Um dia tu vais entender que mulheres são seres muito complexos. Não sei se isso é bom, ou péssimo mas terás uma escola na tua própria casa, já que tua mãe é um exímio exemplar de insanidade e inconstância deste gênero tão complicado.
Desta vez me refiro ao quanto somos ambivalentes nos nossos sentimentos e pensamentos. Do quanto queremos tudo, depois não queremos nada e do quanto conseguimos não entender nada do que estamos sentindo e disto tirarmos uma experiência única de aprendizado (eu não disse que era dificiO?)
Vamos facilitar agora, já que pude dar uma amostra grátis do quanto é complicado sentir tudo isso aqui dentro do peito. Estou falando do que ando sentindo a respeito deste momento que vivo em casa. Contigo, feliz, te vendo crescer, mas em casa, longe do trabalho.
Mais uma vez repito que isso tudo não tem nada a ver contigo, com meus sentimentos por ti. Talvez seja mais um desabafo neste canal que se abriu, inicialmente para falar para ti em que hoje interajo com muitas mães, que me ajudam muito com suas experiências e seus olhos atentos.
Feito o lembrete, digo que agora que o mestrado acabou (nem acredito nisso....), comecei a me questionar se consigo ficar muito tempo longe do trabalho.
Primeiro pela questão do dinheiro. Uma renda em casa é diferente de duas, por mais que o salário de profissional de saúde seja uma vergonha. É diferente porque é uma conta de telefone a mais, seguro de carro a mais, anuidade do conselho de classe a mais....
E, além disso, não consigo me sentir confortável na pele de uma mulher que procura nos olhos do marido o termômetro para saber se essa ou aquela necessidade feminina de consumo pode ou irá pesar no orçamento da casa. Senti isso comprando um sabonete da Natura este final de semana. Veja bem onde estou chegando... Isso não é legal.
E não tem nada a ver com olhares de reprovação do teu pai, porque ele não é assim. Tem a ver comigo.
Eu gosto de trabalhar. Eu gosto de comprar o que quero, na hora que quero. Mas é muito mais que isso: quero de volta a sensação de que contribuo com o orçamento do lar. Mesmo que seja para acrescentar uma comprinha no supermercado. Mas me sinto confortável nesta postura. Somos uma família e optamos por lidar com dinheiro conjuntamente. Isso não mudaria. Mas agora, escrevendo pra que pagar terapia me dou conta que tem a ver com o sentimento de contribuir, de ajudar.
Semana passada abri mão de um emprego tentador, do ponto de vista da atividade que iria desempenhar. Deu aquela coceirinha, sabe? Deu vontade de voltar.
Mas ponderei. Me propus a ficar contigo até teu primeiro ano ou quando pudesses entrar na escolinha do condomínio (aceitam quando a criança já anda). E quando tivéssemos o mínimo de estrutura (somos só eu e teu pai), eu procuraria as vias para esse retorno.
O que acontece é que eu não me sinto preparada emocionalmente para te deixar e retomar essa vida em paralelo. Acredito que nenhuma mulher se sente preparada por inteiro. Mas, para mim, (a outra metade de mim) não é hora ainda. Sei que fará falta para ti e para mim.
Que sentimento estranho! Que ambiguidade, sabe?
Quem julga que ficar em casa é moleza, não sabe o que é isso. Admiro horrores as mulheres que tem a sua profissão de mãe em tempo integral, que cuidam da casa, da saúde da família, da alimentação. Seja por escolha ou por necessidade. Não é bolinho, não! É muito, muito, muito cansativo e requer muito jogo de cintura. É tarefa para mulheres de ouro, viu?
Tenho a possibilidade de voltar a atender, em poucos horários, mas ir retornando....Acho que é a saída. O meio do caminho entre duas decisões que envolvem muitas mudanças. Então ir dando atenção a este sentimento e ir trabalhando-o até o momento de voltar por inteiro. Já é quase julho! Já, já chega a hora. E eu sei que oportunidades surgirão
O que mais faz sentido é o que sinto quando estou contigo. Toda vez que me pego olhando para ti, hipnotizada, me emociono profundamente. Que milagre da vida que tu és, meu filho! Quantas escolhas saudáveis eu fiz para te ter! E eu tenho certeza que tu me transformaste em algo melhor inclusive para os trabalhos que eu desempenharei no futuro próximo.
Reconhecer o que sentimos é o primeiro passo para acomodar as dores e os amores dentro da gente.
Agora já está tudo bem.
Obrigada por emprestar o teu espaço para estes sentimentos de mãe.
Te amo ainda mais!
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| Dá pra sentir o quanto te amo? |
Com amor,
Mamãe

Depositou a dissertação já?
