quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

É hora de agradecer

Meu Filho,

Se tu não te importares, gostaria de escrever aqui meus agradecimentos de final de ano. Na verdade eu aprendi a agradecer todos os dias pelas coisas e pelas pessoas que tenho em minha vida, mas fazer um balanço de final de ano faz parte do processo de encerrar um ciclo.

Queria agradecer pela minha saúde. Sem ela não chegaríamos juntos aqui. Agradeço ainda mais pela tua saúde. Pela de meus familiares e amigos também. Acompanhando pessoas doentes modifiquei a ordem de valores da vida, percebendo que é nosso bem maior.

Agradeço pelos amigos que eu tenho. Pelos poucos amigos que eu tenho que são valiosos, sinceros e que são perenes. Estes valem mais que barras de ouro.
Agradeço também pelos amigos que eu conquistei: os virtuais, os reais e os que eram virtuais e que são reais agora (especialmente as twitmães!).
E com uma gratidão muito grande eu agradeço os que foram embora da minha vida. Simplesmente pelo fato de que até as pessoas ocupam espaço e nos fazem mal quando não cabem na vida da gente conforme vamos mudando. Obrigada pela limpeza que naturalmente a vida fez nas minhas relações.

Obrigada pelo marido maravilhoso que eu tenho, que cuida de mim em todas as situações, que é meu amigo, meu companheiro e fiel ouvinte. Agradeço por este mesmo homem ser o pai mais especial, participativo, generoso, responsável  e carinhoso que eu poderia escolher para ti. Só tenho a me orgulhar pela relação que construímos, apesar de alguns arranhões que o dia-a-dia causa.

Agradeço pela família que eu tenho e que aprendi a amar apesar de suas dificuldades e características. Eu os amo ainda mais, depois de um longo percurso entre conhecê-los e aceita-los como são. Especialmente agradeço por serem os melhores avós, melhores tios, bisavó e primos que tu poderias ter também. Que benção foram os encontros e reencontros que aconteceram neste ano!
Obrigada por mais um ano de vida de minha amada avó aqui conosco, no auge de seus 85 anos. Obrigada pela mãe zelosa que eu tenho e que é uma leoa, corajosa, guerreira. Agradeço por sua saúde. Obrigada por meu pai decidir viver, apesar da doença e muito além das limitações.

Agradeço pela escolha que fizemos em relação à tua madrinha. Ela é presente, carinhosa, uma amiga muito especial para tua mãe. Sei que te confiamos à pessoa certa.

Merece atenção a gratidão que tenho às pessoas que facilitaram as nossas vidas ao longo deste ano. Alguns deles fizeram, muitas vezes, o papel de amigos e familiares. Agradeço pela presença e carinho da adestradora da Balú que a cuida como filha, à menina da portaria que hoje está cuidando dos nossos gatos na nossa ausência, à veterinária dos nossos filhos animais,  à faxineira que cuida de nossa casa. À menina que cuida das minhas costas semanalmente para eu seguir te segurando e embalando.

Obrigada pelo primeiro Natal que tivemos contigo, que me permitiu ter gosto pela data, já que antes era sem cor por não termos criança na nossa companhia.

Agradeço pelas etapas que venci do mestrado, mesmo com toda dificuldade me termina-lo. Obrigada às pessoas que me auxiliaram, especialmente minha orientadora, algumas amigas, à Balú, aos participantes da pesquisa e ao meu marido mais uma vez. Tudo transcorreu abençoadamente mesmo com a proximidade de tua chegada na época da execução da parte prática.

Agradeço pela companhia de nossos animais de estimação. Pela presença constante, pelo carinho e até pelo cuidado que tem com a gente. Acredito que amor a gente não agradece, retribui, mas mesmo assim agradeço pela existência e pelos ensinamentos que a convivência com eles nos permite. Obrigada por a Tula, minha pequena princesinha, me acompanhar por todos os cantinhos da casa e me fazer sentir cuidada.

Agradeço pela convivência e cuidado com a médica que te trouxe ao mundo. Aquela mulher é uma pessoa especial, exemplo de cuidadora de corpos e almas. Tenho admiração e amor por ela.

Agradeço a oportunidade de ter podido cuidar de algumas pessoas até a sua morte, por ter aprendido tanto com elas e saber que a saudade que sinto é sinal de que o que vivemos foi real e importante. Obrigada pelos momentos de reencontro com os seus entes queridos que ficaram e o contato esporádico que garantem certezas que a vida segue seu rumo. Obrigada por todo carinho que recebi e pelas certezas que colhi de que estava fazendo a coisa certa.

Obrigada por ter a oportunidade de interromper temporariamente o curso destes trabalhos e me dedicar ao cuidado com a pessoa mais importante da minha vida. Este privilégio eu agradeço todos os dias.

Obrigada pelos momentos diários de contato, de aprendizado, de amor ao teu lado. Sou uma mulher de sorte dobrada por acompanhar cada aquisição do teu desenvolvimento.

Por mais que eu tenha milhares de outros motivos para agradecer, eu quero dar toda atenção que resta desta noite para o meu maior agradecimento, para o qual eu devo cada dia da minha existência. Se eu vivi até o dia 21 de julho de 2010, o dia que nasceste, foi para dedicar o resto dos meus dias para agradecer pela oportunidade de ser tua mãe.

Por isto, obrigada pelo parto que eu tive. Pela benção que foi te colocar neste mundo. Pela tua saúde, pela tua beleza, pela tua existência.

Obrigada pela tua vida.

Obrigada por seres meu filho.

Obrigada, de todo meu coração, por saber, por meio de ti, o que é este milagre de ser mãe.

Obrigada por cada movimento desta vida ativa que se manifesta por meio da tua existência. Obrigada por seres a lente pela qual eu vejo o mundo desde que nasceste, pelo colorido, pelo sabor da vida, pelas nunaces que eu não conhecia e que hoje eu posso presenciar. Obrigada pela família que constituimos.

