Não foram poucas as vezes que eu ouvi "deixa chorar" quando alguma criança estava aos prantos. E muitas destas vezes, a criança em questão eras tu.
Hoje, mais segura quanto à forma como manejo situações de crise contigo, posso dizer tranquilamente:
Não é bem assim. Depende de inúmeros fatores, e a maior parte deles é subjetivo. Ou seja, cada mulher dirá qual o seu limite para tolerar ou o seu poder naquele momento para administrar o choro de seu filho.
E isto só sendo mãe para compreender.
Vou me explicar. Tomemos o exemplo de uma mãe recém parida, depois de vivenciadas todas as angústias, incertezas e influências familiares, hospitalares ou sociais. Diga a ela "deixe chorar"o pequeno filho! É bem possível que, se estiver muito fragilizada pelas circustâncias do parto, ela não tenha sequer condições de se posicionar.
Mas a grande verdade é que a maior parte das mulheres não se sente preparada para tolerar o choro do filho. De alguma forma nós, mulheres, somos agraciadas, na nossa genética, com todo um aparato que não nos permite deixar um bebê chorar à exaustão. Faz parte da química que protege a nossa espécie, permitindo que seus descendentes não sucumbam. Por isso o choro tem um papel de proteção, por isso o choro faz com que a mulher tenha o reflexo de querer saná-lo.
Existem inúmeras fórmulas didáticas, educativas que incentivam o "deixar chorar", seja para dormir, para administrar e ensinar limites, frustrações, preparar a criança para o mundo. Não questiono a validade e a importância de alguns destes pressupostos.
O que chamo atenção é para o quanto estamos atento às dificuldades de cada mãe, de cada pai, relativas ao momento de cada um para tolerar o choro da sua cria. Chamo atenção, de forma bem simples, para a compreensão do quanto isto demanda da mulher (e do homem) bastante equilíbrio, que muitas vezes não combina com as noites insones, a falta de suporte familiar, profissional que a mulher muitas vezes enfrenta junto com a maternidade, em períodos bastante sensíveis da sua história.
Acredito que frustrar, ensinar os limites, educar, é necessário e pilar da estruturação da personalidade dos filhos. Mas que não adianta impor à mulher, mais especificamente, que tolere as crises de birra, ou o choro sem motivo, ou mesmo por um motivo importante, se ela não está preparada para tal. É necessário apoio, orientação e muita, muita paciência - para com a mulher e com a criança.
Saio em defesa especialmente por que sei como esta tarefa é difícil e do quanto demanda. Jamais negligenciando o que deve ser feito, mas sim chamando a atenção para o quanto o apoio e conforto fazem a diferença inclusive para o sucesso da educação dos filhos. Pais que divergem quanto às decisões, quanto aos posicionamentos, especialmente quando o filho presencia tais estranhamentos, fragilizam o reconhecimento da "lei e da ordem" na própria educação. É exatamente quando o filho manipula os pais para atingir seus objetivos, especialmente por que sabe quais são as brechas entre o que o pai e a mãe pensam, e buscam por isso.
Assim, da próxima vez que me disserem "deixa chorar".......
( vinte minutos de silêncio, por favor, pelo que eu iria dizer e me calo, por consideração aos poucos, mas distintos leitores deste blog!)
Mas, ó, filho... Nada de achar que pode fazer escandalinho onde quer que seja! Salvos alguns momentos, dos quais falei acima, vai sentar no chão e chorar mesmo! Dói no coração da tua mãe, mas fazer o quê?
Por fim, agora entendo cada letra da expressão "ser mãe é padecer no paraíso". E isto que a parte mais difícil nem chegou! Ainda bem que faltam muitos anos para tua adolescência. :o)
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| Quando estás sorrindo é fácil, mas quando chora.... |