ResponderExcluirQuando é a defesa??
Quero saber de tudo!
Pois é,não é nada fácil, qualquer que seja a escolha. Você escreveu o que muita mãe sente, exemplo do sabonete é só um. Fora isso é a sensação de se sentir individuo e não apenas mãe e dona de casa, o que não é pouco. Você vai conseguir conciliar tudo, tendo paciência,facilita. bjs
ResponderExcluirPuxa lendo o seu "desabafo" - posso intitular assim - me coloquei no teu lugar e no lugarzinho de muitas mamães. às vezes lidamos com sentimentos tão traiçoeiros que nos pegam assim por vez ou outra. Eu me sinto assim quase todos os dias, ontem mesmo, ao colocar a lasagna no microondas me veio na cabeça a imagem do que eu era quando estava de terninho despachando meus processos. Hoje ao entrar no quarto que será da minha bebê fiquei emocianada em poder estar em casa e viver tudo isso agora.
ResponderExcluirVai entender né?
Bjs
Ligiane, as cobranças são tantas...infinitas quase...e cruéis na maioria das vezes. Quando tive a minha primeira, não podia deixar de trabalhar. Precisava para complementar a renda...e fui criticada! Quando tive o segundo, pude ficar em casa (e estou até hoje, passados qse 3 anos)e ouço críticas até hoje.
ResponderExcluirNão há segredos, fórmulas perfeitas para seguir a vida sendo feliz....o lance, o grande lance, é fazer ouvidos moucos.
E seguir feliz com a escolha que lhe coube fazer.
Beijo. Força pra vc!
Ligiane,
ResponderExcluirPassei por isso no inicio do ano passado, queria muito voltar a trabalhar, mas quando fui visitar as creches, via as crianças chorando, minhas amigas reclamando que os filhos ficavam doentes, desisti.
Me propus a ficar mais 1 ano com meu filho, e hoje ele estuda no período da tarde, eu tb trabalho apenas de tarde =D, de manhã eu fico em casa com ele, cuidando dele, da casa, do marido e etc, mas claro minha profissão permite tão flexibilidade, se não permitisse acho que enlouqueceria com a idéia de "abandona-lo", talvez ficasse + uns 2 ou 3 anos sem trabalhar, e sofrendo sem poder comprar meus xampus, sabonetes, cremes, ir no salão, ou simplesmente comprar um presente para dar ao meu marido...
entendi seu texto, e muitas mães passam por isso!
EU ESCREVI UM COMENTÁRIO DO TAMANHO DO MUNDO INTEIRO E O BLOGGER NÃO PUBLICOU!!!
ResponderExcluirPRA QUE VIVER????????
(Em Capslock mesmo pra dar mais dramaticidade)
Tbm estou neste dilema... minha licença acaba em 1 mes e meio... e ainda não decidi se volto ou não... Sei que o dinheiro vai ser muito bem-vindo, pra comprar as minhas coisas, pra comprar as coisinhas dele, pra fazer a super festinha de um aninho... Mas me sinto tão culpada em deixar ele,mesmo que seje com a avó, mas sei que vou perder muita coisa, e ele tbm vai sentir muito a minha falta... Oh dó... bjks, O Rafael é muito fofo!!!
ResponderExcluiracho que esse post pode ser para você também:
ResponderExcluirhttp://maedevenus.blogspot.com/2011/03/quando-licenca-maternidade-acaba.html
um beijo
Ana Amaral, do http://maedevenus.blogspot.com
olá, meu nome é Thays, trabalho na Wunderman. Gostaria de entrar em contato com vc, pode me enviar um email? Thays.Klemp@wunderman.com. Obrigada
ResponderExcluirQue blog mais fofo! Estava visitando alguns blogs e cheguei até aqui.Adorei tudo. Já estou seguindo para conferir os próximos posts. Eu sou mamãe de um menino de 1 ano e 4 meses. Visite meu blog e conheça a loja Kids e Cia. Se gostar do meu blog siga também.
ResponderExcluirAté breve! Obrigada!
http://www.vivianeborges.com/
Sou nova por aqui. Gostei do teu blog e de seu modo de escrever.
ResponderExcluirOq posso dizer, é que tbm acabei de passar por isso, eu tava de licença maternidade, e ao msm tempo q sentia uma falta absurda do trabalho, olhava pro meu bem maior, meu bbzinho, e só queria ficar com ele, cuidando, acompanhando sua evolução. é o sentimento mais estranho que eu já vivi, pois não tem muito oq explicar, só conseguimos sentir né!?
bjs
AHAHAAHHAAHAHHAHAAHHA! RISADAS GOSTOSAS. AMO!
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