Gratidão, meu Deus, pelo nosso encontro. Ou reencontro, quem é que sabe? :o)

Todo amor do mundo, toda gratidão do universo por este ano de 2010, muito acima de todas as dificuldades!


Mamãe.
Gratidão, Mãe das Águas!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O terrorismo das cantigas de roda

Filho,


Mamãe tem dificuldade para cantar as cantigas populares para ti. Primeiro porque mistura todas as letras, canta errado, é um fiasco. Segundo porque as letras são, no mínimo, carregadas de traumas em potencial.
Vou explicar.


Comecemos por "Samba Lelê"...


"Samba Lelê está doente 
Está com a cabeça quebrada 
Samba Lelê precisava 
De umas dezoito lambadas"


Filho do céu, Lelê doente, com traumatismo craniano e ainda por cima precisa apanhar mais ainda?
O que vou te explicar?


Ainda na mesma música, um ensinamento perigoso a respeito da conduta com tarefas domésticas. E mamãe que prima por tua segurança, o que vai dizer?Olha isto:


"Ó Morena bonita
Como é que cozinha
Bota a panela no fogo
Vai conversar com a vizinha"



E pra mamãe que AMA felinos, o que te dizer do clássico "Atirei o pau no gato"? 


Atirei o pau no gato (Não acredite nisso, filho)
Mas o gato
Não morreu (Graças a Deus)
Dona Chica
Admirou-se
Do berro, do berro que o gato deu (Pobre gato, filho)


Agora a "
Ai, Eu Entrei na Roda"...

"Sete e sete são quatorze, com mais sete, vinte e um
Tenho sete namorados só posso casar com um" (COMO assim?????Poligamia???)

Tem a "Cachorrinho"..

"Cachorrinho está latindo lá no fundo do quintal
Cala a boca, Cachorrinho, deixa o meu benzinho entrar"(E a gente que diz que não pode falar palavrão, que é feio desrespeitar as pessoas, como é que fica?)

O que dizer de "Ciranda Cirandinha"?

"O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou (Falta de cuidado com as coisas que se ganha, não?)
O amor que tu me tinhas 
Era pouco e se acabou" (Que triste!)

Mas não acabou, Filho, temos "O Cravo e a Rosa";

"O Cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido (O que não fizeram, hein...)
E a rosa despedaçada(Desgraça pouca é bobagem...)

E acho que tenho explicação para as nossas noites mal dormidas, Filho. Você deve ter ouvido alguém cantarolar "Nana Neném", só pode. Veja isto:

"Nana neném 
Que a Cuca vem pegar (Um bebê esperto não dormiria jamais!)
Papai foi pra roça (quase isso, São Paulo, essas coisas..)
Mamãe foi trabalhar" (então é isso?te deixamos com a Cuca,Papai vai pro interior e mamãe trabalha?)

Filho,

É, como tu pudeste ver, quem inventou estas musiquinhas não devia estar muito bem.Tem problema não! Mamãe seguirá errando as letrinhas, inventando outras, com a perfeita desculpa que é para preservar a tua integridade moral e garantir uma boa educação. Será que cola? :o)

Com todo amor,

Mamãe.

Essa é em homenagem à "Ai,eu entrei na roda":
"Essa noite eu tive um sonho que chupava picolé
Acordei de madrugada,chupando dedo do pé"










quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desabafo de uma mãe exausta

Filho,

Carrego no peito um sentimento muito ambivalente. Queria que o tempo congelasse para te  ter pequenininho para sempre. Às vezes sofro quietinha, escorrem as lágrimas porque sei que estes nossos momentos são muito passageiros. Sei que muito em breve tu vais querer explorar o mundo com tuas próprias perninhas, que não vais querer mais colo pois cada descoberta vai ocupar muito do teu tempo e da tua vontade. Me emociono e sofro por imaginar que este é um momento tão único, tão precioso e tão efêmero! Cada vez que alguém me diz "curte muito porque passa muito rápido", é como se eu recebesse uma responsabilidade que pesa 500 kg.

Será que estou sendo capaz de curtir realmente meu pequeno filho? Será que estou retendo na memória os bons momentos do teu desenvolvimento?

Ando muito cansada. Eu sei que a ambivalência vem quase toda disso. Quando acordas de madrugada querendo brincar, queria acelerar o tempo. Te fazer crescer mais e te tornar mais independente, pra eu dormir e ter uma única noite de sono para acordar mais leve, mais bem disposta.

Meu coração se aperta em culpa por desejar isto! Tanto te quis!Tanto idealizei estes momentos ao teu lado!

Queria às vezes desaparecer. Queria ter o mínimo de tempo tomando um banho demorado, sair sem hora pra voltar... Queria não ter que cumprir com a responsabilidade de terminar um mestrado em dois meses...

Eu sei que é exaustão. Para mim esta fase que estou vivendo é como dirigir 24, 48, 72 horas sem parar. Atenção focada, cérebro em alerta o tempo todo, não desliga, não descansa. A rotina com um bebê pequeno exige atenção full time. Quando acordado, atenção para que não se machuque, para reconhecer suas necessidades. Quando dormindo quem sabe o que é ter uma babá eletrônica no ouvido a noite toda entende: cérebro em vigília o tempo todo. Ao menor suspiro, eu acordo. E tu te viras de barriguinha para cima e geme, é necessário levantar, ir ao teu quartinho e te colocar em uma posição confortável.

Quando vejo tuas fotos, me pergunto como pudeste crescer tanto e meus olhos não acompanharem. E tens só 4 meses e meio! Sofro ao imaginar que em algum momento não caberás mais no meus braços.

Às vezes me pego sem paciência. Me sinto a pior mãe do mundo. Queria ser melhor para ti.

Todas as decisões que tomei, especialmente em ficar contigo até fazeres um ano - por isso pedi demissão -, foi pensando em te dar o melhor. Mas eu me pergunto se estou conseguindo...

Às vezes me sinto sozinha demais. Às vezes queria que  alguém se dispusesse a ficar contigo algumas horinhas para fazer as coisas que precisam ser feitas. Mas como, se estamos, de fato, muito sozinhos? Ao mesmo tempo que isto nos fortalece, nos enfraquece, pois reflete em esgotamento físico e mental.

