arroz, pois desde a gravidez mamãe ouve falar no arroz doce que ela faz e nada, Filho... 
Mas, enfim, provamos e nos deliciamos. Valeu a espera! Sem falar que mamãe trouxe um potão de arroz para casa (abafa que a gente passa fome, filho).

A visita foi muito especial por uma série de motivos: conhecê-los, claro, receber tanto carinho, e posso dizer tranquilamente que uma das coisas mais bacanas foi ter tido a experiência de conversar sem reservas sobre os mesmos assuntos em comum: filhos! Descobri o gostinho de ser monotemática e não me preocupar com isso! Falar sobre os filhotes, das dificuldades e alegrias, amamentar junto (isso é muito especial, acredite!), trocar idéias, ver os filhos interagirem! Quanta alegria!

Filhote, preciso te lembrar do quanto tu e Júlia ficaram encantados um pelo outro. Olha só:


(esta pose não tá ajudando, agora que eu vi. Fora que tu estavas semi nu! Tá mais pra namoro e eu não tô preparada para isto antes dos teus 30 anos!)


Mas se for pra mamãe escolher uma nora, filho, que seja uma Gata como a Juju. Ela é perfeita de tão linda e simpática! Uma gostosura!! Sua primeira amiguinha, sabia? 




Depois desta visita mamãe voltou para casa mais feliz. Especialmente porque percebeu que não há nada errado em estar meio deslocada neste novo contexto da vida. Aos poucos a própria vida se encarrega de aproximar da gente pessoas especiais que vivem os mesmos momentos especiais, que, no nosso caso, envolvem a grande dádiva de ter filhos!

Filho, preciso dizer que você se comportou direitinho. Meio folgado, tá certo, até dormiu no bercinho da amiguinha!! Mas foi Tia Lau que permitiu, então tudo bem.

Começamos a nossa semana bem! E desejo que tenhamos outras oportunidades como esta para reencontrar sua amiguinha. Até porque as portas da nossa casa também estão abertas para eles!

E que outros encontros com outras amigas virtuais possam se tornar de carne e osso!

Com amor e 20 quilos a mais, 

Mamãe.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A construção do nosso vínculo

   
Filho,

Hoje tu fazes três meses de vida. Coincidiu com o dia da blogagem coletiva, e o tema é Vínculo. Coincidência? :o)

Antes de escrever, eu olhei o videozinho que teu pai fez do teu parto. Posso garantir que o vi com outros olhos. Me emocionei de forma diferente. 

É a primeira vez que eu olho o vídeo e te vejo nas imagens. Quando digo que te vejo, me refiro ao que você realmente é, ao que conheço de você nestes três meses de vida. Antes eu olhava as fotos e enxergava o meu desejo de ter um filho, o que eu esperava que ele fosse, o esboço de uma relação, que estava mais pautada nas idéias que eu tinha a teu respeito do que necessariamente quem você era.

Difícil explicar... Mas o que enxergo hoje ao fazer esta mini retrospectiva é fruto da nossa convivência, das nossas descobertas juntos, do conhecimento que eu e tu estamos adquirindo a cada dia, um a respeito do outro.

Hoje eu vejo as fotos e vejo o meu filho Rafael. Que eu reconheço o seu choro de fome, de cansaço. Que eu sei como provocar um riso, das coisas que lhe chamam a atenção e do que não gosta. Sei a forma como gostas de dormir e como resmungas se não estás daquele jeitinho. Aprendi contigo que nem sempre as coisas tem explicação, e aquele choro sem motivo às vezes não tem motivo mesmo! E que não vou ajudar em nada se insistir no meu velho modo de ser, tentando fazer caber nas minhas explicações racionais pra tudo nesta vida...

Quando eu penso no que ouvia das outras mães que "quando o meu filho nasceu senti o maior amor do mundo", lembro da sensação de culpa, de estranhamento por não entender o que diziam. "Não amo meu pequeno filho assim, será que sou uma mãe desnaturada? Será que por eu não amá-lo mais que a tudo nesta vida eu não sou digna da maternidade?" 

Hoje eu compreendo que eu não sentia tudo isso porque eu precisava te conhecer. Nós precisávamos deste tempo para nos reconhecermos um no outro. Nós precisávamos do nosso tempo para estabelecermos nosso vínculo de amor, de cumplicidade - e de estranhamento também. Uma coisa é fato: a gente não ama aquilo que não conhece.

