segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Deixa chorar!

Filho,

Não foram poucas as vezes que eu ouvi "deixa chorar" quando alguma criança estava aos prantos. E muitas destas vezes, a criança em questão eras tu.

Hoje, mais segura quanto à forma como manejo situações de crise contigo, posso dizer tranquilamente:

Não é bem assim. Depende de inúmeros fatores, e a maior parte deles é subjetivo. Ou seja, cada mulher dirá qual o seu limite para tolerar ou o seu poder naquele momento para administrar o choro de seu filho.

E isto só sendo mãe para compreender.

Vou me explicar. Tomemos o exemplo de uma mãe recém parida, depois de vivenciadas todas as angústias, incertezas e influências familiares, hospitalares ou sociais. Diga a ela "deixe chorar"o pequeno filho! É bem possível que, se estiver muito fragilizada pelas circustâncias do parto, ela não tenha sequer condições de se posicionar.

Mas a grande verdade é que a maior parte das mulheres não se sente preparada para tolerar o choro do filho. De alguma forma nós, mulheres, somos agraciadas, na nossa genética, com todo um aparato que não nos permite deixar um bebê chorar à exaustão. Faz parte da química que protege a nossa espécie, permitindo que seus descendentes não sucumbam. Por isso o choro tem um papel de proteção, por isso o choro faz com que a mulher tenha o reflexo de querer saná-lo.

Existem inúmeras fórmulas didáticas, educativas que incentivam o "deixar chorar", seja para dormir, para administrar e ensinar limites, frustrações, preparar a criança para o mundo. Não questiono  a validade e a importância de alguns destes  pressupostos.

O que chamo atenção é para o quanto estamos atento às dificuldades de cada mãe, de cada pai, relativas ao momento de cada um para tolerar o choro da sua cria. Chamo atenção, de forma bem simples, para a compreensão do quanto isto demanda da mulher (e do homem) bastante equilíbrio, que muitas vezes não combina com as noites insones, a falta de suporte familiar, profissional que a mulher muitas vezes enfrenta junto com a maternidade, em períodos bastante sensíveis da sua história.

Acredito que frustrar, ensinar os limites, educar, é necessário e pilar da estruturação da personalidade dos filhos. Mas que não adianta impor à mulher, mais especificamente, que tolere as crises de birra, ou o choro sem motivo, ou mesmo por um motivo importante, se ela não está preparada para tal. É necessário apoio, orientação e muita, muita paciência - para com a mulher e com a criança.

Saio em defesa especialmente por que sei como esta tarefa é difícil e do quanto demanda. Jamais negligenciando o que deve ser feito, mas sim chamando a atenção para o quanto o apoio e conforto fazem a diferença inclusive para o sucesso da educação dos filhos. Pais que divergem quanto às decisões, quanto aos posicionamentos, especialmente quando o filho presencia tais estranhamentos, fragilizam o reconhecimento da "lei e da ordem" na própria educação. É exatamente quando o filho manipula os pais para atingir seus objetivos, especialmente por que sabe quais são as brechas entre o que o pai e a mãe pensam, e  buscam por isso.

Assim, da próxima vez que me disserem "deixa chorar".......

( vinte minutos de silêncio, por favor, pelo que eu iria dizer e me calo, por consideração aos poucos, mas distintos leitores deste blog!)

Mas, ó, filho... Nada de achar que pode fazer escandalinho onde quer que seja! Salvos alguns momentos, dos quais falei acima, vai sentar no chão e chorar mesmo! Dói no coração da tua mãe, mas fazer o quê?

Por fim, agora entendo cada letra da expressão "ser mãe é padecer no paraíso". E isto que a parte mais difícil nem chegou! Ainda bem que faltam muitos anos para tua adolescência. :o)

Quando estás sorrindo é fácil, mas quando chora....











quinta-feira, 4 de agosto de 2011

365 dias de miados e aprendizados!

Filhote,

Um ano!Trezentos e sessenta e cinco dias de vida!Estás praticamente um adulto jovem!

Não sei se o tempo passou rápido. Às vezes sinto que sim, às vezes não. Dizem para eu te aproveitar ao máximo, porque o tempo voa. Me pego pensando se de fato te aproveito. Me cobro porque às vezes fico olhando no celular enquanto te acompanho brincar. Te dou atenção genuína? -  me pergunto. Mas, no final das contas, sei que te curto e que estou contigo de verdade. O cansaço, a exaustão de quem cuida de um bebê  é natural, e acredito que seja normal a gente não estar com o sorriso no rosto falando mamanhês o tempo todo.