Me preocupo se estás me manipulando, se ao chorares consegues o que queres porque não consigo mais te ouvir chorar, pois estou cansada... Ouço as pessoas dizerem para te deixar chorar, mas não consigo, estou no meu limite! Penso de que forma posso te ajudar a entender que é preciso esperar sem que isso resulte em uma guerra de nervos pois tu abres o berreiro, ficas vermelho como se tivessem te batido. És muito bravo! O que eu devo, realmente fazer?

Teu pai tem trabalhado muito e eu compreendo. Mas, ao mesmo tempo, isso tem redobrado a responsabilidade que tenho contigo, pois não tenho com quem dividir.

Às vezes escrever ajuda. Estou mais calma e, por incrível que pareça, minha maior vontade neste momento é ir no teu quartinho, te pegar no colo e te dizer o quanto te amo!

Perdoa esta tua mãe, filho... Eu te juro que me esforço para ser o melhor para ti, mas a cobrança que nós, mães, nos colocamos é tão grande que é fácil adoecer assim, pois tendemos a não reconhecer nossos limites.

Me sinto mais leve. As lágrimas que vieram em massa já se foram. Que Deus permita que amanhã eu acorde a mãe que tu mereces que eu seja.

Com todo amor do mundo,

Mamãe


OBS:

Por isso escrevo. E há quem acredite que isso é exposição da intimidade, de uma forma não salutar. Melhor seria, ao ver destas pessoas, que mães como eu enlouquecessem de vez o invés de recorrer a uma ferramenta como esta: dividir seus sentimentos com tão íntimos desconhecidos, que vivem a mesma ou semelhante realidade. Bom é que nem todo mundo pensa igual, e que os verdadeiros interessados se apoiam mutuamente.

E é por isso que agradeço a oportunidade de não ser julgada por aqueles que me lêem, pois já o faço arduamente sem que ninguém sequer se apresse em fazê-lo por mim.


C'est la vie.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A saga do sono no quartinho

Filho,

E não é que faz uma semana que estás dormindo no teu quartinho? Mamãe é assim: quando decide, vai até o fim. A questão é que mamãe está só a "capa da gaita".
Transições às vezes demandam um bocado da gente.

Apesar desta transição, permaneces com a rotininha para o sono inalterada.

Tudo começa às 16:00, quando dormes até às 18:00 (situação ideal, isso muda alguns dias)
Das 18:00 às 20:00, acordado, brincando. Chamamos de horário do limbo, entre o céu e inferno, já que tens que ficar acordado, e se dormires, aí acabou a certeza de que vais capotar de sono. Já fizemos isso mil vezes e é batata. Então teu humor já está pra lá de flutuante...

20:00 banho. Aí varia: com choro ou sem choro no final, especialmente se for a hora de vestir a roupinha. Se fosse por ti, pedirias para dormir peladão.

20:30, mamada, logo em seguida, caminha.

Como tem sido nesta semana em que dormiste no teu quartinho:

Primeiras noites tu acordaste mais do que o normal para mamar. Um recém nascido returns!

Noites seguintes, menos acordadelas, mas quando acordavas, pronto, o dia havia começado, ali, naquela madrugada até nunca mais... Mamãe zumbi, ativar!

Final de semana até hoje, acordando menos, mas ainda estás fora do teu padrão de sono. É ter paciência e ver como as coisas serão. O calor tem incomodado muito, tu suas horrores durante a noite e especialmente nas mamadas. Tens tomado banho à noite, pela manhã e à tarde. Ainda bem que a pele não gasta, senão...
Estamos pensando seriamente em providenciar um ar condicionado para refrescar teu quarto antes de dormires. A parede de teu quarto pega sol o dia todo, então imagine! Pobre Gato, morrendo de calor!

Mas se fosse só a transição para o quartinho, filho...

Tens rejeitado teu papai para te fazer dormir que é uma dó só. É ele te pegar no colo para embalar que tu abres o berreiro. Logo ele, que era campeão em te fazer dormir em pouco tempo! O fazedor-de-dormir-oficial!
É mamãe te pegar no colo e tu fechares o biquinho n-a-h-o-r-a! Um sofrimento para teu pai. E para mamãe também, já que sente que estás dependente da presença de mamãe (tem um gostinho bom, confesso, pois que poder tem uma mamãezinha, hein?..rs)
 Já pensou se eu quisesse deixar-te com alguém  para ir ao cinema com papai depois que dormisses?(sonho meu) Ninguém iria te bastar, porque vais chorar? Não pode ser assim...

Por isso, estamos pensando em uma alternativa à te embalar, pois assim  teu pai fica mais nervoso quando não consegue te acalmar. E para mamãe tem sido uma ótima opção para as costas, já que, se seguirmos neste ritmo de te embalar até um ano de idade, pobre coluna de mãe!
A opção é te colocar em cima do peito e ninar fazendo aquelas batidinhas no bumbum. Tem dado certo comigo. Vamos ver como papai se sai. Sugestões dos leitores são bemvindíssimas (isso existe?)

É filho, e estes são os primeiros desafios de teus pais diante do teu desenvolvimento. Não quero nem pensar no dia que.....Deixa pra lá, não precisamos mencionar essas mulheres peçonhentas, horrorosas que irão desejar a tua alma teu corpo e tudo mais. Idéia fixa essa minha,não?


O que mais importa, filho, é que tudo segue bem e cada dia estás mais amado e querido.



Com todo amor do mundo,

Mamãe insone

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dormindo sozinho

Filho,

E agora tu és praticamente um homenzinho. Dormes no teu quartinho, sozinho, sem mamãe e papai!
Hoje será o segundo dia.

O primeiro, ontem, foi meio difícil para mamãe, pois teve que acordar na madrugada, ir até teu quarto, amamentar-te e voltar para a cama. Mas o que realmente foi mais complicado foi dormir com a babá eletrônica no ouvido. Qualquer mínimo chiadinho mamãe acordava!