Hoje eu te amo pelo que construímos. Te amo pelo vínculo que temos. Te amo pela sintonia que desenvolvemos em saber o que cada um está sentindo. Te juro que das vezes que chorei contigo no meu colo, a tua carinha de "interrogação" me fazia acreditar que, mesmo não compreendendo o que acontecia, tu compartilhavas daquele meu momento.

Eu fico imaginando o que eu direi daqui a um aninho, daqui a três, dez, vinte anos, quando o vínculo terá sido alimentado por muitos outros fatores, por outras descobertas, aprendizados... O que eu sei é que cada dia me surpreendo com a capacidade de amar  sempre mais, dia após dia. 

Não imagino minha vida sem ti, meu pequeno, imenso filho. A grandeza do sentimento que tenho por ti me dá força, me dá motivos para ser melhor, pra querer mais nesta vida, para ir muito mais além. Contigo e por ti, Rafa, tudo faz sentido.

Obrigada por me transformar em um ser humano melhor. Obrigada, mais uma vez, por permitir que eu aprenda, da forma mais doce e generosa, as coisas que este plano maior tem para mim, para nós.

E não canso de repetir...Obrigada por ter me escolhido como tua mãe. Faz três meses que a minha conexão com Deus também existe fora do meu peito.






Com todo amor do mundo,

Mamãe.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dos sentimentos contraditórios da maternidade

Filho,

Resisiti  para escrever aqui estes sentimentos malucos que passam pela minha cabeça e meu coração, mas entendo que para cuidar de ti, preciso da "razão e emoção" em ordem e escrever é uma forma de organizar as idéias. Permita-me compartilhar com o mundo virtual, então, já que o mundo real resolveu tirar férias de mim :o)

Primeiro, vale a ressalva que não tem nada a ver com o amor que sinto por ti. Pelo contrário, a cada dia te amo mais e me emociono ao ver os teus olhos fixados nos meus enquanto te amamento. Tuas mãozinhas começam a dar os primeiros sinais que os reflexos vão embora e aparecem os gestos intencionais: tu mexes os dedinhos por detrás de meu braço , agarra minha blusa e me olha...Tão singelo, tão puro!

Enquanto te abraço, vou ao espelho  ver a nossa imagem refletida e vejo uma cena que não me permite ainda acreditar: tu estás aqui comigo, tu, meu filho tão desejado, tão planejado! A isto eu dou o nome de felicidade simples, sublime, maior.

Junto com estes sentimentos especiais, no entanto, carrego a dicotomia de quem sempre sentiu tudo por inteiro. Também me sinto só. Nos momentos em que dormes e me pego em contato com o que sinto, percebo o quanto a maternidade traz um quê de solidão. Na maior parte das vezes sinto a solitude, e isto me agrega. Mas a solidão também me visita.

Me pergunto se gostaria que as coisas fossem diferentes. Mas não. Quero, gosto, desejei e desejo este momento contigo como nunca. Não queria estar trabalhando agora, talvez nem com tantas companhias assim, até porque com elas vem os palpites, as críticas e estou dispensando tais contribuições desnecessárias. A questão é que para alguém que usa a palavra como ganha pão, fica com dificuldades quando esta cala para dar espaço para os gestos e o cuidado com um único ser. Quem fala comigo?

Tu, filho. Teus sussuros, tuas vocalizações me preenchem de alegria. É o momento mais especial do meu dia! Mas como eu disse, não tem nada  a ver contigo este desabafo.

Sinto falta de troca, de novidades da vida alheia, de compartilhar tuas aquisições!

Como é uma miscelânea de sentimentos contraditórios, me vejo também exaurida pelo dia corrido, e quando tenho oportunidade de conversar com teu pai quando chega em casa, estou cansada, quero dormir. Família longe, amigos não sei bem onde estão... Somos eu, tu, os gatos da casa, a Balú e o papai quando chega em casa. Somos só nós.

Tudo é passageiro, não queria que as coisas apressassem seu momento de ser. Agradeço por tudo, só que  às vezes dói um pouquinho. Todo mundo tem seus dias, não é mesmo?

Pois então. Por hoje é só. Só, nos dois sentidos :o)

Vou ali te dar um abraço, que esse sentimento acalma.


Com amor, Mamãe.