O que tenho a registrar antes das fotos e detalhes da tua linda festa, é o que aprendi neste 1 ano.

Que de fato a gente começa muito exigente com limpeza, tanto das pessoas que entram em contato com bebês pequenos como dos ambientes. E que, com o tempo, a gente relaxa, na medida mais adequada, e se dá conta que micróbios não matam e ainda fortalecem.

Que desenvolvemos um dispositivo que nos capacita a decidir, por nós mesmas, o que é melhor para vocês. Antes de vocês nascerem e bem no início de suas vidas, precisamos vigorosamente de opinião, de um caminho, de esclarecimento para então tomarmos as decisões por vocês. Com o tempo, somos capazes de absorver a informação e digeri-la conforme nossos pressupostos pessoais. Isso é mágico. Este é o empodeiramento materno de verdade.

Que tomamos decisões com um peso incomensurável por vocês, filhos, antes que vocês possam tomá-las por si mesmos. Decidimos os rituias de sua possível religião, decidimos nossos representantes ao escolhermos seus padrinhos, marcamos também algumas possibilidades para seus futuros quando optamos por fazer previdência, plano de saúde. Escolhemos suas escolas, seus amigos e até suas roupas.
E aprendi que não temos como acertar em tudo. Mas que esperamos que compreendam nossas escolhas, uma vez que serão, todas, feitas pensando no seu melhor - ou naquilo que acreditamos ser este melhor.

Que lavamos cada roupa tua à mão, esterilizando tanque, com  lava-roupas especial. Hoje, dá-lhe máquina de lavar. Ou seja, que o tempo seleciona o cuidado viável dentro daquilo que é realmente essencial.

Que a gente paga pela boca quando se vê repetir as mesmas frases que nossos pais, e, além disso, compreende cada uma delas, especialmente esta: quando você tiver filhos, vai entender. Sabe por quê? Por que entendi que a maternidade/paternidade é uma experiência única, e que nem por identificação você compreende o que ela é. Você pode sentir empatia, mas compreender, só vivendo na pele.

Aprendi que o lençol de cima não serve para nada, por mais bordado e lindo que ele seja. E que eu lembro de ter achado isso uma baboseira imensa (assim como a chupeta, balançar para dormir, entre outras).

Entendi de verdade que brinquedo é legal, mas é mais para os pais que para os bebês, já que caixas, tubos, frascos de verdade são muito mais interessantes para vocês. E que, mesmo assim,  compra (pra gente ficar) feliz da vida.

Aprendi o desespero da mãe que o filho não come, do que adoece, de quando não pode estar presente. Ainda, compreendi que existe uma outra chavinha que vira quando somos pais e passamos a nos emocionar com partos, crianças e suas respectivas conquistas e angústias.

Entendi o papel da escola mesmo desde muito cedo. E aprendi que mãe demais intoxica e que de menos prejudica.

Que o medo de perder alguém se torna ainda mais aterrorizante, angustiante, quando temos filhos. Que existem horas que é verdade: queremos empurrá-los para dentro da gente para  protege-los. Ao mesmo tempo, nos tornamos agigantados, imensos quando se trata de defende-los. É como se ativássemos um botão dentro da gente que nos tornasse um Transformer daqueles super ultra imensos e cheios de poderes, saca? (falou a velha mãe aqui... Eu sei que tu nem sonhas do que se trata, mas um dia também explico isso. Pior seria eu dizer que me tornaria um Ben 10).

E que, mais do que todas estas linhas (por que eu sou prolixa mesmo e escrevo pra car...amba), tem coisas que a gente nao consegue traduzir em palavras e só resta sentir. E que sempre cabe mais amor dentro do peito, que transborda, que contagia, que é imenso na sua mais ampla concepção.

E, ó, filho... O mais incrível de tudo é que eu me enquadro na regra universal que diz que, para as mães, os seus filhos são os mais lindos, mais precoces, mais espertos e inteligentes do mundo (mas e tu és mesmo, viu, Filho?)

Que o mundo te acolha sempre com muita alegria e gentileza! E quando não for assim, estarei aqui com meus braços bem abertos para te aconchegar!

Te amo além do infinito, onde os gatos  pulam muros no horizonte do cerrado mais distante!