Mas sabemos que é importante para todos que, aos poucos, tenhas a tua rotina estruturada e esta transição é necessária. Tudo começou quando papai chamou a atenção para o fato que estás quase do tamanho do moisés que está no nosso quarto! Quase não cabes mais!

Quanto mais o tempo passasse, mais difícil seria te acostumar com teu quartinho. Por tudo isto, está feito.

 Foste arrancado de tua pobre mãe (ao fundo, som de música para melodrama, por favor), que não dorme mais ao pensar que seu pobre pequeno filho está pronto para o mundo, pois não necessita mais de sua mamãezinha amada, sofrida, inconformada pela semi independência de seu rebento! Oh, vida!
(ficou bom o drama grau 10?)

Uma coisa é certa: mamãe e papai fazem tudo pelo seu bem. Mesmo que isto implique em uma separação breve todas as noites!

Com amor,

Mamãe.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

4 meses de puro amor!

Filho,

Fizeste quatro meses neste domingo passado! Quanta alegria para teus pais.
Tua bivó ligou, como sempre, liga a cada mês que completas. Vovó e titia também.

A cada dia tu nos surpreendes com uma conquista! Desde os teus 3 meses e meio estás mais alerta, mais atento, curioso. Se dependesse da tua vontade, tu estarias sentando e andando. Ficar deitado? Para quê, já que consegues segurar os objetos e coloca-los TODOS na boca? Ficar sentado é muito mais interessante, especialmente porque podes ver o mundo à tua volta.

Encantas a todos que passam pela tua frente. Não estranhas as pessoas. Mas chorou diante de 2 pessoas, até hoje, que curiosamente são pessoas com energias muito ruins. Mistérios...

Estamos conseguindo sair mais de carro. Trajetos curtos são possíveis. Trajetos médios, mais ou menos. Mamãe descobriu que colocar o som alto, com o "barulhinho do útero"(mais parece um aspirador de pó), te acalma um pouco nas crises de choro. Estamos progredindo!

Observas os irmãos animais, percebe-os. Ainda não permitimos interações maiores. Mas é gostoso ver como Balú já anda mais devagar ao lado de teu carrinho. Antes ela nos puxava, indo à frente.

Teus brinquedinhos preferidos são: uma bola, um passarinho, que chamamos de  Garibaldo e teu ursinho Puff.

És muito tranquilo, alegre. Mas MUITO bravo também. A experiência de não te atender quando solicitas é bem complicada: tu abres o berreiro! Também, és filho de quem, não é mesmo?rs

Mamãe tomou a decisão de ficar contigo em casa e para isso, pediu demissão do trabalho. Te desejei tanto, te esperei tanto, que não poderia te deixar aos 4 meses de vida sob os cuidados de uma desconhecida, sem que pudesses comunicar caso te fizessem mal. E escolinha, acho cedo. Agradeço a Deus a oportunidade de poder ficar contigo. Sei do sofrimento de muitas mamães que não podem.
Trabalho mamãe resgata depois, te ver desenvolver não.

Dormes desde os 2 meses e meio quase a noite toda. Acordas às 4 ou 5 da manhã para mamar e dorme de novo. Temos sorte? :o)

Mamas a cada 2 horas de dia. Haja peitão! Mas mamãe o faz com MUITO prazer!

Tiveste a primeira prisão de ventre. Tens ficado mais "preso". Mamãe sofre com isso.

O primeiro resfriado! Quanto sofrimento! Foi contato com gente doente, dentro de casa, filho!mamãe passou madrugadas acordada contigo, que não conseguia dormir porque o nariz estava entupido. Ô dó! E Tylenol? Filho, cospias todo remédio!

E a nebulização? Fazias segurando a cânula, todo independente!



Estou aproveitando cada dia teu, cada sorriso. Como tenho sorte, meu Deus.. Teu pai baba por ti, horrores! Filhote, te amamos cada dia mais.

Obrigada por ser este anjo de luz!


Com amor,

Mamãe

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os irmãos animais do Gato

Filho,

Tu chegaste a uma família muito plural. A diversidade nesta casa impera! Nossa família é a composta por sete elementos, digamos assim. Antes de você chegar, éramos em seis: eu, papai, Ralph, Brigith, Tula e Balú. Nesta foto tu já estás conosco, na barriga da mamãe.




Balú, a irmã canina, mudou de comportamento quando mamãe engravidou de ti. Se isolou, chegava perto só do papai. Foi então que mamãe conversou com a Tia Katia, adestradora da Balú. Ela recomendou que eu falasse com ela e explicasse que tudo ficaria bem, que um irmãozinho estava chegando. Imagina só, logo eu, que tinha dificuldade de conversar com a barriga, explicar para um cãozinho? Pois bem, eu fiz isso. Tia Katia explicou que os animais, especialmente as fêmeas, sentem as alterações hormonais e os cheiros característicos. Por isso ela deveria sentir as mudanças todas.
Sentei no chão, expliquei pro cãozinho (como a chamamos carinhosamente). Coincidência ou não, o cão prostrado, sem contato visual, levantou e foi trazer seu osso para mim. As pazes estavam feitas.

Quanto aos irmãos felinos, estes não pareciam perceber quaisquer mudançs da gravidez. Exceto Tula, a filhotinha da mamãe. Esta grudou em mim. Tanto que quando estive em trabalho de parto, como já contei aqui, ela ficou o tempo inteirinho ao meu lado. Na banheira, andando pela casa...Uma doula excepcional!

Aí tu nasceste. Ao chegar em casa, fomos orientados pela Tia Katia para que a Balu já estivesse em casa quando chegássemos, para não sentir que seu espaço estava sendo tomado por ti. Permitimos que a Balú te cheirasse, lambesse teu pezinho. Mas o contato ainda hoje é cauteloso, por questões de higiene, por enquanto. Quando tiveres mais imunidade, aí sim estará liberado.

Balú te conhecendo,

 Brigith se aproximando,

 Ralph dando a bênção,

Tula muito curiosa,

 Balú de guarda,


Brigith em pé no teu carrinho.


 Balú e Ralph, na caminha,


 Tula te cuidando,

E não é que alguém inaugurou o teu tapetinho de atividades?

 Tirando um cochilo,

 Posando para foto,

 Sendo companheira enquanto mamãe te amamenta,

 Irmãs velando teu sono,

Ok, ok, ela passou dos limites. No berço não!

Observação importante para os queridos visitantes do blog: mamãe aqui toma todos os cuidados de higiene e de saúde com os animaizinhos da casa. Embora façam parte da família e sejam tratados como tais, mamãe não é tão louca a ponto de negligenciar o filhotinho humano. E as interações com o pequeno são supervisionadas, tá? 
Vai que alguém lê e pensa que o Rafa vai ser incentivado a comer com as patinhas, digo, mãozinhas, no potinho de ração? Não, calma! Ainda resta um tiquinho de saúde mental aqui :o)

Filho,

Desejamos que a interação com teus irmãos animais colabore para que sejas um menino afetivo, seguro, alegre, com senso de responsabilidade pelo bem estar de outras vidas. É o que mamãe entende como um legado especial para ti dos estudos que faz sobre a interação entre homens e animais e, acima de tudo, da experiência saudável que teve desde a infância em meio a tantos bichinhos.

Difícil vais ser quando tu quiseres recolher da rua todos os gatos pulguentos e cães sem patinha! Como mamãe faz para dizer não? :o)

Mas mamãe jura que o Gato mais gato do mundo és tu. 

Ronronantemente,

Mamãe.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Conhecendo novos amigos!

Filho,

Mamãe já comentou aqui o quanto as relações de amizade da mamãe se modificaram com o teu nascimento. Acredito que foi um processo natural. Muitas das amigas da mamãe não tem filhos e algumas sequer gostam de crianças. Outras não tenho a mínima ideia do que aconteceu, enfim. Dói um pouquinho aceitar que de repente é até melhor assim: que as pessoas que gostam realmente da gente e que se sintam abertas para esta mudança, que fiquem. E quem não... que aceitemos o fluxo ativo das mudanças. Mas isso é ótimo, sabe?

Nesta fase em que mamãe está em casa exclusivamente cuidando de ti, com todo prazer e amor do mundo, passou a interagir bastante na internet. Lembra que já te falei do twitter?rs Pois é. Mamãe fez amizades virtuais muito bacanas, e teve o prazer de conhecer pessoalmente a primeira mamãe amiga!

Foi neste final de semana, filho. Eu, tu e teu papai fomos visitar a tia Laudiane, mãe da Julinha. Fomos recebidos com muito carinho! A Lau é uma guria muito querida, atenciosa, uma mãe carinhosa e dedicada, com um astral muito bom!
Nós almoçamos com ela e sua família. Teve comidinha saborosa demais, feita por ela com todo carinho.

Mas mamãe precisa confessar. Não foi para conhecer a Tia Lau. Foi por este motivo:


Sim, Filho, foi para comer o tããão esperado arroz doce que a Tia Lau faz. Mamãe teve sorte que tu não nasceste com cara de arroz, pois desde a gravidez mamãe ouve falar no arroz doce que ela faz e nada, Filho... 
Mas, enfim, provamos e nos deliciamos. Valeu a espera! Sem falar que mamãe trouxe um potão de arroz para casa (abafa que a gente passa fome, filho).

A visita foi muito especial por uma série de motivos: conhecê-los, claro, receber tanto carinho, e posso dizer tranquilamente que uma das coisas mais bacanas foi ter tido a experiência de conversar sem reservas sobre os mesmos assuntos em comum: filhos! Descobri o gostinho de ser monotemática e não me preocupar com isso! Falar sobre os filhotes, das dificuldades e alegrias, amamentar junto (isso é muito especial, acredite!), trocar idéias, ver os filhos interagirem! Quanta alegria!

Filhote, preciso te lembrar do quanto tu e Júlia ficaram encantados um pelo outro. Olha só:


(esta pose não tá ajudando, agora que eu vi. Fora que tu estavas semi nu! Tá mais pra namoro e eu não tô preparada para isto antes dos teus 30 anos!)


Mas se for pra mamãe escolher uma nora, filho, que seja uma Gata como a Juju. Ela é perfeita de tão linda e simpática! Uma gostosura!! Sua primeira amiguinha, sabia? 




Depois desta visita mamãe voltou para casa mais feliz. Especialmente porque percebeu que não há nada errado em estar meio deslocada neste novo contexto da vida. Aos poucos a própria vida se encarrega de aproximar da gente pessoas especiais que vivem os mesmos momentos especiais, que, no nosso caso, envolvem a grande dádiva de ter filhos!

Filho, preciso dizer que você se comportou direitinho. Meio folgado, tá certo, até dormiu no bercinho da amiguinha!! Mas foi Tia Lau que permitiu, então tudo bem.

Começamos a nossa semana bem! E desejo que tenhamos outras oportunidades como esta para reencontrar sua amiguinha. Até porque as portas da nossa casa também estão abertas para eles!

E que outros encontros com outras amigas virtuais possam se tornar de carne e osso!

Com amor e 20 quilos a mais, 

Mamãe.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Cenas de uma realidade surreal

Cena 1 - no salão de beleza

-Oi, vim fazer as unhas.
-Ah, sim, por ali.

(depois de uma hora: pé esticado, uma mão na mão da manicure e outra embalando o carrinho)

- Ele tá choramingando por que está com fome.
-Não, ele mamou antes de sair de casa, ele tá é cansado.
-Sei bem por experiência própria, é fome. Quando minha filha tinha três meses, chorava muito, aí dei caldinho de feijão e ela dormiiiiiu feito um anjo. A partir dali, começou a comer que era uma beleza! Viu, aposto que seu leite é fraco.

(aqui, um sorriso amarelo com náusea como resposta, seguido de um olhar fulminante)

Conclusão: Transeuntes, manicures, cabeleireiras e afins sabem mais de nutrição infantil do que a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Cena 2 - no mesmo ambiente

-Que linda sua filha!
-É menino, chama Rafael.
-É menino? Ah...  ELA chora muito?

Conclusão: falta de bom senso é artigo raro.

Cena 3 - no mesmo ambiente (sim, durou uma eternidade)

(empurrando carrinho, de costas, por que Gato estava resmungando quando virado para mim. Entra uma louca, digo, mulher)

-Ah, não está funcionando você embalar, ele está com os olhos beeeem abertos.
-Não é para dormir, senhora.
-Se ficar embalando assim, ele vai ficar mimado. não está certo isso, com meus filhos... (blá, blá, blá, blá - 25 minutos de explicação referentes a como criar um filho perfeito)
-Ahã.
-E olha como ele balança os bracinhos, ele é bem nervoso. (leia-se, aqui, criança de três meses balançando os braços de acordo com as competências da etapa de seu desenvolvimento neuromotor) - (bonito isso, não?)

Conclusão:  O conhecimento técnico de transeuntes, manicures e cabeleireiras não se esgota ou restringe: também sabem muito sobre desenvolvimento neuropsicomotor e comportamento.
Psicólogos, por que estudais?

Cena 4 - no cartório


(saindo da cerimônia de casamento civil de uma amiga querida)

-Olha que lindo o Rafael!
-É, amiga, viemos te ver e já estamos indo. Rafa está cansadinho, já, olha como está com sono!

(de repente vem uma mulher, do nada, convidada da noiva e coloca as DUAS MÃOS nos MEUS ombros)

-Pára!
-Como?
-Pára! Não balança ele. Não precisa ficar balançando assim.

 (aqui, cara de choque e incredulidade. Viro para o pai do Gato, na mesma hora, dando as costas para a mulher)

-Isso aconteceu?
-É, releva. É louca.
-Moça, deixa eu segurar o bebê?
-Ele tá com sono, com licença. Vamos, amor?

(vácuo absoluto e necessário, e vamos embora)

Conclusão: não bastasse a educação e cuidado coms eu filho não lhe pertencer, seu corpo também passa a ser de domínio público.

Cena 5 - no elevador

-Bom dia.
-Bom dia.
-Qual andar?
-Térreo, obrigada.
-Que lindo!Como chama?
-Rafael.

-Oi, Rafael, vai tomar um solzinho?
-Pois é.
-De quem ele é?
-Como?
-De quem é esse bebê?
-Meu...
-Ah...

Conclusão: Mãe vestida de branco é confundida com babá. Não bastasse a indiscrição das pessoas, o juízo passa também pela vestimenta, categorizando as pessoas pela cor da roupa.
Sindicato de classe, fiscalizai!

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Considerações finais: Paciência deveria ser comercializada sem retenção de receita. Melhor, onde quer que você fosse, deveria ter cápsulas à disposição, para você colocar na bolsa, na necessaire, onde fosse mais conveniente!
 Imagine a sala de espera do dentista. Vem aquela senhora na sua direção com aquela mão cheia de dedos pra cima do seu filho. O que fazer? Quase nada! esticar a mão para aquele baleiro à sua direita que contém balinhas de paciência como cortesia. Tomou? Pronto, passou!Diga, há algo mais saudável para sua saúde mental? Melhor que uma bazuca, vai...

Dá uma aula de indiferença pra eles, filho!
Com toda tolerância,  jogo de cintura e heroísmo,

Mamãe.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A construção do nosso vínculo

   
Filho,

Hoje tu fazes três meses de vida. Coincidiu com o dia da blogagem coletiva, e o tema é Vínculo. Coincidência? :o)

Antes de escrever, eu olhei o videozinho que teu pai fez do teu parto. Posso garantir que o vi com outros olhos. Me emocionei de forma diferente. 

É a primeira vez que eu olho o vídeo e te vejo nas imagens. Quando digo que te vejo, me refiro ao que você realmente é, ao que conheço de você nestes três meses de vida. Antes eu olhava as fotos e enxergava o meu desejo de ter um filho, o que eu esperava que ele fosse, o esboço de uma relação, que estava mais pautada nas idéias que eu tinha a teu respeito do que necessariamente quem você era.

Difícil explicar... Mas o que enxergo hoje ao fazer esta mini retrospectiva é fruto da nossa convivência, das nossas descobertas juntos, do conhecimento que eu e tu estamos adquirindo a cada dia, um a respeito do outro.

Hoje eu vejo as fotos e vejo o meu filho Rafael. Que eu reconheço o seu choro de fome, de cansaço. Que eu sei como provocar um riso, das coisas que lhe chamam a atenção e do que não gosta. Sei a forma como gostas de dormir e como resmungas se não estás daquele jeitinho. Aprendi contigo que nem sempre as coisas tem explicação, e aquele choro sem motivo às vezes não tem motivo mesmo! E que não vou ajudar em nada se insistir no meu velho modo de ser, tentando fazer caber nas minhas explicações racionais pra tudo nesta vida...

Quando eu penso no que ouvia das outras mães que "quando o meu filho nasceu senti o maior amor do mundo", lembro da sensação de culpa, de estranhamento por não entender o que diziam. "Não amo meu pequeno filho assim, será que sou uma mãe desnaturada? Será que por eu não amá-lo mais que a tudo nesta vida eu não sou digna da maternidade?" 

Hoje eu compreendo que eu não sentia tudo isso porque eu precisava te conhecer. Nós precisávamos deste tempo para nos reconhecermos um no outro. Nós precisávamos do nosso tempo para estabelecermos nosso vínculo de amor, de cumplicidade - e de estranhamento também. Uma coisa é fato: a gente não ama aquilo que não conhece.

Hoje eu te amo pelo que construímos. Te amo pelo vínculo que temos. Te amo pela sintonia que desenvolvemos em saber o que cada um está sentindo. Te juro que das vezes que chorei contigo no meu colo, a tua carinha de "interrogação" me fazia acreditar que, mesmo não compreendendo o que acontecia, tu compartilhavas daquele meu momento.

Eu fico imaginando o que eu direi daqui a um aninho, daqui a três, dez, vinte anos, quando o vínculo terá sido alimentado por muitos outros fatores, por outras descobertas, aprendizados... O que eu sei é que cada dia me surpreendo com a capacidade de amar  sempre mais, dia após dia. 

Não imagino minha vida sem ti, meu pequeno, imenso filho. A grandeza do sentimento que tenho por ti me dá força, me dá motivos para ser melhor, pra querer mais nesta vida, para ir muito mais além. Contigo e por ti, Rafa, tudo faz sentido.

Obrigada por me transformar em um ser humano melhor. Obrigada, mais uma vez, por permitir que eu aprenda, da forma mais doce e generosa, as coisas que este plano maior tem para mim, para nós.

E não canso de repetir...Obrigada por ter me escolhido como tua mãe. Faz três meses que a minha conexão com Deus também existe fora do meu peito.






Com todo amor do mundo,

Mamãe.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os peitos são meus e quem decide sou eu!

Falar sobre amamentação tem sempre um quê de polêmica associada. Seja por opiniões divergentes, por falta de informação ou por questões culturais.

O fato é que eu decidi desde antes do meu filho nascer que eu o amamentaria exclusivamente até os seis meses. Me informei o suficiente para ter certeza que era o melhor para ambos e porque eu precisava me munir de argumentação para sustentar a minha decisão. Mas para os outros? Não, definitivamente os outros não estão nem aí para suas argumentações. Suas crenças são tão solidificadas que não há espaço para uma posição contrária à sua ou mesmo um aprendizado novo. Suas experiências são sempre as mais corretas. Quem é mãe e deseja/desejou amamentar exclusivamente sabe do que eu estou falando. Tente convencer alguém que introduziu um chazinho, uma frutinha aos 4 meses que não é a melhor coisa para o bebê, depois conversamos.

A questão nem reside no que acabei de dizer, até porque sou da teoria que cada um com os seus problemas, suas decisões, seus acertos. Ademais, ninguém sabe do contexto de vida que cada um vive para chegar até onde está, pensar o que pensa. Respeito é muito importante justamente por isto.

O fato é que comprei uma briga grande para garantir ao meu pequeno filho que ele fosse aleitado até os seus seis meses. Estamos chegando à metade do caminho, graças a Deus. E a mim. E ao pai dele. E ao bebê, é claro.

Sei das implicações desta decisão, especialmente porque vem atrelada a uma série de outras mudanças: voltar ou não a trabalhar, ter claro que meu corpo permanecerá diferente enquanto amamenta-lo (quem sabe os efeitos da prolactina no corpo da mulher entende), permanecer em uma relação de relativa dependência com o bebê, entre outras. É claro que cada uma destas alternativas tem os seus dois lados da moeda. E, para mim, pesam os prós.

Existe uma onda muito forte a favor do parto normal, da amamentação exclusiva, como comentei. No entanto, sou terminantemente contra qualquer radicalismo na defesa de uma posição, especialmente porque segrega pessoas, influencia de maneira negativa e deixa muitas mulheres acuadas, desempoderadas. O que será da mulher que não se sente apta a amamentar seu filho? Vai faze-lo a contragosto, somente para se sentir parte do universo das mães que amam seus filhos? E o valor afetivo atribuido? Melhor amamentá-lo com raiva, contrariada do que oferecer mamadeira com amor? A mulher que tem parto normal é mais poderosa que aquela que se sente segura para oferecer afeto ao seu filho quando planeja o parto e marca a data?

Acredito que "só sabe a dor dos calos quem veste os seus sapatos", como diz um ditado popular. Liberdade de expressão de idéias, de sentimentos, de atitudes. Mas com respeito.

Por isso que digo que eu vou, se assim eu puder, amamentar meu Gato até onde eu achar que é importante. Porque devo. Porque posso. Porque é bom para nós dois.

A favor do respeito às opiniões e decisões de cada mulher, de cada pessoa. Porque somos diferentes e é isto que nos complementa.


Primeira mamada do Gato


Com muito amor.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Visitando a Família da Mamãe

Filho,

Neste feriadão, 12 de outubro, fomos ao Rio Grande do Sul visitar a família da mamãe. No teu nascimento, filho, vovó, titia e bivó vieram te conhecer. No entanto a família extensa não pode vir, e nem o vovô conheceste! Demos um jeitinho de ir antes que terminasse o ano, apesar do anseio de mamãe em viajar contigo de avião. Mas foi lendo estas dicas sobre viagem com pequenos e motivada pela saudade enorme da família que resolvemos ir logo.

Sobre a viagem em si:

Foste um lord, tanto no aeroporto como no avião. E também na viagem de carro até a cidade que vovô mora, que fica a 1h e meia de Porto Alegre. Mesmo com o atraso do vôo, ficaste bem tranquilo, dormindo no colo da mamãe. No avião, atentamos para a dica da tua Titia Sônia para oferecer a chupeta na decolagem, para diminuir o desconforto da pressão devido à altitude (ponto para a chupeta). Poderia oferecer o peito, mas achei mais pratico dar o bico, especialmente porque estava ansiosa com a viagem. Tu dormiste quase todo o trajeto!

Ficamos quatro dias com a família da mamãe!

Coisas especiais que marcaram a tua primeira ida à Terra da Mamãe:

Ver a alegria da tua vovó te dando banho, e tua bivó acompanhando,


Te apresentar para a família toda e perceber a emoção nos olhos das tuas tias, primas e avós,


Reunir 4 gerações da família,


Reunir todo mundo,


Comer um legítimo café colonial (engordar MAIS uns quilinhos, sabe?)


Poder ver se realizar a tradicional bênção em casa, feita pela Tia Paula,


Receber carinho de quem mamãe viu nascer,


E de quem criou e cuidou da mamãe,


Realizar o sonho de levar o filho para seus pais,


Poder agradecer mais uma vez por tudo,



Poder brincar,


E ter a certeza maior do mundo que concebeu o elo entre os maiores amores do mundo!


Hoje o coração está cheio de alegria pelos momentos vividos, mas também um pouco sensível pela tristeza da distância que separa tanta gente que nos ama, filho. Voltar para a rotina de nossas vidas, nesta São Paulo tão fria, tão solitária, dá um aperto no coração. 

Senti como é bom poder compartilhar as tuas conquistas, o teu jeito, a nossa rotina. Pude experimentar o que é ter uma rede de apoio que auxilia nas atividades mais básicas do dia-a-dia: ter quem te cuide enquanto tomo um banho, tomo um café, saio por alguns minutos - e se sentir segura em todo momento, pois estás bem assistido! Como faz falta a família por perto! Como é bom ter uma avó que, enquanto te cuida, te ama! Difícil voltar para a realidade da insuficiência de apoio. Mas estamos juntos - e isso é o que importa.

Na ansiedade para o Natal, que reunirá todo mundo novamente, vamos rememorando tão bons momentos, tão cheios de amor! Família briga, se desentende, mas sempre ampara! Ter voltado para casa contigo no colo, filho, teve um novo sentido, todo especial: poder sentir o que é ser filha e mãe!


Um detalhe especial: voltaste "falando" muito! Diálogos inteiros de buááá, áááá, aguuuu!! Uma alegria sem fim.

E minha gratidão eterna por tudo isto.

Com amor, Mamãe.









terça-feira, 28 de setembro de 2010

Chupeta, a dúvida cruel

Como uma série de premissas que eu postulei como verdades antes do Gato nascer, o capítulo "chupeta/bico"não foi diferente depois que ele veio ao mundo: tratei de sentir na pele que nem tudo é como a gente deseja, como a gente acredita.

Quando eu trabalhei com saúde pública, há três anos atrás, eu coordenava um grupo terapêutico para gestantes. Uma das coisas que fazia era chamar profissionais da saúde para conversar com as gestantes, e dentre eles, dentistas. Quando eu ouvia sobre os efeitos prejudiciais do bico (no RS é assim que chamamos) dizia: jamais coloco uma coisa destas na boca de filho meu. Achava que era um ato de calar a boca da criança, um ato de violência. Da mesma forma que disse que não gostava de mamadeira,  entre outras coisas. O fato é que a vida me trouxe um tapa de luva bem dado: eu tive que reavaliar meus pré-conceitos.

Gato quando nasceu mamou em livre demanda. O quanto quis, na hora que quis. Ainda falarei a respeito,  mas por hora o que importa é dizer que eu me tornei uma mamadeira ambulante para ele. Se fosse apenas para mamar e saciar suas vontades, até aí tudo bem. Mas tinha horas que emendava uma mamada na outra e ele pendurado. E eu cansada. E ele não necessariamente estava mamando.

Eu entendo e sei que o bebê tem necessidade de contato, e uma das formas de saciar sua vontade é a sucção não nutritiva. Porém deveria ser algo prazeiroso para nós dois, pois acredito que a qualidade da relação depende do bem estar dos dois integrantes do binômio mãe-bebê. Eu amava estar com ele, mas estava ficando muito, muito desgastada em ficar com ele pendurado no meu peito o tempo todo.

Relutei - relutamos, pois meu marido também era contra o bico, já tínhamos acordado a respeito. Até que conversei com uma amiga de infância que é odonto pediatra que se rendeu, da mesma forma, ao uso do bico com a própria filha. Ela disse-me, na época, que o mais importante não é o fato de dar o bico, mas sim saber a hora de tirá-lo. Ainda, que era importante atentar para o formato, o material que é feito.

Relutei mais um pouco, conversei com o pediatra...e pedi ao meu marido para comprar o mal/bendito bico.

Quando ele chegou em casa com o cujo, senti que tinha trazido para casa um intruso. Pode parecer besteira, mas eu me senti mal. Elaborei um luto de uma coisa que eu não queria. Mas sentia que podia fazer bem para todos nós.

Era um bico MAM. Colocamos na boca do Gato. Ele cuspiu fora. Confesso que senti um alívio imenso. Decidimos que não iríamos dar. Meu marido até colocou na boca para saber como era. Um gosto horroroso, diga-se de passagem. E o formato não acompanhava o céu da boca, coisa que minha amiga havia falado.

Seguimos na saga do bebê sugador. Até que decidi apostar, mais uma vez, em outra marca. Segui a experiência da mesma amiga e compramos o bico da NUK, que o formato segue o do céu da boca. Ele cuspiu de novo. Mas insistimos um pouco. Deu certo. O que foi bacana é que quando ele estava/tem cólica, é um santo remédio dar o bico com Funchicória. Ele suga, se acalma. Nestes momentos em especial sabemos que temos este recurso para ajuda-lo a sentir-se melhor. Não é à toa que em inglês se chama "pacifier"e em espanhol, "pacificador"...

Confesso que meu coração fica dividido. Gosto e não gosto da ideia. Mas, acima de tudo, me conforta ter um pouco mais de liberdade por ele não estar pendurado o tempo todo, e quando dou colo, é colo com amor, não necessariamente preciso dar o peito.

O que está claro pra gente é que este acessório teve dia para entrar na nossa vida e terá época para sair. Acho muito feio ver criança de 4, 6, 7 anos ou mais com bico na boca. Sem falar do aspecto psico-afetivo que envolve toda a questão.
Assim, até um ano, no máximo 2, Gato chupará bico, se assim quiser. Se será difícil tirar, bom, aí é trabalho nosso como pais dele.

Tomamos todos os cuidados para manter a higiene dos bicos. Sim, temos mais de um para o caso de cair no chão e ter um limpo até que seja fervido. Temos uma caneca onde os  fervemos por 5 minutos, todos os dias. E uma caixinha própria para guardá-los.

Esta é apenas uma das muitas verdades que teremos que aprender a abrir mão a cada fase da vida do pequeno. Esta flexibilidade é boa para nós e para ele, no final das contas.


Filho,

Mamãe vai te poupar de ter que entregar o bico para o Papai Noel do Shopping, tá? rs
Te amamos muito, mais a cada dia, o que não é uma novidade.

Com todo amor do mundo, Mamãe.